Como nasceu a sua vocação para o Ministério Pastoral?
A minha vocação brotou aos poucos e com a ajuda de muita gente. O meu pai queria que eu continuasse os estudos, o que não era algo fácil morando em Tuparendi e sendo filho de caminhoneiro. Fui para Ijuí/RS, onde estudei por três anos no Colégio Augusto Pestana. Surgiu a oportunidade de uma bolsa de estudos no Instituto Pré-Teológico, em São Leopoldo/ RS, oferecida para três jovens da Paróquia de Tuparendi. Após concluir os estudos na Faculdade de Teologia, fui enviado para Erechim/RS, o meu primeiro Campo Ministerial. Hoje, estou no meu quarto campo de trabalho, há 38 anos no pastorado e no meu último ano na ativa. Espero estar cumprindo com fidelidade esta tarefa, gratificante, mas nem sempre fácil, que também Pedro recebeu de Jesus ao ouvir Pastoreia as minhas ovelhas (Jo 21.16).
Na Comunidade de Carazinho, quais são as suas atividades?
A Comunidade é grande, com muitos setores de trabalho e que exigem acompanhamento, orientação pastoral constante e a busca por novos jeitos e novas respostas para ‘a Igreja na cidade’. Procuramos concretizar as tarefas missionárias para as quais a Direção da Igreja nos chama, além da demanda de expectativas dos membros. Atenção especial está recebendo o trabalho com jovens e, em parte, com crianças. Para esta ação de pastoral urbana, um Ministro é pouco, por isso abrimos o segundo pastorado e ainda precisamos investir mais.
Quais são as maiores dificuldades encontradas nesta região?
Há algumas décadas, o trabalho principal do Pastor consistia em ‘cuidar do rebanho’, trabalhar com e para os membros da IECLB. Hoje, além da concorrência religiosa, a mudança de vida, valores e comportamentos exige a busca de novos meios para manter o rebanho e não ‘perder’ membros, especialmente gente jovem. Uma constante preocupação é ‘como envolver mais pessoas na vida comunitária’. As exigências do trabalho, o corre-corre diário, a insegurança pública e o comodismo fazem com que as pessoas se isolem cada vez mais.
Há medidas para melhorias?
Ao longo dos anos, aprendi que não é possível parar. É necessário buscar novos caminhos, novas maneiras para responder os desafios do século XXI. A Igreja em ambiente rural, e que ainda molda o nosso jeito de ser Igreja, praticamente passou. Adaptar, mudar, usar novos recursos e novas formas para continuar sendo Igreja de Jesus Cristo, com toda a responsabilidade e o compromisso, não é tarefa fácil para alguém que começou o seu pastorado no início da década de 70, mas, se a gente tem a clara percepção que algumas coisas precisam mudar e a gente precisa se adaptar, sempre encontramos membros que caminham junto, apoiam e querem ver a sua Igreja comprometida com o Evangelho e constantemente crescendo.