Dando seqüência à série de matérias especiais em comemoração aos 60 anos da IECLB, nesta edição o P. em. Friedrich Gierus, que formou-se em Teologia em 1965, sendo ordenado e enviado como Pastor da Igreja da Baviera para o Brasil. Sua primeira Paróquia foi Indaial. Em seguida, assumiu o desafio da ‘missão suburbana’, em Curitiba/PR. Em 1976, foi chamado pela Direção da Igreja para ocupar a recém-criada Secretaria de Missão, em Porto Alegre/RS. Depois, trabalhou durante quatro anos na função de Capelão Hospitalar em Blumenau/SC. P. Gierus, que, desde 1987, está trabalhando na área da comunicação: Missão de Folhetos, Anuário Evangélico, Jornal O Caminho, Livraria Martin Luther e Gráfica e Editora Otto Kuhr, vai apresentar o Sínodo Evangélico Luterano de Santa Catarina, Paraná e outros Estados – de P. Otto Kuhr a P. Ferdinand Schlünzen, parceiros importantes na formação da Federação Sinodal.
A fundação de uma Igreja Evangélica Luterana no Brasil não era apenas o resultado de uma necessidade histórica de alguns Obreiros e Comunidades que se constituíram no Sul do Brasil. Os próprios imigrantes alemães trouxeram as sementes no bojo da sua bagagem para a implantação de uma Igreja, a saber, a Bíblia, o Catecismo e o hinário. Baseados nestes instrumentos da palavra escrita, os imigrantes alimentaram a sua fé e criaram as Comunidades. No entanto, a fundação de uma Comunidade não foi o objetivo final das suas intenções, pois os luteranos que migraram para o Brasil não só estavam acostumados a cultivar sua fé em

Igreja da Comunidade da Ilha, Joinville/SC |
Comunidade, mas, ao viver Comunidade local, pensar a Igreja globalmente. Ainda vivendo longe da sua pátria, em situações precárias construindo a sua nova pátria, sentiam-se membros da Igreja Evangélica Luterana na Alemanha.
Por outro lado, na pátria antiga, muitos membros daquela Igreja organizaram a Associação Gotteskasten para dar apoio aos irmãos emigrados para outros países. A pedido destes, a Associação Gotteskasten da Baviera assumiu a tarefa de acompanhar e ajudaros irmãos luteranos no Brasil. Em função desta tarefa, motivaram o P. Otto Kuhr, que já estava trabalhando entre alemães luteranos emigrados para os Estados Unidos, a atender os alemães emigrados ao Brasil. O P. Otto Kuhr, já em 1° de janeiro de 1898, assumiu a vaga de Pastor na Comunidade da Estrada da Ilha, em Joinville/SC.
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| Präses Otto Kuhr |
Após a chegada do P. Otto Kuhr, logo vieram mais Obreiros, que, em 1899, formaram a Con- ferência dos Pastores da Associação Gotteskasten. Entre os Pastores, a idéia de criar um Sínodo foi refletida e uma das preocupações era Será que a fundação de um Sínodo não é apenas um sonho dosPastores? Em 1904, o P. Otto Kuhr iniciou uma viagem de visitação às Comunidades de Santa Catarina e verificou que nem todas as Comunidades e Pastores estavam a favor da criação de um Sínodo com ‘confessionalidade definida’, mas os que apoiaram a idéia de um Sínodo de Confissão Luterana ficaram entusiasmados.
Assim, todos os Pastores e Comunidades interessados na fundação de um Sínodo confessional receberam o convite, emitido pelo P. Otto Kuhr, para a reunião constituinte, a ser realizada no dia 9 de outubro de 1905, na Comunidade Estrada da Ilha. Participaram desta reunião para constituir o ‘Sínodo Evangélico Luterano de Santa Catarina, Paraná e outros Estados da América do Sul’ 11 Pastores e 21 Delegados. Cinco Comunidades já declararam a sua filiação ao Sínodo no mesmo dia. Outras trinta ainda pre- feriram discutir o assunto nas suas bases. Como primeiro Fases (Pastor Sinodal), foi eleito o P. Otto Kuhr.
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O primeiro Jornal Evangélico Luterano
A vinda de Pastores da Associação Gotteskasten ocorreu a pedido de Comunidades no Brasil que fizeram questão de ser Igreja Luterana, isto é acentuaram a sua confessionalidade (doutrina pura) e cultivaram as suas tradições luteranas, contribuindo, em muitas regiões, para tensões com os imigrantes evangélicos da Prússia, ou seja, da Igreja da União. Os evangélicos acusaram os luteranos de fundamentalistas e os luteranos acusaram os evangélicos de cristãos sem identidade confessional definida, abertos para doutrinas que fugiam do Evangelho puro.
Preocupados com a doutrina pura, a Conferência dos Pastores Luteranos fomentou a idéia de criar seu jornal de Igreja. Eles queriam alimentar espiritualmente os membros das suas Comunidades com o Evangelho conforme as interpretações do Reformador Martim Lutero. Além disso, desejavam criar um veículo de comunicação interna e um elo entre as Comunidades luteranas. Desta forma, eliminaram a influência do jornal dos evangélicos, a Folha Dominical (Sonntagsblatt), que já existia há uma década.
O Redator, P. Gottfried Riegel, numa palavra editorial, no primeiro número do Evangelisch-Lutherisches Gemeindeblatt (Folha Comunitária Evangélico-Luterana), comenta Há muito tempo, refletimos sobre a possibilidade de editar um jornal de cunho evangélico-luterano, mas não o fizemos, pois o Sonntagsblatt evangélico também foi lido em muitas Comunidades nossas. Com a edição de um jornal comunitário, pretendemos ser um jornal da paz, que sirva para edificação da verdadeira Igreja e não dê espaço à política, nem brasileira nem alemã.
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O encaminhamento para a IECLB
As duas grandes guerras trouxeram muito sofrimento para todos os povos envolvidos, também de forma especial para os brasileiros. Os descendentes da imigração alemã no Brasil aprenderam uma lição Não dá para construir uma Alemanha no Brasil. Também não é possível que os Sínodos evangélico luteranos que aqui se estabeleceram continuem eternamente na dependência econômica da Alemanha. Em consequência disso, começaram a refletir sobre a necessidade de ter a sua própria faculdade teológica para formação de Pastores, que se realizou com a Fundação da Escola de Teologia, no dia 26 de março de 1946, em São Leopoldo/RS.
A idéia de constituir uma Igreja Evangélica de Confissão Luterana, aos poucos, se tornou um
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| Präses Ferdinand Schlünzen |
sonho em todas as Comunidades dos quatro Sínodos. Em Santa Catarina, o sentimento de união foi sentido especialmente durante o tempo e após a Segunda Guerra. As Comunidades foram precariamente atendidas por poucos Pastores com licença especial para dar o mínimo de assistência espiritual.
Após algumas reuniões, consultas e as Comunidades terem recebido informações por meio de cartas pastorais sobre os planos da constituição de uma Igreja nacional, os quatro Sínodos se encaminharam para a constituição da IECLB, que ocorreu no dia 26 de outubro de 1949, em São Leopoldo. Ainda que os quatro Sínodos tivessem suas autonomias territoriais, as Comunidades no Brasil inteiro iniciaram o processo de aprendizagem Somos uma Igreja só – a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Esta decisão tomada em São Leopoldo teve seu reflexo no convívio das Comunidades evangélicas e luteranas que viviam lado a lado em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. A definitiva unificação dos Sínodos ocorreu em outubro de 1962, na cidade de Curitiba/ PR. Durante todo este processo, o Präses Ferdinand Schlünzen e seu sucessor, Fritz Wüstner, não mediram esforços para que esta unificação se encaminhasse em paz e para a glória de Deus.