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Cerca de 130 intelectuais e doutores islâmicos encaminharam um documento para lideranças cristãs de todo o mundo, incluindo o Papa Benedito XVI  e o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reverendo Samuel Kobia, afirmando que a cooperação entre Cristianismo e Islamismo é fundamental para a existência da paz mundial. O documento também está endereçado ao patriarca ecumênico Bartholomeos I e a líderes da Igreja Ortodoxa, assim como para o arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, para o presidente da Federação Luterana Mundial, reverendo Mark Hanson, a outras lideranças de grupos luteranos, batistas, metodistas e cristãos reformados.

“Muçulmanos e cristãos perfazem, juntos, mais da metade da população do Planeta. Sem paz e justiça entre essas duas comunidades religiosas, não pode haver uma paz significativa no mundo. Nosso futuro depende disso. Talvez a sobrevivência do mundo dependa disso”, diz a carta, que foi levada a público no dia 11 de outubro.

“Achar uma base comum entre muçulmanos e cristãos não é uma simples questão de um bem educado diálogo ecumênico entre líderes religiosos. Vai muito mais além”, escrevem os especialistas. “Entendemos que a base para esta paz e compreensão mútua já existe. É parte dos princípios fundamentais das duas expressões de fé: o amor a um só Deus e o amor ao próximo. Esses princípios são encontrados sempre de novo nos textos sagrados do Islamismo e do Cristianismo. O Deus uno, a necessidade de amor por Ele e a necessidade do amor pelo próximo são, assim, a grande base comum das duas religiões”, prossegue o texto.

 

“Se muçulmanos e cristãos não estiverem em paz, essa corre um perigo imenso. No mundo moderno, com a terrível quantidade de armas e sua capacidade de morte, com muçulmanos e cristãos intervindo em todos os lugares, nenhum dos lados poderá vencer um conflito que acabará por envolver metade da população do mundo. Como muçulmanos, nós dizemos aos cristãos que não somos contra eles e que o Islã não é contra eles – desde que não promovam guerras contra nosso povo, para combater a nossa religião, oprimir o nosso povo e expulsá-lo de suas casas.”

A publicação da carta coincide com o final do Ramadã, período sagrado de jejum realizado no nono mês do calendário muçulmano. Também marca o primeiro aniversário de outra carta aberta escrita há um ano ao Papa Benedito XVI, em resposta a uma fala do pontífice católico que causou polêmica ao usar palavras de um imperador bizantino, ligando o Islamismo à violência.

A carta de 11 de outubro foi muito bem recebida pelos líderes cristãos. “Essa iniciativa, de tão grande e representativo número de especialistas islâmicos, é de extraordinária importância”, afirmou o pastor presidente da IECLB e moderador do CMI, Walter Altmann. “De fato, é fundamental que, a partir da base de suas respectivas crenças, muçulmanos e cristãos (como também judeus e representantes das demais religiões) trilhem caminhos de cooperação para a paz e a justiça no mundo, bem como especificamente em todos os países em que convivem comunidades cristãs, muçulmanas e de outras religiões”, disse o pastor presidente. “A iniciativa constitui um importante passo nessa direção. O CMI, por exemplo, tem no diálogo e na cooperação inter-religiosas uma de suas linhas programáticas e é seu propósito intensificar os contatos com representantes da religião islâmica.”

 

O secretário geral do CMI, reverendo Samuel Kobia, considerou a divulgação do documento uma rara proposta de unidade, que renova as esperanças sobre o que as pessoas de fé podem construir quando trabalham juntas. “A ocasião da divulgação da carta também é importante. Hoje em dia, toda a humanidade está olhando para os líderes religiosos, buscando exemplos e respostas para a situação de violência existente no mundo”, avaliou. 

 

Já o bispo Mark Hanson, presidente da Federação Luterana Mundial, disse que a carta atesta para ambos (cristãos e muçulmanos) o amor de Deus e a herança comum de verdadeiro amor ao próximo. “Gostaria de encorajar todos a ler e divulgar as belas passagens encontradas nos textos sagrados das crenças que remontam a Abraão, da visão de Deus sobre quem e como ele ama, em um mundo quebrado e destruído. Essa mesma visão para judeus, muçulmanos e cristãos significa fidelidade e parceria em um mundo onde os conflitos ofendem a nossa herança como filhos e filhas de Deus.”

Cópia da carta (em inglês)
http://www.divinity.cam.ac.uk/cip/documents/COMMONWORDFINAL091007.pdf