Por solicitação de parceiros na Alemanha, o pastor presidente Walter Altmann elaborou uma avaliação sobre a expansão da produção do álcool combustível no Brasil, divulgada no exterior e no Brasil. Mesmo que a IECLB ainda não tenha desenvolvido uma pesquisa aprofundada para adoção de um posicionamento oficial sobre o tema, a avaliação é de crítica e de muita cautela.
“Compartilhamos, com outros segmentos da sociedade civil e entidades pastorais, bem como entidades parceiras de outros países, a preocupação quanto ao desenvolvimento de um projeto dessa natureza, à parte de um processo mais profundo de desenvolvimento sustentável, em todas as suas dimensões. Entendemos, portanto, que o projeto brasileiro deva ser encarado numa perspectiva crítica”, disse o enunciado.
Por outro lado, a IECLB entende que o projeto específico se encontra num marco mais abrangente de relações internacionais, de modelo econômico globalizante concentrador e de padrões de consumo assumidos nos países desenvolvidos e, crescentemente, copiados por países emergentes. A crítica ao projeto de expansão da cana-de-açúcar no Brasil, para ser coerente, deve ser colocada neste marco mais abrangente, objeto de igual análise crítica.
“Registramos que há danos ambientais e, sobretudo, sociais na produção de álcool, mas os há também em outras culturas, em parte em dimensão inclusive maior, por exemplo, na pecuária (e expansão da soja para alimentá-la), na produção de etanol a partir do milho, no fomento à plantação de eucaliptos e na exploração da madeira de lei”, avaliou Altmann. As distorções são também exacerbadas pela política protecionista e de subsídios à produção agrícola e pecuária nos países desenvolvidos.
“Em todas as áreas, fator determinante são padrões de consumo vigorantes em países de desenvolvimento e, crescentemente, copiados por países emergentes (por exemplo, na China, Índia e Brasil). Registramos igualmente os danos ambientais, sociais e econômicos provocados pelo crescente consumo de petróleo e sua alta desenfreada de preço, também incidindo em boa medida na alta do preço dos alimentos. Nesse particular há também um componente positivo, qual seja o de certa melhoria das condições de vida dos mais pobres de países emergentes.
Neste contexto a IECLB tem desenvolvido uma política, no tocante a projetos de desenvolvimento, de posicionamento crítico à expansão de qualquer monocultura, enfocando, ao contrário, na agricultura familiar ecológica e para a produção de alimentos, em contraposição à política de incentivo e investimentos no agronegócio, que conduz à monocultura (cana-de-açúcar, eucalipto, soja, criação de gado), com imensos impactos ambientais, e que favorece o processo de concentração de terras e, portanto, retarda a Reforma Agrária e não gera o necessário número de empregos no campo, o que por seu turno favorece a continuidade de formação de bolsões de miséria nos centros urbanos.
“Pensamos, por fim, que as distorções e danos ora registráveis devem ser enfrentados na globalidade de seus aspectos, propondo-se alternativas inclusive nos modelos vigentes globalmente”, confirmou o pastor presidente da IECLB.