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Presidência
IECLB nº 205733/12
Porto Alegre, 24 de janeiro de 2012


IECLB – Tema do ano 2012
Texto-base

 


Introdução
Jovens são parte integrante da comunidade cristã. Não precisam de autorização para ter espaço de participação. A comunidade, em todos seus níveis de expressão (local, paroquial, sinodal, nacional), tem compromisso de viabilizar a participação de todos e todas, independente de gênero, situação social, etnia, geração (Gl 3,28: “Desse modo não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus”).
A vida comunitária é espaço qualificado para ajudar os jovens na construção da sua identidade, a partir de valores, práticas e significados de vida. É espaço potencialmente acolhedor, onde os jovens podem encontrar amparo em sua angústia, medos e dúvidas (I Co 12, 26 “Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela”).
E os jovens querem participar! A graça de Deus, a partir da qual uma comunidade é edificada e cresce, também alcança e toca os jovens. E é esse toque divino que desperta para a responsabilidade mútua dos integrantes da comunidade: crianças, jovens, adultos, idosos (I Co 12, 25 “… não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras”). Movidos pela graça de Deus, integrantes da comunidade engajam-se na ação missionária, como, por exemplo, no cuidado ao meio-ambiente.
Jovens tendem a renovar e enriquecer a vida comunitária com sua capacidade de oferecer novas formas de participação e novas formas de compreensão. Comunidade de confissão luterana reforma-se constantemente para criar novos espaços e continuar sendo comunidade para todos e todas. (“Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros”, 1 Pe 4,10).
Tema e Lema da IECLB em 2012
Tema: Comunidade jovem ? Igreja viva
Lema: “Antes que eu te formasse no ventre, te conheci” (Jeremias 1.5a).
Fundamentos
Em geral, o termo juventude refere-se ao período após a adolescência até a entrada na idade adulta. Fala-se de adolescência e juventude. No âmbito da IECLB, o termo juventude abrange desde a pré-adolescência até a entrada na idade adulta. É este o significado do termo neste texto.
A ação com jovens na IECLB recebe enfoques e atenção distintos, dependendo do nível de prioridade estabelecido pela instância ou liderança ministerial. O certo é que há anos há manifestações apontando para a necessidade de mais atenção e maiores investimentos no trabalho com jovens.
Em 2010, a Secretaria de Formação, ao ouvir o pedido dos jovens do Congresso Nacional da Juventude por mais espaço na igreja, propôs que apresentassem propostas para o Tema do Ano de 2012. O CONAJE definiu que o tema do CONGRENAGE 2012 será: Conectad@s com Deus: protagonistas no mundo. Como lema, definiu: “Não deixe que ninguém o despreze por ser jovem. Mas seja exemplo” (1 Tm 4,12). Considerando essa definição, consultados, todos os Pastores Sinodais, em seu encontro de março 2011 com a Presidência e a Secretaria Geral, apoiaram a ideia de que o Tema do Ano de 2012 focasse a juventude. Após essa consulta, a Presidência ainda ouviu lideranças e jovens, incentivando-os a identificar aspectos a serem enfatizados. Agora, é hora de assumir em conjunto e com coerência os desdobramentos dessa decisão.
O acento do Tema de 2012 é a juventude no contexto da comunidade cristã. Jovens e comunidade complementam-se, na medida em que um desafia o outro a qualificar a fé. Aqui entra a palavra de Jesus sobre a sabedoria de construir a casa na rocha (Mt 7,24). Jovens que constroem sua identidade convivendo numa comunidade cristã, adquirem uma compreensão mais sólida da fé e da cidadania. A partir dos desafios da convivência comunitária, compreendem melhor a dimensão bíblica do respeito e do amor de uns para com os outros. Comunidade cristã que tem ouvidos para todos seus integrantes, inclusive para as gerações jovens, encara com mais sabedoria os desafios do presente e constrói bases mais sólidas para o futuro.
O Lema dá dimensão a essas construções. Antes mesmo da fundação da comunidade ou do jovem ter nascido, Deus já os conhecia a fundo. Ele convida jovens e comunidade a se guiarem por sua Palavra e a se manterem conscientes de sua presença em todos os tempos e em todos os momentos. Ele abraça a todos e todas com sua graça para, com liberdade, cuidarem da sua criação.
Caminhos do cuidado jovem na unidade e na confessionalidade
Comunidade é espaço privilegiado de diálogo e de construção conjunta de ações e soluções, a partir da riqueza de expressões da vivência da fé. A unidade nasce na comunidade, onde dois ou três se reúnem em nome de Cristo (Mt 18,20), e se expande para os níveis paroquiais, sinodais e nacionais.
Em 2012, jovens recebem um convite especial para ocuparem seu lugar na comunidade. O Tema do Ano quer aprofundar a consciência de ser e viver comunidade evangélica de confissão luterana, onde todas as gerações são igualmente importantes: crianças, jovens, adultos, idosos. O Tema desafia jovens e todas as instâncias da Igreja para a construção conjunta de novos espaços de participação e convida o jovem a conhecer os espaços já existentes.
2012 é oportunidade para a própria comunidade querer ser jovem e não parar no tempo. Renovar-se constantemente, para continuar a ser lugar para todos e todas: crianças, jovens, adultos, idosos. Essa renovação tem como pedra fundamental o próprio Cristo. “Ele mantém o edifício todo bem firme e faz com que cresça como um templo dedicado ao Senhor. Assim vocês também, unidos com Cristo, estão sendo construídos, junto com os outros, para se tornarem uma casa onde Deus vive por meio do seu Espírito.” (Ef. 2, 21-22)
Comunidade jovem acolhe o jovem sem querer moldá-lo. Respeita a sua noção de tempo. Ajuda-o a entender o tempo das gerações e que a vida vai muito além da tecnologia. Ajuda-o a compreender que a virtualidade, além de o manter conectado com o coletivo, também pode conduzi-lo ao isolamento e à dependência.
Comunidade jovem protege o jovem. Mostra os valores que defende, a fim de servir de guia para a construção da identidade dos seus integrantes jovens e dá a eles parâmetros para lidar com os riscos a que estão expostos na sociedade atual e com as adversidades da vida, como drogas, violência, obesidade, fragilidade dos relacionamentos.
Comunidade jovem ouve o jovem. Aceita que o jovem tem com que contribuir com a comunidade. Entende que as características peculiares do jovem de hoje ? diferentes das que marcaram jovens de outras épocas ? podem ensinar, abrir novos horizontes, flexibilizar modelos.
Comunidade jovem fala a linguagem que o jovem entende. Pauta os assuntos que o angustiam, como a morte, a violência, a falta de sentido de vida, as separações. Constrói com ele a pertença a uma comunidade onde sempre terá lugar para expressar suas inquietações e sua fé, a seu modo.
Comunidade jovem vive a fé a partir da confiança no Deus presente em todas as horas, o Deus que consola, motiva, o Deus que não teme questionamentos, o Deus amoroso, cuja graça é maior que qualquer medo.
Comunidade jovem ajuda o jovem a encarar a realidade e a enxergar as suas potencialidades através da confessionalidade. Não vende ao jovem uma religiosidade que serve de meio de fuga da realidade. Pelo contrário, mostra-lhe o tamanho da graça de Deus e como ela pode ajudá-lo a lidar com sua ansiedade e seus medos.
2012 é oportunidade de promover vocações. O tema reafirma o compromisso com a educação cristã, que estabelece as bases para a formação de futuros ministros e ministras, lideranças comunitárias e profissionais. O tema é oportunidade para criar parcerias entre comunidades e organizações identificadas confessionalmente, como escolas e centros de formação ministerial.
2012 também é oportunidade para trabalhar fragilidades. O tema vem de encontro às necessidades do jovem de aprender a lidar com limites e a compreender as fragilidades da própria comunidade. Jovens necessitam de uma coerência entre discurso e prática para levarem algo a sério. O tema ajuda todos a compreenderem que a aceitação da fragilidade da comunidade/igreja não significa enfraquecimento do Evangelho, nem falta de comprometimento de todos e todas com a verdade.
A comunidade de confissão luterana tem valores confessionais que servem de parâmetro ao jovem na construção de sua identidade. Comunidade jovem tem espaço para a tradição, ao mesmo tempo em que cria espaços para a inovação. Não impõe modelos, dialoga. A base do seu diálogo são os fundamentos confessionais, que não mudam na sua essência, apenas recebem releituras conforme o contexto vivenciado.
Comunidade jovem quer compreender melhor a graça de Deus e o poder transformador dessa graça. “Deus não nos escolheu para sofrermos o castigo da sua ira, mas para nos dar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Cl 5,9) A comunidade ajuda o jovem a perceber o processo de revelação de Deus, do Antigo Testamento até o Novo Testamento, e colabora para o jovem se aceitar com suas qualidades e com suas limitações: “… pela graça de Deus sou o que sou” (I Co 15, 10 a).
Comunidade jovem busca a compreensão e a vivência adequadas da liberdade. O Tema e o Lema ajudam a refletir a dimensão da liberdade cristã. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5.1). Essa liberdade não é uma liberdade qualquer. É a liberdade que tem por base o amor (Gl 5.13). É a liberdade que, como diz Lutero, “Cristo adquiriu e nos concedeu”. A graça de Deus faz com que o cristão seja livre e não esteja sujeito a ninguém e, ao mesmo tempo, faz com que seja prestativo em todas as coisas e sujeito a todos (Lutero).
Deus valoriza o jovem, bem como a comunidade jovem, e os faz co-participantes de sua missão. “Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas.” (2 Co 2, 14b)
P. Dr. Nestor Friedrich
Pastor Presidente

Anexos do texto base
1. Contextos
O texto que segue serve apenas de introdução. A informação qualificada deve ser buscada junto aos especialistas em cada área.
1.1 Contexto histórico
Não há registros históricos precisos sobre o início de ações eclesiásticas focadas nos jovens. Há muito a fazer em termos de pesquisa sobre a ação com jovens, especialmente sob os prismas da ação comunitária envolvendo jovens, da expressão missionária da igreja através das escolas evangélicas, do papel da Faculdade de Teologia com a formação dos jovens ministros brasileiros, do papel desses ministros e professores evangélicos na organização dos jovens até sua organização institucional (secretaria da Juventude, congressos, movimentos, coordenação). Sobre o viés institucional há um breve relato (não atualizado) no site da Juventude.
Breve histórico sobre a ação institucional com Jovens na IECLB
Fonte: site do DNAJ
18.. (?) – Ninguém sabe ao certo quando e onde reuniu-se o 1º grupo de juventude evangélica. Pode ter sido ainda durante os primeiros anos de colonização alemã no país, no final da primeira metade do séc. passado.
1930 – Os primeiros registros informam que o trabalho com jovens inicia com os pastores vindos da Alemanha. Estes trouxeram suas experiências adquiridas lá e as aplicaram aqui formando grupos. Estes chamaram-se, como na Alemanha, Evangelische Jugend (Juventude Evangélica). No começo, as reuniões eram em língua alemã. Os/As jovens reuniam-se para manter uma convivência fraternal sadia. Além disso, queriam ter uma formação cristã que pudesse ser importante para o seu comportamento. Mas 30% das atividades dos grupos eram lazer, especialmente cantos e jogos. As competições esportivas não eram muito comuns.
1936 – A partir deste ano, na Alemanha, começa a tomar corpo o Nacional Socialismo. Hitler prega a formação de uma raça pura. O jovem recebe muita valorização. Forma-se a juventude nazista. Este movimento ideológico e político influencia a juventude no Brasil, a tal ponto que um grupo de jovens em São Leopoldo veste uniforme de cor cáqui e marcha pela cidade, inspirado nos ideais nazi-alemães. Outro movimento forte sob esta influência foi um grupo de Porto Alegre, que marchava como a juventude hitlerista alemã e usava um símbolo parecido com a suástica.
1938 – Começa a 2ª Guerra Mundial. A língua alemã no Brasil é proibida. Existe muita suspeita sobre os pastores, alguns inclusive retornam para a Alemanha. Os movimentos e reuniões de jovens germânicos ficam proibidos.
1945 – Termina a guerra e o trabalho nos Sínodos recomeça, mas centrado mais no evangelho. Durante estes anos, circulava no Brasil uma publicação alemã destinada ao público jovem. A JE também dispunha de uma página mensal na Folha Dominical. Nesta folha dava-se dicas para o trabalho nos grupos e tinha estudos bíblicos.
1950 – 1960 – Surge a Revista da Juventude que durou 10 anos. Ela foi a principal publicação. Os grupos de JE começam a se multiplicar. Conforme uma estatística publicada na Revista, existiam, em 1952, 81 grupos no Sínodo Riograndense, aumentando em 10 até o próximo ano. Em 1955 também iniciou um trabalho com universitários, em Porto Alegre, sendo nomeado um pastor para este trabalho.
1960 – Iniciam as Escolas de Líderes, com a iniciativa do professor Sarlet. Ernest Sarlet era o Secretário Geral da JE de tempo parcial, da JE.
1966 – Foi feito um Regimento Interno do Conselho Nacional da JE.
1968 – Foi realizada uma Consulta Nacional da JE com os diferentes Sínodos. Muitos afirmam que ali partiu a iniciativa da criação da IECLB.
12.03.70 – Aprovação do anteprojeto das diretrizes da JE. Foi cedida pela IECLB uma pessoa de tempo parcial para escotismo (Alfredo Lindemann). Neste ano também aconteceu o I Congresso Nacional da Juventude Evangélica.
01.09.70 – O P. Martin Hiltel foi eleito 1º Secretário Geral de tempo integral da Secretaria Geral da Juventude, com sede em Porto Alegre, tendo os seguintes objetivos: confecção de material; preparo de lideranças; participação em palestras e reuniões; preparo e divulgação de novas técnicas; trabalho específico com JE, escotismo, grêmios estudantis, universitários e bandeirantes. Em 1970 iniciou-se uma nova revista: Revista Presença, que não durou muito. Entre os anos 70 e 80 também aconteceram as chamadas "Operação Despertar" e "Operação Impacto".
1972 – Criação do Centro de Pesquisa e Planejamento, com verba da Juventude da Baviera. Havia uma estudante de teologia trabalhando em tempo parcial neste centro e emprestavam-se ou vendiam-se livros, audiovisuais, teatros, fitas com música… Também realizaram-se duas pesquisas: Ensino Confirmatório e "A verdade do homem capixaba" .
1974 – Iniciou-se um novo material: Alô Amigo (manual) e o SIM- Serviço de Informações e Material. Além disso, produziram-se cadernos de teatro, música e estudos bíblicos. Neste ano realiza-se a 1º ONAJE- Olimpíada Nacional da JE.
08.1975 – P. Dorlei Diesel é eleito Secretário Geral e o p. Ulrico Sperb seu substituto.
07.1976 – Acontece o IV Congresso Nacional da JE no qual é elaborado um documento manifestando a necessidade da juventude envolver-se ecumenicamente.
1979 – Faz-se uma avaliação do trabalho da secretaria e o Conselho Diretor aprova a continuidade da mesma. Neste ano é eleito como Secretário-Geral o P. Dorival Ristoff e o P. Eugene Foehringer como seu substituto.
1981 – Desligamento dos P. Ristoff e P. Eugene. O Conselho Nacional também não mais se reúne.
02.1982 – É organizado um Congresso Nacional pelo P. Manfredo Wachs, por incumbência do Conselho Diretor. A partir deste congresso mudou-se a representação do CONAJE, ficando assim até hoje. Foi eleito um presidente do CONAJE: Elfried Kühnel. As diretrizes foram adaptadas.
1986 – Saída do P. Burger da Secretaria de Missão. Iniciaram-se os pastorados de tempo integral nas Regiões Eclesiásticas II, III, IV, V e DERN.
1988 – O Congresso Nacional da JE aprova o novo símbolo da JE e sugere a criação de um veículo de comunicação.
1989 – Suspensos os pastorados de tempo integral nas RE's IV e V.
07.1989 – Nasce o jornal Firmando Pé.
25-28.07.1991 – Acontece a Consulta Nacional do Trabalho entre Jovens na IECLB, que sugere a criação de um setor de trabalho para a juventude (atual Departamento Nacional para Assuntos da Juventude).
1992 – Não teve candidatos para a continuidade do trabalho entre jovens de tempo integral na RE II. Com isso, fez-se uma moratória por um ano, e depois este trabalho foi decididamente suspenso em Concílio, contra a vontade da juventude. Neste ano o Conselho Diretor aprova a implantação do Departamento Nacional para Assuntos da Juventude – DNAJ. O Congresso Nacional elege a catequista Joni Roloff Schneider como coordenadora do DNAJ.
04.01.1993 – Início das atividades do Departamento Nacional para Assuntos da Juventude. Fez-se uma sondagem nos então Distritos Eclesiásticos, visitando e assessorando os grupos, conhecendo as lideranças, divulgando a criação deste departamento. Também foi um ano de estruturação do escritório e reestruturação do jornal Firmando Pé, que passou a ser um boletim nacional ao invés de jornal.
1994 – Entre suas principais atividades, o DNAJ passou a oferecer as Oficinas Regionais de Liderança, voltadas para jovens que já exercem liderança e que têm a tarefa de multiplicar os conhecimentos em seus grupos. Intensificou-se a assessoria a seminários distritais, acampamentos e atualizações teológicas e passou a envolver-se mais no trabalho ecumênico. Aconteceram seminários, representação de jovens da IECLB em eventos no exterior, tanto do Conselho Latino-Americano de Igrejas, Federação Luterana Mundial, bem como do Conselho Latino-Americano de Igrejas. Inédito em 94 foi a alteração das diretrizes da JE, que abriram a possibilidade de um jovem assumir a presidência do CONAJE. Cláudio Giovani Becker, de Pelotas, foi eleito o primeiro jovem presidente do CONAJE.
1995 – O DNAJ passou a usar uma nova sala no porão da casa da Região Eclesiástica IV. Localizou-se todo o arquivo histórico da antiga Secretaria Geral, abandonado no sótão do atual prédio do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação. Neste ano o novo projeto financeiro aprovou a vaga para uma secretária em tempo parcial. A estudante de teologia Mara Parlow passou a exercer esta função em março de 1996.
1996 – O ano de 96 foi bastante agitado pois, além das outras atividades, aconteceu o Intercâmbio de Jovens de todas as Regiões com o estado do Espírito Santo. Reuniram-se em torno de 150 pessoas que conviveram com as famílias pomeranas e depois trocaram experiências, avaliaram a proposta e levaram suas experiências para as comunidades de origem. Emendado ao intercâmbio, realizou-se o XIV Congresso Nacional da JE, onde Joni foi reeleita para a coordenação do DNAJ por mais 4 anos. A juventude pede para a Igreja deixar a administração de seu orçamento sob sua responsabilidade, o que é aprovado pelo então Conselho Diretor da IECLB. No final do ano é lançado o Vídeo "Jovem aos 100", um documentário sobre a História da Juventude na IECLB.
1997 – Cláudio Giovani Becker assumiu a vaga de secretário do DNAJ. É o ano em que o DNAJ passa a articular-se mais fortemente com outros setores e departamentos de trabalho da IECLB. Um exemplo concreto foi a Consulta para a criação de uma Revista para a Juventude, que reuniu um grupo multidisciplinar. Também realizou o I Curso de Multiplicadores para o Trabalho entre Jovens, em conjunto com o Instituto de Pastoral da Escola Superior de Teologia que reuniu 28 ministros, entre pastores, pastoras, catequistas e diáconos/as. Em outubro, a convite da Igreja da Baviera, da Alemanha, e com mais outras 5 Igrejas parceiras, o DNAJ representou a IECLB para avaliar e redefinir um projeto de intercâmbio.
1998 – Publicou-se o 1º volume da Coleção Palavração – subsídios teórico-práticos para o trabalho entre jovens. Em outubro aconteceu o Encontro de Jovens Luteranos da América Latina e Caribe, em Rodeio 12/SC. Em novembro aconteceu um Fórum Nacional da Juventude que discutiu os novos rumos para a juventude a partir da reestruturação da IECLB. Reuniram-se os/as novos/as coordenadores/as sinodais jovens e ministros e instalou-se o novo Conselho Nacional da JE. As diretrizes da JE sofreram alterações.
1999 – O DNAJ reforça a necessidade de ampliação da ideia e das formas de trabalho entre jovens, não podendo permanecer somente no modelo tradicional de grupos de JE. Publica-se o II Volume da Coleção Palavração e são oferecidas 6 Oficinas de Liderança. Em setembro realiza-se um Seminário Nacional da Juventude, sob o tema Fé, Cidadania e Comunicação. Lança-se o Dia de Missão da Juventude no dia 11 de setembro. Inicia-se a articulação do Fest’Art e Congresso Nacional de 2.000. Coloca-se na internet uma Home Page da Juventude.
2000 – São realizadas 5 Oficinas de Liderança. Administra-se, junto com outro professor, uma cadeira optativa "Pastoral da Juventude" na Curso de Teologia, na EST-IECLB. Publica-se o volume III da coleção Palavração. Acontecem dois eventos, um seguido ao outro, que é o Fest’Art e o Congresso Nacional da JE, reunindo em torno de 180 jovens. No Congresso, Cláudio Giovani Becker é indicado para assumir a coordenação do DNAJ, vaga deixada por Joni. É realizada uma avaliação do DNAJ nos Sínodos, a pedido do Conselho da Igreja, que retorna de forma bastante positiva. O Conselho da Igreja e o Concílio Geral da IECLB têm a tarefa de decidir sobre como se dará a continuidade do DNAJ a partir de 2001.
2001 – Sob o tema "Missão… Entra na roda com a gente!", realizaram-se seis Oficinas de Liderança. É realizado o primeiro módulo do Curso de Atualização em Juventude, em três etapas. Realizou-se o quarto curso de Formação Bíblica Ecumênica para Jovens. Em agosto, o Cat. Cláudio Giovani Becker assume a coordenação do DNAJ, após novo processo de seleção e avaliação. Desta vez, o Conselho da Igreja aprovou a indicação do Conaje dentre os três candidatos – P. Arnoldo Mädche, Cat. Telma Kramer e Cláudio Becker. É lançado o Plano Missionário da Juventude – Nenhuma comunidade sem grupo de Jovens. Nenhuma pessoa jovem sem comunidade." Diversas atividades são norteadas a partir do plano missionário, bem como as assessorias de seminários.
2002 – Sob o tema "Missão… Entra na roda com a gente!", realizaram-se seis Oficinas de Liderança. É realizado o segundo módulo do Curso de Atualização em Juventude, sob o tema "jovem e seus dilemas". Também são realizados dois módulos I do curso, um no sínodo Vale do Itajaí e o outro no sínodo Espírito Santo a Belém. Realizou-se o quinto curso de Formação Bíblica Ecumênica para Jovens, no sínodo Sul-Rio-Grandense. É lançado o Plavração III e o caderno de estudos "de mãos dadas". Em Julho aconteceu o 2º Fest’Art e o XVI Congresso Nacional da Juventude em Joinville/SC.
Obs.: Até 2005, o Departamento Nacional para Assuntos da Juventude/DNAJ estava instalado em São Leopoldo. A partir de abril de 2006, integrou-se no Departamento de Educação Cristã – DEC, que está instalado no prédio da sede nacional da IECLB, em Porto Alegre/RS. Este Departamento, através de novas propostas de trabalho, ocupa-se com o Programa de Educação Cristã na IECLB, sob coordenação da Secretaria de Formação da IECLB. Também desenvolve diversos projetos junto com a Coordenação de Diaconia.
1.2 Contextos demográficos
De acordo com o censo do IBGE de 2000, jovens, conforme a faixa de idade utilizada pela IECLB ? 12 a 29 anos, representavam 35% da população brasileira. As pessoas com menos de 12 anos, 23% e as com mais de 30 anos, 42%. No Norte e Nordeste os jovens de 12 a 29 anos representavam 27% da respectiva população, no Centro Oeste, 26%, no Sudeste, 25% e no Sul, 24%, sendo que o número de jovens é menor no Sul do País e maior no Norte e Nordeste.
81% dos jovens brasileiros entre 12 e 29 anos encontrava-se em área considerada urbana e 19% em área considerada rural. O IBGE considera área urbana toda área localizada no perímetro urbano de uma cidade ou vila, definida por lei municipal, e classifica a área urbana em área urbanizada, não urbanizada e área urbana isolada. Isto significa que não há um critério nacional para a definição dos limites entre urbano e rural. Com a abertura para a criação de novos municípios, estabelecer esse limite ficou ainda mais complexo. Como área rural, o IBGE define toda área considerada externa ao perímetro urbano.
O resultado preliminar do censo de 2010 ainda não permite aplicar a faixa de idades da IECLB (12 a 29 anos), pois apresenta, por ora, apenas faixas de idade. Os resultados já divulgados revelam que o número de pessoas entre 10 e 19 anos é menor que o de 2000, ou seja, num intervalo de 10 anos temos 1.145.341 jovens a menos. O aumento ocorre a partir da faixa dos 20 anos e em especial na dos mais de 65 anos.
A população jovem, na faixa de 15 a 29 anos, representa hoje 27% do total da população. Em 2000 representava 28%. A população com menos de 15 anos representa hoje 24%, quando em 2000 representava 30% e a população com 30 anos ou mais representa 49%, quando em 2000 representava 42%.
Nessa faixa dos 15 aos 29 anos, 9% dos jovens brasileiros reside na Região Norte, 29% no Nordeste, 8% no Centro Oeste, 40% no Sudeste e 14% no Sul. No Centro-Oeste e no Sudeste há menos jovens na faixa dos 15 aos 19 anos que nas faixas de 20 a 24 e 25 a 29. O Nordeste tem mais jovens nessa faixa que nas demais. No Sul há menos jovens na faixa de 20 a 24 do que nas demais faixas de idade. No Nordeste e no Norte há menos jovens na faixa dos 25 a 29 do que nas demais faixas. No Sudeste o maior contingente de jovens se encontra na faixa dos 25 a 29 anos.
O número de mulheres jovens, na faixa dos 15 aos 29 anos, é menor que o de homens jovens. Somente no Nordeste o número de mulheres jovens é superior ao de homens jovens. A região com menor diferença é a Centro-Oeste e a com maior diferença é a Norte. Contudo, quando isoladas as faixas, verifica-se que na faixa dos 25 aos 29, o número de mulheres jovens é superior ao de homens jovens em todas as regiões do País, sendo a diferença maior no Nordeste e a menor no Sul.
1.2 Contextos sociais e culturais
A juventude difere conforme o contexto social e histórico que vivencia ou vivenciou. Por isso não se fala mais em uma juventude ou em um perfil do jovem, mas em juventudes. Alguns estudiosos afirmam que a juventude atual é a mais diferente de todas, na sua comparação com as anteriores, devido ao impacto das novas tecnologias. Outros afirmam que, guardadas as proporções, o impacto do contexto é semelhante, o que difere na atual é o ritmo acelerado das mudanças a que estão submetidos.
Em comum, todas as juventudes, em todas as épocas e contextos sociais, parecem ter a necessidade de:
construir a identidade;
criar independência.
A geração que hoje se situa entre 18 e 29 anos cresceu com os referenciais dos novos papéis feminino e masculino e, em parte, já experimentou modelos não tradicionais de família (pais separados, irmãos de outros casamentos dos pais, pais solteiros, entre outros). Luta para entrar no mercado de trabalho e se manter nele. Tem medo de sobrar. Esse medo recebe reforço do ambiente de trabalho, que ainda não está preparado para absorver essa geração que coloca a realização pessoal à frente do trabalho, diferente da geração que comanda esse ambiente.
A geração pré-adolescente e adolescente cresceu na expectativa dos pais de não fracassarem, de aproveitarem a vida, devido a dificuldades dos pais se sentirem realizados. Permanecem mais tempo na casa dos pais, não só por conveniência econômica, mas também porque a família lhes proporciona limites mais flexíveis, do tipo: é preferível que a filha ou filho façam sexo ou experimentem a droga em casa do que na rua, onde estão sujeitos à violência.
As diferenças no perfil do jovem urbano e do campo são tênues, por não estarem claramente definidos os limites entre urbano e rural. Jovens de áreas rurais enfrentam o conflito entre sua identificação com o campo e o espelhamento de suas expectativas no jovem urbano. Cidade e modernidade são sinônimos para o jovem do campo. Esse jovem cresceu numa família menos numerosa que a de gerações anteriores e forma sua identidade em uma variedade muito grande de contextos rurais: colônias antigas, com lotes cada vez menores e sem perspectivas de sustentabilidade, periferia empobrecida de área rural, assentamentos, áreas de monocultura sujeita aos altos e baixos do mercado e das alterações climáticas, novas fronteiras agrícolas, propriedades com tecnologia.
Jovens urbanos também constituem sua identidade nas mais diversas realidades: periferia pobre, periferia de condomínios fechados ou populares, periferia central decadente, bairro de classe média.
Nos contextos culturais, precisa ser considerada a influência exercida pelos regionalismos (tradição gaúcha, capixaba, etc), pela origem étnica (japonesa, alemã, pomerana, etc), pela arte (hip-hop, rap, grafite) e pela moda, entre outros.
Jovens estão sujeitos a todo tipo de violência. Vale aqui o alerta da psicóloga Rosely Sayão, feito na Folha de São Paulo, em 24/05/2011: “O que temos feito para que esses jovens amem a vida, desenvolvam o autocuidado e atitudes de respeito por si mesmos, tratem suas emoções com delicadeza e construam um projeto de vida que lhes permita olhar para o futuro como um alvo a ser alcançado e não uma fatalidade ou determinação?”
1.3 Contextos tecnológicos
A geração que hoje se situa entre 18 e 29 anos foi impactada pelas novas tecnologias, direta ou indiretamente, durante sua adolescência.
A geração pré-adolescente e adolescente recebeu, direta ou indiretamente, a influência das novas tecnologias desde seu nascimento. Tem muita dificuldade para compreender as relações hierárquicas, mas compreende bem a relações verticais, de igual para igual.
Os impactos dos contextos tecnológicos sobre a construção da identidade vêm merecendo cada vez mais estudos. Alguns estudos apontam para o fato de que a diferença entre gerações é maior hoje do que antigamente, devido ao contexto tecnológico, outros estudos afirmam que as diferenças são grandes como sempre o foram em todas as épocas.
1.4 Contextos eclesiásticos
Há na IECLB várias iniciativas de trabalho com jovens. A estatística mais recente disponível (ano-base 2008) registrou 642 grupos de juventude. Como há um número razoável de paróquias que não responde a estatística, o total de grupos é maior. Grupos conforme informado, por Sínodo:
Sínodo da Amazônia: 11 grupos, 1 paróquia não tem grupo e 5 paróquias não responderam esse item;
Sínodo Brasil Central: 17 grupos, 4 paróquias não têm grupo e 4 não responderam;
Sínodo Centro-Campanha-Sul: 40 grupos, 4 paróquias não responderam;
Sínodo Centro-Sul Catarinense: 60 grupos, 3 paróquias não responderam;
Sínodo Espírito Santo a Belém: 45 grupos, 5 não têm grupo e 13 paróquias não responderam;
Sínodo Mato Grosso: 21grupos, 5 paróquias não responderam;
Sínodo Nordeste Gaúcho: 44 grupos, 6 paróquias não responderam;
Sínodo Noroeste Riograndense: 31 grupos, 2 paróquias não têm grupo;
Sínodo Norte Catarinense: 71, 2 não têm grupo;
Sínodo Paranapanema: 31, 6 paróquias não têm grupo e 4 não responderam;
Sínodo Planalto Rio-grandense: 49 grupos, 3 paróquias não tem grupo e 2 não responderam;
Sínodo Rio dos Sinos: 47 grupos, 2 paróquias não têm grupo e 1 não respondeu;
Sínodo Rio Paraná: 41 grupos, 4 paróquias não têm grupo e 1 não respondeu;
Sínodo Sudeste: 22 grupos, 9 paróquias não responderam;
Sínodo Sul-Rio-Grandense: 56 grupos, 1 paróquia não tem grupo, 3 não responderam;
Sínodo Uruguai: 31grupos, 4 paróquias não têm grupo e 3 não responderam;
Sínodo Vale do Itajaí: 51grupos, 2 paróquias não têm grupo;
Sínodo Vale do Taquari: 18 grupos, 3 paróquias não têm grupo.
A estatística da IECLB registra o total de membros. Não faz levantamento por idade ou faixa etária. A única informação de que a IECLB dispõe é a do censo realizado em 1987. Nesse censo, a faixa de 12 a 29 anos representava 25% do total de membros.
Especulações:
. Quando aplicado o percentual de 25% ao número atual da estatística (717.000), desconsiderando o declínio da taxa de crescimento populacional nacional, teríamos algo em torno de 177.909 jovens luteranos na IECLB hoje, com idade entre 12 e 29 anos.
. Em 1987, a faixa dos 0 a 6 anos representava 14% do total, ou seja 22.024.625 pessoas. 24 anos depois, essa faixa corresponde aos jovens atualmente entre 24 e 30 anos.
. Luteranos (IECLB + IELB) representavam, no censo do IBGE de 2000, 0,62% do total de brasileiros, ou seja, 1.062.145 pessoas, sendo que a IECLB, de acordo com sua estatística interna (em torno de 717.000), representa 67% desse total.
Com menos de 29 anos, a IECLB tem atualmente 19 Candidatos/as ao Ministério, 2 Catequistas, 3 Missionários/as e 39 Pastores/as. Não há registros nacionais sobre a idade de presidentes paroquiais ou de comunidade. No Conselho da Igreja não há representante jovem eleito por um dos 18 Sínodos.
A ação com jovens acontece na IECLB em diferentes contextos: ação comunitária, ação supra-comunitária, escolas, centros de formação ministerial, centros sociais comunitários. Dentro de cada contexto há ainda várias nuances a serem consideradas numa análise, como linha teológica, tradição missionária, urbanidade, cultura.
Em algumas partes da IECLB jovens não são considerados co-participantes da vida comunitária e da ação missionária. São considerados apenas futuros ou eventuais futuros participantes. Em outras há uma preocupação em envolver os jovens. Essa preocupação gira, geralmente, em torno de dois focos: o desejo de inserir os jovens na vida cristã e comunitária e a preocupação com a manutenção futura da comunidade.
Jovens apontam para a necessidade de uma comunidade mais jovem, menos tradicional. As gerações que vieram antes fizeram o mesmo na sua juventude.
Como uma igreja, instituição tida como guardadora do tradicional, lida com essa realidade, institucionalmente e no interior de suas comunidades, é a questão que esse tema coloca hoje. O caminho a seguir vai depender da capacidade e maturidade de cada instância em lidar com suas próprias limitações na construção de espaços para essa geração.
2. Perfis Jovens
2.1 – Pré-adolescente e jovens até 17 anos
Têm mais acesso à informação que seus pais;
Têm maior preocupação com a manutenção do meio-ambiente que seus pais;
São mais tolerantes ao diferente;
Valorizam a singularidade;
Aprendem participando. Querem ser ouvidos;
Não têm noção de hierarquia. Não se trata de desrespeito, só não legitimam a autoridade do professor, que para eles é apenas um facilitador;
Têm pressa. Têm medo de sobrar;
São impacientes;
Têm medo da violência;
Saem mais tarde da casa dos pais, devido aos limites mais tênues estabelecidos por estes. Por exemplo, é melhor trazer a/o namorada/o para casa, onde há certa supervisão;
São angustiados. Seus pais exigem que não fracassem;
Criam seu espaço privativo dentro de casa ou dentro de si próprios, mostrando sua singularidade através de tatuagens ou vestuário;
A opinião do grupo é mais importante que a opinião dos pais, diferente da geração anterior;
A novidade é mais importante que a necessidade e que as marcas;
Seus relacionamentos são mais superficiais. Não aprofundam os vínculos;
Precisam se comunicar. Não enxergam sua vida sem os recursos tecnológicos;
Estão conectados ao coletivo. Não são individualistas.
São autocentrados. A experiência alheia não é fator de aprendizagem;
Permitem-se experimentar, ensaiar, fazer experiências.
2.2 nativos digitais:
Muito daquilo que os pais precisam processar mentalmente já vem naturalmente incorporado nessa geração;
Cresceram com celular, cartão bancário, TV digital. Ensinam a tecnologia aos avós;
Precisam da tecnologia para viver;
Seus relacionamentos se realizam preferencialmente por via tecnológica. Visitam os amigos quando entram na respectiva página de relacionamento;
São multitarefa;
Têm uma noção de tempo e velocidade diferente da dos seus pais;
Expõem-se. Divulgam em tempo real muitas de suas experiências;
Relacionam-se com muitas pessoas;
Distinguem pouco o privado do público;
Expõem sua intimidade, tendendo a mostrar-se como gostariam de ser vistos;
São, simultaneamente, cada vez mais autônomos e cada vez mais dependentes.
2.3 – Jovens entre 18 e 29 anos
Encaram naturalmente os novos papéis feminino e masculino;
Receberam o impacto das novas tecnologias na adolescência;
Cresceram na contradição entre liberdade sexual e advento da AIDS;
Acreditam menos no discurso. Estão mais preocupados com o que se faz e como se faz;
Têm excesso de confiança;
Engajam-se em questões que lhes dizem respeito diretamente. Mobilizam-se através da tecnologia;
Vivem na casa dos pais por mais tempo. Não têm pressa em se desvincularem;
Têm dificuldades para colocar limites aos filhos, p. ex. de conteúdo acessável, de uma vida mais saudável (fumo, bebida, obesidade), por ter dificuldades de colocar a si próprios esses limites;
Experimentam relacionamentos mais superficiais e, por isso, facilmente descartáveis;
Querem liberdade e flexibilidade;
Não são sensibilizados por metas de trabalho. Sua vida e realização pessoal são mais importantes que o trabalho;
Não aceitam a liderança com facilidade nem as hierarquias. Buscam relações profissionais igualitárias.
3. Espiritualidade Jovem
As perguntas de fé do jovem dizem respeito ao sentido da vida. O jovem espera do adulto ou de uma instituição, como a Igreja, as respostas que não encontra no grupo com o qual se identifica, ou na tecnologia.
A tendência por uma religiosidade não institucionalizada é mais frequente nos jovens. Ele sente-se na liberdade de experimentar sua espiritualidade sem compromisso com a religião dos pais. Seu interesse pode fazê-lo transitar, simultaneamente, entre crenças e movimentos cristãos, práticas esotéricas e simbolismos de religiões orientais.
A religião para os jovens, como para as demais gerações, é referencial de respostas para a busca de sentido de vida. O jovem busca a experiência do sagrado para lidar melhor com seus conflitos internos e questionamentos. (veja mais no anexo: estágios da fé)
O jovem busca uma ética em que a ação está vinculada ao discurso. Sem a prática, a diaconia, os conceitos e significados não têm sentido.
O culto ou o encontro de grupo são, para o jovem, possibilidades. Ele não se vê comprometido a participar, pois dispõe de meios virtuais para alimentar sua espiritualidade. Participa se o convite vier por meio de alguém próximo ou se o assunto lhe interessar.
A comunidade religiosa é para o jovem espaço de convívio social, especialmente em comunidades interioranas.
Estágios da Fé
Nos dois primeiros anos de vida, a fé se desenvolve na pessoa a partir do cuidado e confiança recebida. A imagem que terá de Deus ao longo de sua vida estará vinculada fortemente a essa fase, mas pode também se vincular à imagem de um pai/mãe bondoso ou à imagem de um pai/mãe que teme.
Na fase seguinte, geralmente até os 7 anos, quando se desenvolvem a imaginação, o entendimento e a capacidade de associar percepções, a criança tende a imitar os exemplos de fé dos cuidadores, absorvendo e desenvolvendo em sua imaginação os conteúdos como lhe são repassados: o Senhor bondoso que chama para junto de si as crianças e lhe dá colo, o Deus irado que manda uma enchente tão grande que Noé precisa construir um navio enorme para salvar a natureza.
Até os doze anos a criança se apropria do simbólico e começa a compreender os rituais. Por ora, isso ocorre acriticamente, assim como a fase seguinte, em que o jovem começa a definir o seu lugar no mundo. Nessa fase, a construção de sua identidade pode apoiar-se na ordenação que a religião proporciona.
Somente quando passa a enfrentar dificuldades, especialmente as que dizem respeito à sua identidade, o jovem em sua angústia começa a compreender a responsabilidade que lhe cabe nas escolhas que faz. Daí torna-se crítico e passa a cobrar dos adultos, como da igreja, a coerência entre o falar e o agir. Nessa fase, a fé pode ajudá-lo a suportar a angústia.
Na fase que se segue, embora alguns fiquem parados por toda a vida na fase anterior, o adulto percebe que sua forma de dar sentido à vida pode dialogar e aprender com o entendimento que outros têm. Compreende que não detém a verdade.
Eventuais subsídios
1. Quero aprender a conhecer Deus melhor.
Paulo escreve: “Embora seja impossível conhecê-lo [Deus] perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza” (Ef 3.18).
2. Quem é esse Deus que posso levar a sério e que me leva a sério?
O jovem “medirá” o próprio Deus pela coerência que a igreja tiver entre discurso e prática. Ele não se contentará com respostas-chavão, do tipo: tem de dar um desconto, porque a igreja também é humana. Essa questão precisa ser revisada pela própria comunidade para definir limites éticos e teológicos da sua ação. Igualmente é preciso entender que os limites de comportamento, estabelecidos na Bíblia ou pela igreja, são parâmetros para uma nova vida, vivida como resposta a essa graça.
Deus leva a sério a todos seus filhos e filhas, independente da idade. O jovem tem medo. Angustia-o, por exemplo, o futuro. As promessas de Deus de amparo a qualquer hora e tempo o ajudam nessa fase. “E lembrem-se disto: Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt. 28 20 b).
3. A espiritualidade me ajuda a me aceitar melhor e aceitar melhor os outros?
“O sentido da existência humana pode ser entendido a partir de três indicativos presentes em Mateus 22.37,39: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento… Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
a) O primeiro indicativo é o amor a Deus a partir da entrega total. Entregando-se a Deus, a pessoa não idealiza a si mesma, ao próximo e aos bens materiais;
b) O segundo é o amor ao próximo. Esse indicativo exige a construção de relações baseadas no reconhecimento de que somos semelhantes e nos reconhecemos pertencentes à mesma espécie, dependentes do cuidado de uns para com os outros;
c) O terceiro indicativo é o amor a si mesmo. Reconhecer-se como um ser capaz de amar está diretamente relacionado ao reconhecimento como um ser de amor e um ser amado por Deus. Amar e aceitar o outro implica em amar e aceitar a si mesmo. “(Fonte: Diretrizes da Política Educacional da IECLB)
4. Quero me identificar com Deus
“Por acaso eu procuro a aprovação das pessoas? Não! O que eu quero é a aprovação de Deus”. Gl 1, 10 a) O jovem de hoje busca aprovação, assim como a juventude das gerações anteriores. Ter a aprovação daqueles com os quais mais se identifica é essencial para a construção de sua identidade. Deus tem coerência. Ele dá de graça, paga a conta e ainda permite que as pessoas exerçam a liberdade de escolha no dia-a-dia. Deus forma uma família baseada em relações de respeito. “Agora vocês são cidadãos que pertencem ao povo de Deus e são membros da família dele”. (Ef. 2,19)
Para o jovem é importante compreender que a ação de Deus é muito maior que as ações humanas e que ele continuará sendo Deus, mesmo que esse mundo termine. “Ele, o primeiro Filho, é a revelação visível do Deus invisível: ele é superior a todas as coisas criadas” (Cl 1,15).
Deus quer uma relação transparente com os seus filhos e filhas. “Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa” (Ef 1, 4). “Vocês são filhos queridos de Deus” (Ef 5,1) e “Deus nos conhece completamente (2 Co 5.11a).
5. Quero viver uma vida cristã
O jovem busca entender os parâmetros colocados pela Bíblia. “Abandonem toda a amargura, todo ódio e toda raiva. Nada de gritarias, insultos e maldades. Pelo contrário, sejam bons e atenciosos uns para com os outros. E perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês” (Ef. 4,31-32). “Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio” (Gl 5, 22-23). “Sejam sempre humildes, bem educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor” ( Ef. 4, 2). “Encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente” (Ef. 4 8). “Não participem das coisas sem valor que os outros fazem, coisas que pertencem à escuridão. Pelo contrário, tragam todas essas coisas para a luz” (Ef. 5,11). “E quando qualquer coisa é trazida para a luz, então a sua verdadeira natureza é revelada. Porque o que é claramente revelado se torna luz. E é por isso que se diz: Você que está dormindo, acorde! Levante-se da morte, e Cristo o iluminará” (Ef 5, 13-14).
Palavras de Lutero:
“Assim, para sua salvação, ninguém que seja cristão tem necessidade de obra alguma, de mandamento algum. Ao contrário, está livre de todos os mandamentos, e tudo quanto faz o pratica em total liberdade e gratuitamente, sem buscar seu próprio proveito ou salvação ? pois já está satisfeito e bem-aventurado através de sua fé e da graça de Deus, mas tão-somente para agradar a Deus.”
6. Quero respostas inteligentes para minhas dúvidas
O que é coerência e mentira para um cristão, se na bíblia diz: ”Por isso não mintam mais. Que cada um diga a verdade para o seu irmão na fé, pois todos nós somos membros do corpo de Cristo.” Ef 4,25. A realidade não é assim.
Se sinto raiva, se me torno violento, Deus me rejeita na hora? “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva.” Ef. 4,26
Para respeitar meus pais, como ensina a Bíblia, eles também deveriam me respeitar também, ou? Respeite o seu pai e a sua mãe. Ef. 6,2 “Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados. Pelo contrário, vocês devem criá-los com a disciplina e os ensinamentos cristãos.” Ef 6, 4
A morte me assusta, tem gente que se suicida como um ato de coragem, o que acontece após a morte? “O que mais deve o seu Deus fazer por você, para que você aceite a morte de boa vontade, não tenha medo dela e a vença? Ele mostra e concede a você, em Cristo, a imagem da vida, da graça e da salvação. Ele faz isso para que você não se amedronte diante da imagem da morte, do pecado e do inferno. Além disso, Deus coloca sobre seu amado Filho a morte, o pecado e o inferno do ser humano. Derrota-os e torna-os inofensivos para você.“ Martim Lutero
A bebida, o cigarro, as drogas, as compulsões de comer ou de não comer me aliviam? O que eu faço para aliviar minha ansiedade, se a Bíblia diz: “não se embriaguem, pois a bebida levará vocês à desgraça; mas encham-se do Espírito Santo.” Ef 5,18 Como encontro o Espírito Santo?
A Bíblia condena tudo que tem a ver com sexo? Dá pra atualizar a Bíblia?
7. Quero experimentar a minha espiritualidade num espaço que não me crie ainda mais ansiedade
Palavras de Lutero:
“A alma pode prescindir de tudo, menos da palavra de Deus. Sem ela nada existe que possa ser de benefício para a alma. Uma vez, porém, que essa possuir a palavra de Deus, de nada mais necessitará, pois na palavra de Deus encontrará o suficiente, alimento, alegria, paz, luz, virtude, justiça, verdade, sabedoria, liberdade e toda sorte de bens em abundância.“
8. Quero participar, quero um mundo melhor
Deus valoriza o jovem, o faz coparticipante de sua missão. “Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas” (2 Co 2, 14b).
A comunidade é espaço diferenciado das propostas que vendem a graça de Deus. “Nós não somos como muitas pessoas que entregam a mensagem de Deus como se estivessem fazendo um negócio qualquer. Pelo contrário, foi Deus quem nos enviou, e por isso anunciamos a sua mensagem com sinceridade na presença dele, como mensageiros de Deus” (2 Co 2, 17).
Deus quer uma comunidade viva e dinâmica. Animem uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais. Cantem de todo o coração, hinos e salmos ao Senhor” (Ef. 5, 19).
Palavras de Lutero
“Nessa fé, todas as obras se tornam iguais. Uma é como a outra. Não há mais diferença entre elas, sejam grandes, pequenas, breves, longas, muitas ou poucas. As obras são agradáveis não por si próprias, mas por causa da fé. Somente esta está presente, atuante e viva em toda e qualquer obra, por mais diferentes e numerosas que sejam as obras.“
“O ser humano e a natureza humana não podem em momento algum existir sem agir ou deixar de fazer, sem sofrer ou fugir (porque a vida nunca sossega, como vemos).”
9. Quero entender por que a fé não dialoga com as ciências
O jovem precisa compreender o inexplicável da fé. A Bíblia não nos convida a aceitar os fatos acriticamente, pelo contrário. “Examinem tudo, fiquem com o que é bom e evitem todo tipo de mal” (Cl 5, 21-22).
Bibliografia útil
. PECC
. Diretrizes da Política Educacional da IECLB.
. Somente Deus ? Quatro princípios para a vida. Martin Dreher, Ricardo Rieth e Wilhelm Wachholz, Sinodal.
. Ética Cristã. Martim Lutero. Sinodal.
. Consolo no sofrimento. Martim Lutero. Sinodal
. Dissertação de Mestrado Profissionalizante do P. Valmir Frank, sobre “O Envolvimento do Jovem com a Igreja: Uma análise da caminhada dos jovens de uma comunidade da IECLB, EST, São Leopoldo, 2007;
. Dissertação de Mestrado Profissionalizante de Anderson Pimentel Meneguce, sobre “Juventude e Religiosidade: como os jovens se relacionam com o transcendente, a moral e a educação, EST, São Leopoldo, 2009;
. Dissertação de Mestrado Profissionalizante de Renata Zanela, sobre “Formação ? Ação: um estudo do desenvolvimento do protagonismo juvenil no projeto Missão Jovem, EST, São Leopoldo, 2009”;
. Jovens, Drogas, Risco e Vulnerabilidade: Aproximações teóricas. Maria Ângela Silveira Paulilo e Leila Solberg Jeolás;
. Mapa da Violência 2011 ? Os jovens do Brasil. Instituto Sangari;
. IHU On-line. Juventude, o Idêntico e o Diferente, São Leopoldo, edição 273, setembro de 2008;
. IHU On-line. Cinco gerações contemporâneas, uma descrição, São Leopoldo, edição 361, maio 2011;
. Critérios para uma boa participação da Juventude, FLM.