Tema e Lema do Ano 2010
Aprovado pelo CI em 27 e 28 de março de 2009
Tema: Missão de Deus – Nossa Paixão
Lema: "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia" (Mt 6.11)
Texto motivador
1. O Tema do Ano da IECLB para 2010 permanece o mesmo pelo segundo ano consecutivo: Missão de Deus – Nossa Paixão. Trata-se da frase que aponta para a fundamentação teórica e teológica básica do Plano de Ação Missionária da IECLB 2008-2012. O PAMI é o guarda-chuva que abriga e direciona todas as ações da Igreja durante este período. Nessa condição, o tema nos estará inspirando mesmo para além de 2010. Contudo, para 2011 estaremos escolhendo um novo tema, para não esvaziarmos o objetivo principal de termos temas “do ano”, risco muito diminuído quando repetimos o tema do ano apenas uma vez, sobretudo em vista da alternância do lema bíblico que acompanha o tema.
2. O Lema para o ano de 2010 vem de Mateus 6.11 “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”. Trata-se também do tema da assembléia da Federação Luterana Mundial, que acontece em Stuttgart, Alemanha, em julho de 2010. Com essa escolha nos inserimos e entendemos como parte da comunhão luterana no mundo inteiro. Essa decisão se nos tornou tanto mais fácil quanto ele também nos dá uma clara ênfase diaconal, e a diaconia é uma das dimensões fundamentais do próprio PAMI.
O versículo 11 do capítulo 6 do evangelho de Mateus se insere dentro da oração que Jesus ensinou aos seus seguidores e suas seguidoras, conhecida como Oração do Pai Nosso. Esta, por sua vez, faz parte do sermão do Monte, a mais famosa pregação de Jesus, na qual ele aborda diversas questões, como a verdadeira felicidade, sal e luz, Lei de Moisés, ódio, adultério, divórcio, juramentos, vingança, amar os inimigos, caridade, jejum, riquezas no céu etc.
Ao ensinar seus seguidores a orar, Jesus recomenda-lhes que não sejam hipócritas – que não orem de pé em público para serem vistos, mas que o façam no silêncio e na intimidade de seus quartos (e corações). Não façam orações muito compridas, como se Deus fosse ouvi-los por causa da insistência. Deus já sabe de antemão aquilo que irão falar. Portanto, orem assim: (segue a oração).
A oração do Pai-Nosso é por certo a oração mais conhecida dentro do cristianismo, um verdadeiro patrimônio espiritual da cristandade. Estima-se que, no domingo de Páscoa de 2007, dois bilhões de pessoas oraram, leram, cantaram ou recitaram partes da oração (Kang, K. Connie. "Across the globe, Christians are united by Lord's Prayer." Los Angeles Times, in Houston Chronicle, p. A13, April 8, 2007 – Vikipedia, acessada em 11/05/2009). Trata-se de uma das partes que a IECLB considera imprescindível dentro da liturgia de um culto público oficial. Em eventos ecumênicos ela desempenha um importantíssimo papel de unidade espiritual. Quando são eventos internacionais, as pessoas participantes costumam orar o Pai Nosso em sua própria língua materna, exemplificando que, embora em diversidade cultural, somos um só povo de Deus.
3. Em sua explicação da quarta petição da oração do Pai Nosso, no Catecismo Menor, Martim Lutero escreve:
“Que significa isso?
Deus dá o pão de cada dia, também sem o nosso pedido, a todas as pessoas, inclusive às pessoas más. Mas pedimos nesta oração que ele nos faça reconhecer isso e receber com gratidão o pão nosso de cada dia.
O que significa pão de cada dia?
Tudo o que se refere ao sustento e às necessidades da vida, como, por exemplo: comida, bebida, roupa, calçado, casa, lar, meio de vida, dinheiro e bens, marido e esposa íntegros, filhos íntegros, empregados íntegros, patrões íntegros e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, amigos leais, bons vizinhos e coisas semelhantes.”
Vemos aí a abrangência do termo “pão”, pelo qual pedimos. Ele é, naturalmente, o alimento básico para o sustento das pessoas. Mas representa também tudo quanto perfaz uma vida digna: as relações familiares e profissionais sadias, até mesmo um bom governo que cuida de seu povo.
Na explicação ao 1.o artigo do Credo Apostólico, ainda no Catecismo Menor, Lutero também inclui a comida e a bebida entre as muitas boas dádivas divinas na criação. E afirma que Deus “supre-me abundante e diariamente de todo o necessário para o corpo e a vida.” Fica implícito que Deus concede suas dádivas generosamente, mas não para acúmulo de bens e desperdício de recursos, senão aquilo que nos é “necessário”. Ou seja, todos os bens não nos são simplesmente “dados”, mas sim “confiados” para um uso socialmente responsável, em benefício de todas as pessoas, todas elas criadas à imagem de Deus.
4. Ênfase do PAMI: Diaconia
O lema de 2009, “Deus ama quem oferta com alegria” apontava para um dos eixos transversais do PAMI: a questão da sustentabilidade. Apontava para a pergunta: como relacionar fé com recursos materiais necessários à manutenção do trabalho da Igreja? Para 2010, o lema aponta para outro eixo do PAMI: o eixo da Diaconia, o serviço que prestamos a nosso próximo e que a Igreja presta ao mundo.
Pão é um dos alimentos básicos e mais antigos para a maioria dos povos da terra. É um alimento simples, fácil de fazer e muito completo. Por isso, além da concretude que representa, ele também é símbolo de tudo aquilo que os seres vivos necessitam para viver. A domesticação de sementes, que depois de secas e moídas viravam farinha e daí se transformavam em pão, pode ter originado os primeiros agrupamentos sociais, que mais tarde formariam as vilas, povoados e cidades. A padaria está intimamente relacionada com a cidade.
É tanto mais importante enfatizar essa dimensão social, já que em nossa realidade há grande acúmulo de bens, de um lado, e falta aguda de bens necessários para a vida, de outro. Há concentração de recursos e gritante distribuição injusta dos bens da criação. Daí o chamado incessante de Jesus e dos Apóstolos a que sirvamos a nosso próximo em suas necessidades (Mt 25.31-46; Rm 13.8). No âmbito político e social o amor ao próximo assume a forma de diaconia solidária e profética, clamando por transformação de estruturas e políticas injustas, para atenderem as necessidade vitais do povo.
Em suma: a abundância ou a escassez de pão determina a felicidade ou a desgraça de um povo. Quando Jesus ensina que devemos pedir: “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”, ele está dizendo, “pede o suficiente para hoje; amanhã poderás pedir novamente”. E “ pede-o não apenas para ti, mas também para teu semelhante”. Já conhecemos história semelhante no deserto, quando Deus providenciou ao povo a cada dia o maná que o sustentava. Como comunidade cristã valorizamos, em todos os âmbitos, também no espiritual, a imagem do pão compartilhado. O próprio Jesus, pão da vida, entregou seu corpo em favor de todas as pessoas.
Walter Altmann
Pastor Presidente