Infelizmente, esse carnaval será diferente. Não teremos tanta alegria. É que aquele sorriso todo não está ente nós. Não há como negar, faz muita falta. Chega comprimir o coração. Com ela, mesmo criado nos arraiais batistas entendi pela tradição familiar (luterana) percebi a pastoral. Aprendi com o melhor dos agentes religiosos: uma mulher – uma linda mãe guerreira, engajada, inteligente.
Desculpem-me o tom. Mas não acho que todos religiosos “evangélicos” podem entender isso. Poucos têm a chance de ser pastoreados por uma mulher. Eu fui. Ela, dona de uma impar sensibilidade, regada por percepções sutis, recheada das palavras (in)certas, cativava amizade, com braços sempre abertos e uma democrática risada: às vezes de deboche e às vezes de alegria. Formou-se nos bancos da IECLB, na Escola Superior de Teologia, trazendo na bagagem trabalhos no campo e no urbano desenvolvendo o pastoreado em Niterói. Seu traço pastoral que mais chamava a atenção era o respeito à todxs.
Ainda bem, que temos por todos os lados suas palavras e a lembrança do mistério de sua (bela) desconcertante risada que nos mostrava prazeres e desprazeres da vida. Se pudesse resumir seus ensinos diria: o importante é sorrir. Diante de tudo, sorrir. Mas, acima de tudo, deve-se sorrir para zombar da vida. Irrestritamente, rir de todos os problemas e impasses; diante das dúvidas e das grandes questões. Nisso, tinha um tom carnavalesco. Afinal, entendia a vida fluminense. Foi tornando-se aos poucos carioca/niteroiense. Assim, agradeço ao Deus dos mistérios por termos permitido a pastora de sorriso e da zombaria larga, a possibilidade de pelo menos passar esse carnaval tentando imitar o que fazia tão bem. Convido a todxs, que possam treinar mais e mais seu gesto profético. Mas, sobretudo, pelo riso que possamos desvirtuar as entranhas do mundo apático que nos leva. Com uma receita bem simples: um riso contra a mecanização tétrica do homem. Ou, uma estrondosa misteriosa gargalhada, para desbaratinar a ordem que nos leva. Que tal? – a Marginha ia adorar…
Eu aqui, de coração apertado agradeço pela graça de ter-me receitado como filho, e, ter feito parte de seus próximos. Que Deus nos ajude aqui sem a escarnecedora gargalhada, e, console o coração de todos os seus. É, infelizmente, vai-se o sorriso. Sobra aqui á saudade. Pelo menos chegou hoje o carnaval para treinar a zoação.
Fábio Py Murta de Almeida