Porto Alegre, 11 de maio de 2006
Aos/Às
Obreiros, obreiras e lideranças de comunidades e instituições da IECLB
Ass.: Diálogo entre a Presidência e lideranças dos movimentos
Prezadas irmãs, prezados irmãos,
Na semana passada, de 02 a 04 de maio, a Presidência esteve reunida com os grupos assessores, na Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo. Anualmente, a Presidência se reúne com os/as integrantes dos seis grupos assessores, os quais têm trabalhado de forma reflexiva e propositiva nas distintas áreas temáticas (teologia e confessionalidade, missão, ecumenismo, gênero, etnia e responsabilidade pública). Na seqüência, nos dias 04 e 05 de maio, a Presidência reuniu-se com lideranças dos movimentos da IECLB. Participaram desta reunião o Missionário Hans Fischer, pela Missão Evangélica União Cristã – MEUC, Cloves Cardozo Carreira, pela Pastoral Popular Luterana – PPL, o P. Orlando Stelter, pela Comunhão Martim Lutero – CML, o P. Jairo L. Menezes dos Santos, pelo Movimento Encontrão – ME, o P. Sinodal Homero Pinto, 1º Vice-Presidente e o P. Walter Altmann, Pastor Presidente.
A Presidência tem mantido contatos individuais com cada um dos movimentos, seja por iniciativa própria ou a convite. Contudo, há a constatação da necessidade de se promover encontros regulares conjuntos, propiciando espaços oficiais de diálogo entre os movimentos, destes com a Presidência e vice-versa. Por ocasião do Fórum Nacional da Unidade, em Araras/RJ (04 a 07 de maio de 2004), houve a participação e representação oficial dos movimentos, que incluiu a participação num painel de apresentação mútua, também em resposta à pergunta como cada movimento promove a unidade e a identidade confessional na IECLB. Naquele momento, veio à tona a pergunta candente em torno da prática do rebatismo na IECLB, por parte do representante do Movimento Carismático. Passados dois anos do Fórum da Unidade, essa questão mais urgente está relativamente equacionada, com a saída da IECLB de lideranças que praticaram o rebatismo, por iniciativa própria. Permanece, entretanto, o desafio de fomentar a unidade na diversidade. Aliás, esse desafio constou inclusive como uma das recomendações deixadas pelos participantes à direção da igreja: “Que a IECLB e suas lideranças, respeitando as características dos movimentos existentes na IECLB, coordenem sua interação (diálogo e troca regular de experiências) na prática missionária mediante um plano, respeitando suas potencialidades” (Documento final).
Como consensos derivados dessa rodada de diálogo, registre-se, em síntese:
– Há o reconhecimento de uma caminhada conjunta entre a direção da igreja e a direção dos movimentos. O encontro propiciou a troca de informações e o diálogo acerca das estruturas específicas de cada movimento e suas respectivas modalidades de atuação.
– Há a inequívoca compreensão de que os movimentos são da IECLB. As pessoas identificadas com os movimentos, sejam elas obreiros/as ou não-obreiros/as, estão vinculadas à IECLB.
– Há unidade no reconhecimento e afirmação das mesmas bases confessionais. Há, portanto, unidade na fé e na doutrina, também na afirmação de objetivos comuns (na missão e na diaconia). Na unidade, entretanto, também há espaço para acolher a legítima diversidade.
– Na afirmação de uma agenda de trabalho que seja propositiva, afirmou-se a necessidade de aprofundar os diálogos em torno dos objetivos comuns (o que nos une na missão e na diaconia). Afirmou-se também a necessidade de aprofundar o diálogo em torno de assuntos que suscitam maior conflito. Constatou-se que há diferenças teológicas e que deve haver espaço de diálogo sobre as mesmas. Identificou-se também a necessidade de se dialogar acerca das práticas litúrgicas e de vestes litúrgicas. Neste particular, recomendou-se evitar extremos de parte a parte.
– Há a necessidade de se fomentar o respeito mútuo e de superar preconceitos mútuos. Em alguns casos, isso implica abdicar de práticas que sejam excludentes e discriminatórias.
– Por fim, recomendou-se a promoção de diálogos permanentes e regulares. O próximo encontro foi agendado para os dias 10 e 11 de agosto, em São Leopoldo/RS.
Para encerrar, relembro a atualidade e relevância do documento Unidade: Contexto e Identidade da IECLB, aprovado no XXIV Concílio da Igreja (2004), na indicação de critérios para a promoção da unidade na Igreja, em diferentes níveis:
“Detectamos na situação atual na IECLB e em seus documentos normativos que há consenso teológico e doutrinário em torno das questões essenciais. (…) Nas situações controvertidas torna-se necessário alcançar um consenso que não seja simples decisão de maioria nem decreto da direção da igreja, mas fruto de um processo teológico e espiritual que, com paciência e respeito às consciências, interpretando os “sinais dos tempos” e, simultaneamente, com plena disposição para alcançar definições doutrinárias inequívocas, ouve a Escritura, interpreta a tradição confessional e dialoga com irmãs e irmãos, confiando que o Espírito Santo nos “guiará para toda a verdade” (Jo 16.13). Nesse sentido, os quatro pilares da Reforma protestante – somente o Cristo, somente a Escritura, somente a graça, somente a fé – são compromisso irrenunciável da confissão luterana para a vivência comunitária, na sua devida inter-relação e centralidade cristológica” (itens 11 e 12).
Na paz de Cristo, fraternalmente,
P. Dr. Walter Altmann
Pastor Presidente