¨Em Israel pudemos, de fato, ouvir as pedras falarem.¨ Essa foi uma das afirmações proferidas por grande parte dos professores e estudantes da EST que, entre 23 de outubro e 7 de novembro, vivenciaram um processo de imersão na história e na cultura de Israel e da Palestina.
Coordenador da Biblioteca da EST, Allan Krahn viajou com o grupo e relatou que, diante de cenários como o Monte das Oliveiras, o Jardim do Túmulo, o Muro das Lamentações, a Fortaleza de Massada e o Monte Sião, o cheiro, o tato, a visão e os sons de cada ambiente ofereceram uma perspectiva singular sobre a narrativa bíblica em cada um desses espaços. Na década de 70, Allan trabalhou num sítio arqueológico em Gezer e, ao longo da viagem, contribuiu com o seu conhecimento na área.
Assessor do grupo, o professor de Novo Testamento da EST, Ms. Verner Hoefelmann, relatou que a arqueologia procura desvendar os restos materiais da história de um povo e de uma nação. Mas essas descobertas estão sujeitas a interpretações que são influenciadas, inevitavelmente, por premissas ideológicas. ¨A fortaleza de Massada, por exemplo, situada no litoral do Mar Morto, a 400 metros acima da planície, demonstra que a arqueologia consegue revelar as marcas dos poderosos. Mas é preciso também olhar para aquela obra monumental a partir da perspectiva do povo humilde que construiu a fortaleza para o rei Herodes, às custas de muito trabalho e pesados impostos.¨
A partir de conversas com o pastor luterano , Dr. Mitri Raheb, que recebeu o grupo da EST em Belém, Verner relatou que a terra de Israel poderia ser vista como um quinto evangelho e, a história de seu povo, como um sexto evangelho ao lado das narrativas de Mateus, Marcos, Lucas e João.
Para o professor da EST, a terra e o povo representam elementos essenciais para recontar a história do povo de Deus do Antigo e Novo testamento e para reinterpretar as ¨origens de nossa fé¨.
Professora de Hebraico na EST, Marie Krahn disse que as informações dos guias locais foram capazes de fazer ver os povos antigos vivendo em meio a tantas pedras e ruínas. Mesmo que arqueologia não consiga provar a veracidade de muitos relatos bíblicos, essa foi uma experiência que fez a Bíblia pulsar dentro de nós, sublinhou.
Marie lembrou que para o Dr. Mitri Raheb, os palestinos representam a continuidade da história do povo bíblico. ¨São eles que fazem a conexão entre a história e o contexto atual, tendo em vista que o povo judeu, a partir de 135 d.C., deixou a sua terra de origem ou foi expulso dela,¨ relatou.
Em preparação à viagem de estudos foi desenvolvida, desde julho, uma sala no ambiente virtual da EST com informações sobre a geografia, a arqueologia e os sítios visitados em Israel e na Palestina.
Além do professor Verner, que já teve a oportunidade de viajar a Israel nos anos de 1979 e 1990, os professores Dr. Flávio Schmitt e Dr. Carlos Dreher também participaram do projeto. Eles prestaram auxílio na elaboração e distribuição dos materiais que fundamentaram, histórica e sociologicamente, a viagem de estudos.
Essa primeira experiência de viagem de estudos a Israel, tida como um projeto-piloto, deverá inspirar experiências e cursos futuros na área da arqueologia bíblica.
Jornalista responsável: Micael Vier Behs