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Quem não quer se salvar do contágio de um vírus? Se fosse possível escolher, ninguém escolheria contrair uma doença. Agora, curiosamente, nem todos escolheriam um caminho de salvação. Afinal, o que é a salvação?

O tema da salvação é uma das questões centrais do Cristianismo. Há um termo próprio na Teologia: escatologia. Significa: “o estudo das últimas coisas”, “o estudo das coisas finais”. A ideia de que algo é tão importante e, por isso, é último e final.

A vida cristã aponta para um fim, uma finalidade, um sentido final, um destino, se quisermos. Sendo a salvação o destino último e o sentido final, quais seriam as coisas primeiras que nos possibilitariam a salvação? Não é segredo para nenhum cristão: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:29). A realização do amor e da fé seriam, portanto, o primeiro caminho para a salvação?

A ideia de salvação foi, durante muito tempo, tomada e bloqueada pela questão classicamente chamada da “salvação dos infiéis”. E quem pode se auto-avaliar para dizer se é puramente crente e totalmente fiel? Para uma ideia exclusivista da salvação acontecer, precisa-se dividir o mundo em profano e divino, colocando alguns do lado profano e outros do lado divino. Cria-se, assim, duas histórias: a história do mundo e a história de Deus. No entanto, há uma só história — e foi nesta única história que Deus se encarnou e se inseriu em corpo de Jesus para salvar as pessoas. Será que a salvação, em sua finalidade última, não seria, antes de tudo, a primeira força da fé para aquele que crê?

Estar em comunhão com Deus e em comunhão com as pessoas é a primeira força salvífica da fé cristã. A salvação tem uma dimensão espiritual — a teologia chamaria, um dimensão escatológica —, mas, não apenas isso: a salvação é, antes de tudo, uma realidade humana, real e concreta. Por isso Deus se fez presente em Cristo, tornou-se humano, caminhou com as pessoas, através da história, para trazer vida antes mesmo da salvação. Em outras palavras, para salvar a vida para a salvação!

Que a salvação seja o nosso caminho! Assim, quem sabe, poderemos nos salvar de nossas próprias ambições ao darmos lugar para a vida comunitária, o amor cristão e as manifestações das graças divinas!

Vitor Chaves de Souza – Professor e Editor

Teólogo e Doutor em Ciências da Religião