Uma Crônica da Despedida da Valmi
O ar do último sábado em Campo Alegre não era de tristeza, mas sim de uma colheita abençoada. Não de frutos da terra, mas de laços, memórias e um trabalho voluntário tecido com afinco por dezessete anos.
Valmi, a Valmi do Instituto Luterano Campos Verdejantes, despedia-se de um projeto que, como ela mesma disse, “muito a alegrou e animou“, deixando para trás não um vazio, mas um legado de 60 mil quilômetros rodados e incontáveis corações tocados.
Seu discurso não foi uma simples leitura, mas uma partilha íntima, um mapa de sua jornada. Para o momento, ela convocou a si o apoio que a sustentou: “A presença de cada uma, cada um de vocês aqui, ao meu lado, simboliza o apoio inestimável que recebi ao longo desta jornada.”
O Caminho e o Compromisso
Dezessete anos é tempo de vida. Valmi dedicou a maioridade de sua paixão ao Instituto, atuando na presidência por oito anos e como vice por outros oito. Sua trajetória é um testemunho de dedicação que desafiou a geografia.
De Joinville a Blumenau, e finalmente, de Florianópolis, ela se deslocou incansavelmente para Campo Alegre. A impressionante marca de mais de 60.000 quilômetros é a métrica tangível de um compromisso inegociável.
“Era vital estar presente,” resume ela sobre si, mencionando as cerca de 408 reuniões presenciais de diretoria, fora os encontros online, as visitas a empresas e a recepção de grupos. Para que tudo isso fosse possível, o ingrediente secreto era a resiliência, a articulação e a arte de “encantar pessoas, empresas e instituições“.
O seu trabalho era feito no púlpito, na reunião formal, mas também no crucial “conversar pessoalmente e ‘ao pé do ouvido’ com as pessoas interessadas.”
O “Combustível Solidário”
A solidariedade, aliás, foi mais do que um valor: foi um combustível literal. Quando o ciclo da aposentadoria trouxe a mudança para Florianópolis, Valmi e seu marido, Renato, arcaram com as despesas iniciais. Mas a missão tinha seu preço. Ao assumir novamente a presidência (2022-2023), ela percebeu que a rede precisava ser ativada.
Nasceu, então, o grupo carinhosamente batizado de “Combustível Solidário” – quatro casais de pessoas amigas, irmãs e irmãos que se dispuseram a bancar as despesas de viagem. Uma amiga e irmã assumiu a hospedagem. E, em um toque de ternura que ilustra a profundidade da rede, uma vizinha acolheu a cachorrinha do casal por sete longos anos! Sem essa teia de afeto e suporte prático, a contribuição presencial não teria sido possível. É um exemplo luminoso de como o serviço se apoia em ombros de gente amiga.
O Novo Ritmo
As despedidas, Valmi confessa, “nunca são fáceis,” pois ela prefere “permanecer sempre em boa companhia.” Contudo, há a sabedoria do ciclo que se fecha, a percepção de que é “saudável dizer adeus, desocupar o espaço” para que o Projeto se renove e para que ela mesma possa buscar um novo ritmo.
O adeus, no fundo, é um profundo e emocionado agradecimento. A Deus, pela saúde e disposição para servir em um projeto tão necessário para pessoas com deficiência. À Diretoria, Conselhos e Comissões, pela parceria, confiança e cumplicidade. A toda a Parceria, o eterno reconhecimento.
Valmi encerrou sua fala com uma bênção, delegando com fé a continuidade da missão. Sua doação de 17 anos é uma lição de que o verdadeiro voluntariado exige mais do que boas intenções; exige planejamento, olhar para frente, para os lados, para cima, e a coragem de pedir e receber ajuda.
Sua colheita está feita, Valmi. Que os próximos passos sejam tão alegres e animados quanto os caminhos que você desbravou.
Imagens do Evento:
Para acessar imagens de momentos do evento, clique no link abaixo.
https://drive.google.com/drive/folders/1G231IxTlh5q5Z3d3FTiVce19qRbhuUMp?usp=sharing
Autor:
Renato Luiz Becker
Pastor Emérito da IECLB
Associado Colaborador do ILCV
Membro do Conselho Fiscal – Gestão 2023/25
Membro da Comissão de Comunicação
Reside em Florianópolis/SC