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O calendário civil define o tempo do ano com base em dias, semanas e meses. O calendário litúrgico, por seu lado, marca o tempo da Igreja a partir de eventos especiais. No dia 6 de janeiro temos um desses eventos: a Epifania.

A palavra “epifania” tem origem no termo grego ἐπιϕάνεια (epipháneia) e significa aparição, manifestação. A Epifania celebra a manifestação de Deus através de Jesus Cristo.

Mas Deus já não se manifestou no nascimento de Jesus? Qual é a diferença, ou: qual é a ligação entre Natal e Epifania?

 

Dois eventos distintos, mas conectados

Depois da Páscoa, a Epifania foi a festividade mais importante nos primeiros séculos do Cristianismo. Surgiu antes mesmo da festa de Natal.

Enquanto o Natal celebra a encarnação de Deus em Jesus Cristo, a Epifania trata da manifestação da divindade de Jesus. São dois enfoques distintos, porém interligados.

 

Natureza humana e divina em uma só pessoa

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus […] Todas as coisas foram feitas por ele” (João 1.1-3).

Verbo é sinônimo de “palavra”. O Evangelista João se refere aqui à palavra criadora de Deus, conforme Gênesis 1. Em Jesus Cristo, essa palavra se tornou gente: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1.14).

Encarnação significa que Deus se fez carne, ou seja, assumiu a natureza humana. A encarnação iniciou no nascimento e se estendeu por toda a vida. Jesus foi verdadeiramente humano: nasceu de uma mulher e experimentou as necessidades e os sentimentos mais comuns.

O Jesus “de carne e osso” também é verdadeiramente divino, conforme nos lembra João: o Verbo era Deus. A Epifania trata justamente disto: da manifestação visível de Deus na pessoa de Jesus Cristo.

Assim como a encarnação, a Epifania não é um evento único. Entretanto, ela tem momentos mais específicos. Os três episódios que receberam destaque em diferentes tradições cristãs são:

 

Os magos do Oriente

Em Jerusalém, os magos perguntavam: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mateus 2.2).

Na época de Jesus, a palavra “mago” designava pessoas que se ocupavam com assuntos de religião, filosofia, ciência naturais ou astrologia. Aqui faz sentido a referência à estrela que os guiou. A indicação de que os magos vêm do Oriente aponta para pessoas estrangeiras, que não faziam parte do povo judeu.

Quantos magos chegaram a Belém para adorar Jesus? Mateus não cita o número, os nomes e tampouco diz que eram reis. Algumas tradições antigas falavam em até 12 magos. Como se chegou à ideia de que eram três, e, ainda por cima, reis?

A concepção de três reis magos se estabeleceu na Idade Média e provavelmente está relacionada aos presentes mencionados no Evangelho: ouro, incenso e mirra. Se eram três presentes valiosos, faria sentido dizer que eram três magos e que eles eram reis. Baltazar, Gaspar e Melchior são os nomes atribuídos pela tradição cristã.

O número, a posição social e os nomes dos magos não são relevantes. O que importa é que o que eles fazem: adoram a Jesus porque o reconhecem como filho de Deus.

A visita dos magos é associada à Epifania especialmente no catolicismo e no protestantismo. Este episódio está ligado diretamente ao dia 6 de janeiro.

 

O Batismo de Jesus

Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Logo ao sair da água, Jesus viu os céus se abrindo e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então veio uma voz dos céus, que dizia: – Você é o meu Filho amado; em você me agrado” (Marcos 1.9-11).

Na história do nascimento os magos reconhecem a divindade de Jesus. Por ocasião do batismo, essa divindade é declarada pelo próprio Deus: Você é o meu Filho amado. A partir desta declaração, Jesus recebe legitimidade e autoridade para anunciar a proximidade do reino de Deus.

A narrativa do batismo também contém um indicativo da Trindade:

 

Nas igrejas ortodoxas, o batismo de Jesus é o episódio mais fortemente relacionado com a epifania. Na tradição luterana, o batismo de Jesus é celebrado no domingo que sucede o dia 6 de janeiro, também conhecido como 1º Domingo após Epifania.

 

O milagre no casamento de Caná

Assim, em Caná da Galileia, Jesus deu início a seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (João 2.11).

De acordo com o Evangelho de João, o primeiro milagre de Jesus foi a transformação de água em vinho em uma festa na localidade de Caná, na região da Galileia.

No Antigo Israel, o vinho era elemento indispensável das refeições festivas. Era expressão de convivência, alegria e abundância. O vinho e as núpcias também serviam como simbologia para os novos tempos que Deus havia prometido. Nesta perspectiva, o sinal em Caná manifesta o tempo divino que inicia com Jesus.

Através dos sinais, a glória de Jesus, que outra não é do que a glória de Deus (João 1.14), se manifesta. No evangelho de João, o sinal alcança seu objetivo quando desperta a fé. Por isso o evangelista conclui: “e os seus discípulos creram nele”.

A ligação deste milagre com a Epifania é mais comum na tradição cristã oriental.

 

Formas distintas, mas uma só mensagem

Na visita dos magos, no batismo de Jesus e no milagre de Caná, Deus se manifesta. As formas da epifania são distintas, mas a mensagem é a mesma: um novo tempo inicia com Jesus Cristo. Jesus é a luz que ilumina e guia. Feliz Epifania!

 

Texto: Emilio Voigt

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