Celebração para o Dia Internacional das Mulheres 08/03/26, elaborada pela OASE do Sínodo Sudeste, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB)
Dirigente: Sejam bem-vindas e bem-vindos. Hoje celebramos as mulheres, mas não podemos fechar os olhos para a dor. O Brasil registrou em 2025 o triste recorde histórico de 1.518 feminicídios — uma média de 4 mulheres mortas por dia. Nossa fé nos chama a ser “sal e luz”, o que significa não tolerar a violência. Que esta celebração seja uma união por justiça e um abraço de Deus a todas as mulheres.
Sugestão de Gesto Simbólico: Durante a celebração, você pode acender 4 velas maiores no altar, simbolizando as 4 mulheres que perdem a vida diariamente no Brasil, pedindo que a luz de Cristo ilumine as trevas da violência.
(Momento de profundo arrependimento coletivo)
Oração: Senhor, confessamos com vergonha o pecado da omissão. Perdão pelas vezes que nós enquanto igreja, silenciamos diante de sinais de abuso e de violência. Perdão pela cultura do machismo que fere e mata as tuas filhas. Pedimos perdão pelos 3,7 milhões de mulheres brasileiras que sofreram algum tipo de violência no último ano até agora. Transforma nossas comunidades em lugares de refúgio real, de apoio, de acolhida e não de julgamento. Abre nossa mente e o nosso coração para que valorizarmos a vida e que possamos ser sinais da tua paz. Amém.
Deus Consolador, que ouves o clamor do sangue derramado na terra, visita hoje as famílias das vítimas de feminicídio. Dá-nos a coragem daquelas mulheres anônimas da Bíblia para denunciar o mal e proteger a vida. Que Teu Espírito de Paz desarme as mãos violentas e restaure a dignidade de cada mulher. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Texto: Juízes 19:20-30 / 2 Samuel 13 (Textos de Clamor)
Nota: Pode-se optar por ler Salmo 10, que pede que Deus não se esqueça dos humildes e quebre o braço do ímpio.
”Levanta-te, Senhor! Ó Deus, ergue a tua mão! Não te esqueças dos necessitados… Tu vês o sofrimento e a dor; observa-os para tomá-los em tuas mãos.” (Salmo 10:12,14)
Hoje, nossa leitura não traz palavras de conforto imediato, mas um grito de socorro. Em Juízes 19, vemos uma mulher sem nome, entregue à violência para proteger homens. Em 2 Samuel 13, vemos Tamar, uma princesa, ter sua vida e dignidade estilhaçadas pelo próprio meio irmão, Amnon.
Por que esses textos estão na Bíblia? Eles estão lá porque Deus não ignora a violência de gênero; Ele a registra como uma denúncia contra a humanidade que perdeu o temor e o cuidado com o próximo.
O Diagnóstico: Onde a Violência se Esconde
Analise o contexto dos dois textos:
Juízes 19: O texto termina dizendo que “jamais se viu tal coisa desde que Israel saiu do Egito”. A violência contra aquela mulher foi o sinal máximo da decadência moral de uma nação. Quando a mulher não está segura, a sociedade inteira faliu.
2 Samuel 13: Aqui a violência é doméstica e “real”. Amnon finge doença para atrair Tamar. A violência muitas vezes se disfarça de proximidade, de afeto distorcido ou de manipulação.
Ponto central: Nestas histórias, os homens ao redor falharam. O levita de Juízes falhou em proteger; o Rei Davi (pai de Tamar) falhou em fazer justiça, ficando apenas “irado”, mas sem agir. A vida das mulheres é destruída quando aqueles que deveriam proteger se calam.
O Eco do Passado: Conecte os textos com os dados de 2025/2026 mencionados anteriormente:
O que aconteceu com a concubina do levita e com Tamar continua acontecendo hoje. O aumento dos casos de feminicídio e os mais de 3 milhões de casos de violência anual mostram que ainda vivemos em um tempo onde “cada um faz o que bem entende aos seus próprios olhos” (Juízes 21.25).
A Bíblia registra que o corpo daquela mulher em Juízes foi dividido em 12 partes e enviado a Israel para que ninguém pudesse dizer ‘eu não vi’. Hoje, os números da violência são essas ‘partes’ enviadas a nós. Não podemos dizer que não sabemos.”
A Resposta da Fé: O Que Fazer?
Romper o Silêncio: Como o texto de Juízes diz: “Considerai isto, tomai conselho e falai”. A Igreja não pode ser o lugar do silêncio, mas da fala que liberta.
Justiça e Acolhimento: Diferente de Davi, que se omitiu, nós devemos agir. Acolher a mulher que sofre violência é um ato de adoração a Deus.
Cristo e as Mulheres: Lembre que Jesus, ao contrário dos homens desses textos, sempre restaurou a dignidade das mulheres (como a mulher adúltera que ia ser apedrejada ou a mulher do fluxo de sangue).
Conclusão: A vida das mulheres importa para Deus. Que o sofrimento de Tamar e da mulher de Juízes nos desperte para que nenhuma mulher em nossa comunidade precise sofrer em silêncio. Que sejamos uma Igreja que protege, que denuncia e que ama como Cristo amou.
Após a mensagem, fazer a dinâmica: “O Vaso Quebrado e a Restauração”
Objetivo: Refletir sobre como a violência fragmenta a vida da mulher e como a comunidade cristã (e Deus) deve agir para interromper esse ciclo.
Reflexão: O feminicídio é o estágio final, mas o vaso começa a trincar muito antes, com o controle, o insulto e o isolamento.
Conclusão da Dinâmica: Sozinha, uma mulher quebrada pela violência tem dificuldade de se reconstruir. Como Igreja, nossa missão é ser a “cola” que sustenta, que não julga e que ajuda a denunciar o agressor antes que o vaso se torne pó.
O Registro do Recorde: Os números de 2025 mostram que a maioria dos crimes ocorre dentro de casa. Isso revela que o lar, que deveria ser santuário, tem sido lugar de medo.
A Resposta da Fé: Como as mulheres anônimas da Bíblia que buscaram Jesus para cura e libertação, nós devemos buscar a justiça. A fé cristã exige que sejamos rede de apoio: se uma mulher sofre, todo o Corpo de Cristo sofre com ela.
Ação: Celebrar o Dia da Mulher é, acima de tudo, lutar para que cada uma delas chegue viva ao amanhã.
Líder: Elevemos nossas vozes ao Deus que ouve o clamor dos oprimidos. Intercedamos por todas as mulheres cujas vidas são marcadas pela dor.
Todas as pessoas: Senhor, ouve o nosso clamor e faz-nos instrumentos da Tua paz.
Líder: Que o Senhor, que é Justiça e Amor, te abençoe. Que Ele te dê olhos atentos para perceber a dor da vizinha e mãos estendidas para o socorro. Que nenhuma de nós caminhe sozinha. Que a bênção do Deus de Vida — Pai, Filho e Espírito Santo — desça sobre vocês e as proteja hoje e sempre. Amém.
Canais de Ajuda e Denúncia:
Elaboração: Pastora Elfi Rehbein
Orientadora teológica da OASE do Sínodo Sudeste
Pastora na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Pires e Ribeirão Preto.