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Aconteceu, no dia 22 de março, o 12° Encontro Nacional da PPL Mulheres. O evento, promovido pela Pastoral Popular Luterana (PPL), reuniu cerca de 280 mulheres e homens em Venâncio Aires/RS, no âmbito do Sínodo Centro-Campanha Sul.

O tema do encontro – O tão sonhado lar: entre realidades e desafios – tinha como pano de fundo a história de Agar no deserto (Gênesis 21.19).

Já de início, um farto café da manhã criou um ambiente de comunhão. Em seguida, um significativo momento simbólico marcou o início das atividades. Duas mulheres, representando a escravizada Agar, conduziram todas as pessoas para deixarem suas mãos marcadas em vermelho sobre um tecido de algodão. Este gesto lembrou os 23 feminicídios registrados no Rio Grande do Sul apenas nos três primeiros meses de 2026. Entre as cadeiras disponíveis, 23 contavam com panos vermelhos e não foram ocupadas, também em memória das vítimas de feminicídio.

 

Experiências diante de um poço

Cansada e ferida pela vida, Agar não conseguia ver o poço que estava tão perto. Porém, Deus lhe abriu os olhos. E ali, no meio do deserto, brotou novamente a vida. Na meditação de abertura, a Pastora Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil ( IECLB), Sílvia Beatrice Genz, falou sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana, também em um poço (João 4.1-44).

Assim como Agar, em sua condição de mulher escravizada, as pessoas de Samaria também sofriam com a discriminação. Ao pedir agua à mulher samaritana, Jesus se coloca em posição de igual, pela necessidade que também ele possuía. Aliás, esta é uma necessidade que todas as pessoas compartilham, disse ela.  Nós também temos sede: sede de água, sede de justiça, sede de vida. E de que mais temos sede?, perguntou a Pastora Presidente.

 

O tão sonhado lar: entre realidades e desafios

A palestra da Professora Rosângela Angelin discorreu sobre histórias das mulheres no decorrer da humanidade. Ela demonstrou como as identidades são construídas na sociedade, e como a violência contra as mulheres foi sendo naturalizada com o passar dos tempos.

Rosângela é professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus Santo Ângelo/RS. Ela é Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha) e Pós-Doutora em Teologia pela Faculdades EST (São Leopoldo).

De acordo com a professora, é necessário averiguar as origens das violências contra as mulheres, para então desnaturalizar esse processo. Ela também apontou para a necessidade de enfrentamento e união das mulheres num ato sublime de “esperançar’. Como dizia Paulo Freire, a esperança precisa ser um verbo. Neste sentido, “esperançar” é viver a esperança como compromisso ativo com a transformação do mundo.

A esperança precisa ganhar corpo em ações concretas, em união e coragem para transformar a realidade, disse a Dra. Rosângela. Tais ações precisam levar a uma sociedade onde as mulheres são respeitadas, reconhecidas e vivam sem medo, sem violência e opressão.

 

A esperança brota em meio aos desafios

No período da tarde houve momentos de partilha de projetos que florescem em meio a desafios. A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) falou sobre o seu trabalho com mulheres indígenas e quilombolas. Representantes do Projeto Alegria e Esperança e da OASE de Santa Cruz do Sul, relataram atividades com famílias da periferia. Por fim, estudantes da Faculdades EST compartilharam a alegria de celebrar os 80 anos da instituição em 2026.

A experiência de Agar diante de um poço no deserto possibilitou o renascimento da esperança. Da mesma forma, precisamos reconhecer os sinais de vida e esperança que Deus coloca em nosso caminho. De igual modo, é preciso caminhar com fé na construção de um mundo mais justo e solidário.

Seguimos confiantes de que Deus continua abrindo nossos olhos para os sinais de vida em meio aos desertos do mundo, conclui a mensagem do encontro. Acesse a íntegra da mensagem logo abaixo, em REDE DE RECURSOS – Arquivos para Download.