Na última quarta-feira, 20/05, aconteceu mais um encontro online de preparação ao Seminário Nacional de Missão na Metrópole. Mais de 60 pessoas, entre ministras, ministros e lideranças comunitárias e de instituições diaconais, participaram deste momento.
A iniciativa da Coordenação da Missão na Metrópole e da Secretaria de Missão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) possibilitou um ótimo espaço de formação e partilha de boas práticas comunitárias.
O encontro iniciou com saudação do Pastor Odair, 1º Vice-presidente da IECLB e Secretário de Missão, e da Pastora Sandra Kamien Tehzy, Coordenadora de Missão na Metrópole.
Na sequência, o Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste, Pastor Marcos Ebeling, conduziu a meditação baseada no Salmo 46. Este Salmo foi a inspiração para o hino Castelo Forte, de Martim Lutero.
Ebeling destacou que a presença de Deus é consolo e segurança. Neste sentido, a missão da Igreja também é ser consolo e segurança.
Após a meditação, houve a partilha de sete experiências de missão em contextos de grandes cidades e metrópoles. Confira um breve resumo:
O Pastor Lohan Schulz Tesch falou sobre os trabalhos desenvolvidos pela União Paroquial Norte Nordeste, do Sínodo Espírito Santo a Belém. Esta União Paroquial abrange cidades nos estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará.
Lohan destacou a diaconia como o elemento que alimenta, sustenta e dá força à caminhada da IECLB na região. A missão naquele contexto tem o objetivo de anunciar o Evangelho de forma autêntica, contextual e transformadora. Para o Pastor Lohan, a comunidade não nasce da repetição de fórmulas, mas da capacidade de construir vínculos reais onde as pessoas estão.
As experiências da Comunidade de Goiânia, no Sínodo Brasil Central, foram relatadas por Ema Dunck, Presidente do Concílio da Igreja, e pela Pastora Juliana Hoelscher Silveira. Elas comentaram que as mídias sociais e as indicações são os dois grandes impulsos para que as pessoas cheguem até a comunidade.
O acolhimento é um ponto fundamental para a permanência das pessoas. Neste sentido, a comunidade tem o propósito de incluir pessoas de diversos contextos culturais e religiosos, assim como pessoas LGBTQIAPN+ que procuram pela vivência comunitária.
O Pastor Lauri Becker compartilhou a vivência da Comunidade de Manaus, no Sínodo da Amazônia. Muitas pessoas vindas de fora procuravam a comunidade, mas não chegavam a criar vínculos, pois, em algum momento, seriam transferidas novamente. Em consequência da rotatividade, a comunidade passou por um período de “desmobilização”.
“A comunidade estava no bairro, mas o bairro não estava na comunidade”. Esta situação mudou com a chegada de pessoas moradoras do bairro, que perceberam que a Comunidade luterana é o seu lugar. O trabalho diaconal e aulas de formação musical contribuíram para criar um sentimento de pertença reanimar a comunidade.
A Pastora Joice Aline Klein, falou sobre a missão da Capelania Hospitalar no contexto da metrópole de São Paulo, no âmbito do Sínodo Sudeste. Para ela, o hospital é um retrato da metrópole. Ali se percebe situações de solidão, famílias fragmentadas, migração e deslocamento, vulnerabilidade social.
Para Joice, a cidade adoece pessoas; o hospital revela as feridas e a capelania encontra as pessoas no limite da existência. A capelania se caracteriza por presença junto à pessoa adoecida, escuta espiritual, apoio a familiares, cuidado espiritual como dimensão da assistência integral. O cuidado é a base de todo o trabalho. Cuidar é presença, escuta e amor em ação.
A Pastoral do Cuidado, no Sínodo Rio dos Sinos, é coordenada pela Pastora Ana Paula Genehr, que apresentou as principais ações. A Pastoral tem o objetivo de acompanhar pessoas em tratamento de saúde e seus familiares, bem como capacitar e promover a atuação de pessoas voluntárias. Atualmente, 15 voluntárias realizam visitas em diferentes hospitais de Porto Alegre.
As ações da Capelania contemplam a prevenção da saúde, os processos de cuidado, cura, consolo, assim como a espiritualidade e fé em situações de enfermidade e luto. Um aspecto importante é também a mentoria, que auxilia no discernimento e no manejo de situações delicadas.
A Pastora Vera Immich falou sobre a Pastoral da Consolação em Curitiba, no Sínodo Paranapanema. Este trabalho existe há 20 anos e surgiu da necessidade de acompanhamento a famílias e pessoas enfermas que vinham de outras cidades. A outra demanda inicial era o atendimento pastoral no cemitério luterano.
A partir desta Pastoral surgiu a pequena Comunidade da Consolação. Além do culto a cada domingo, há grupos de pessoas enlutadas, coral, oração, Culto Infantil e Ensino Confirmatório. Os encontros são realizados nas dependências do cemitério luterano. A outra frente de atuação da Pastoral é a visitação hospitalar.
A Instituição Lupicínio Rodrigues (Lupi) é uma das unidades de atuação diaconal da Comunidade Evangélica de Porto Alegre (CEPA), no Sínodo Rio dos Sinos. A leiga Karina Nunes apresentou a trajetória da instituição que atende atualmente 92 crianças em turno integral, oferecendo refeições, acolhimento e desenvolvimento integral.
A origem do trabalho está na década de 1980, quando um grupo de mulheres da OASE da Paróquia Matriz de Porto Alegre começou a interagir com crianças de rua. A partir dessa interação surgiram iniciativas em um território Quilombola, resultando na criação da Instituição. Embora as crianças atendidas não sejam luteranas, há um sentimento de pertença e as famílias têm na instituição uma referência de vida.
O Seminário Nacional de Missão na Metrópole acontecerá entre os dias 29 e 31 de maio, em São Leopoldo/RS.