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Uma roda de conversa reuniu lideranças de diferentes tradições religiosas, durante a programação da Semana de Combate à Intolerância Religiosa, no município de Rio Grande/RS. Realizada nas dependências da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), no Centro da cidade, a atividade promoveu um debate sobre preconceito, racismo religioso e os desafios enfrentados pelas comunidades de fé na defesa da liberdade religiosa.

Participaram representantes de religiões de matriz africana, da Igreja Luterana, da Igreja Batista e da comunidade espiritualista. Em um ambiente de diálogo e respeito às diferentes crenças, durante cerca de três horas, na noite de quinta-feira (29), as e os participantes compartilharam experiências, identificaram problemas comuns e apontaram a necessidade de ampliar iniciativas conjuntas de enfrentamento à intolerância. A realização de novos encontros foi uma das propostas que reuniu consenso entre as lideranças.

Anfitrião da atividade, o ministro da IECLB, Felipe Milani considerou a iniciativa um movimento importante para a aproximação entre diferentes tradições religiosas. Para ele, abrir as portas da igreja para receber representantes de outras crenças representou um desafio. Entretanto, a experiência demonstrou a possibilidade de construção de espaço de convivência respeitosa e de discussão de questões que atravessam diferentes comunidades.

Ao abordar as origens da intolerância, Milani chamou atenção para a presença do racismo em manifestações cotidianas, inclusive em expressões e comportamentos, muitas vezes naturalizados pela sociedade. Milani afirma que o enfrentamento exige atenção às atitudes do dia a dia, além da continuidade de atividades que ampliem a visibilidade do tema e contribuam para reduzir as diferentes formas de violência.

As religiões de matriz africana estão entre as principais vítimas desse tipo de violência no Brasil, em razão de suas origens e referências culturais negras. Neste sentido, é fundamental a criação de espaços de diálogo, nos quais as pessoas possam reconhecer as experiências e o sofrimento umas das outras. Ouvir a dor de quem enfrenta discriminação é um passo fundamental para desenvolver empatia e mobilizar, especialmente as comunidades religiosas com maior representatividade social, na construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.

Fonte: Diálogo entre diferentes religiões fortalece a luta contra a intolerância religiosa no Rio Grande