Quando nasce uma idéia e em que momento ela se torna uma ação transformadora? Não faz muito tempo, em uma Conferência de Obreiros do Sínodo Uruguai, realizada em 2003 ou 2004, os participantes comentaram que as lideranças de trabalhos comunitários, Presbíteros e Conselheiros conheciam mais a estrutura de organização que a estrutura da vida comunitária da Igreja: como pensamos, cremos e lidamos com questões relacionadas a Batismo, culto, etc. Esta percepção vinha da lida diária desses Obreiros na condução ministerial das Comunidades do Sínodo.
O que fazer? Não se tratava de uma questão qualquer. Ela dizia respeito à vivência do dia-a-dia da Comunidade e precisava envolver as lideranças leigas na discussão. O assunto foi encaminhado ao Conselho Sinodal e analisado com os representantes de Paróquias e setores que compõem o Sínodo, chegando a conclusão que a temática era mais ampla que as atribuições do Conselho Sinodal: planejar, incentivar, resolver, prover e cumprir.
Quem aprova o plano de objetivos e metas da missão da Igreja na área do Sínodo é a Assembléia Sinodal. É ela também que promove a reflexão e o debate sobre os temas fundamentais da Igreja e os de interesse das Comunidades, das Paróquias e do Sínodo. Foi então que, no dia 19 de novembro de 2005, a Assembléia recebeu uma moção assinada por 44 pessoas, entre lideranças leigas e do Ministério com ordenação, pleiteando a inserção do Guia Nossa Fé-Nossa Vida no material de estudo do Ensino Confirmatório com ampla divulgação. Por que uma moção? Porque moção é um dos instrumentos para levar adiante uma proposta, um pedido, uma alteração de norma em uma Assembléia. Uma moção significa um impulso para gerar um movimento, por isso deve conter uma proposta embasada em uma sólida argumentação.
A IECLB é uma Igreja de membros e de Comunidades. Cada membro é importante para o corpo, para os outros membros e, especialmente, para Deus. Cada membro deve saber a sua função e atribuição, assim como conhecer as Sagradas Escrituras, as normas que orientam a vida comunitária. Essa era a argumentação da moção aprovada pela Assembléia. No entanto, como ela era muito mais ampla que a jurisdição do Sínodo, foi encaminhada ao Concílio da Igreja.
O último Concílio, realizado em Panambi/RS, nos dias 12 a 15 de outubro de 2006, entre outras decisões, acolheu a moção do Sínodo Uruguai e a encaminhou ao Conselho da Igreja com a recomendação de que a proposta fosse integrada ao Programa de Educação Cristã Contínua, o que já está acontecendo. Além disso, o Guia Nossa Fé-Nossa Vida, que pode ser adquirido junto à Editora Sinodal, está disponível no portal da IECLB www.luteranos.com.br. Buscando sempre levar a missão muito mais longe, em 2009 o Jornal Evangélico Luterano também abordará o Guia Nossa Fé-Nossa Vida na Editoria Fé Luterana.

O caminho até o Concílio
Nem todas as moções dirigidas ao Concílio chegam ao Concílio. Para verificar se o assunto é mesmo da competência do Concílio, todas elas passam primeiro pelo Conselho da Igreja, instância na qual estão presentes os 18 Sínodos da IECLB, cada um com um representante, a Presidência da IECLB, na pessoa do Pastor Presidente e dos Pastores 1º e 2º Vice-Presidentes, assim como a Secretaria Geral, na pessoa do Secretário Geral. Os representantes decidiram que a moção encaminhada pelo Sínodo uruguai, devido ao seu mérito, deveria ser apreciada pelo Concílio.
Ao Concílio, compete definir a linha programática de atuação de toda a Igreja, bem como decidir e legislar sobre toda e qualquer matéria de interesse da IECLB. É no Concílio que as Comunidades, representadas por 95 lideranças leigas, Obreiros e Obreiras, se reúnem para dialogar e decidir sobre questões básicas da vida comunitária, confessionalidade, estrutura e missão. Esta formação do Concílio foi aprovada em 1997 e vale até que alguma instância encaminhe uma alteração que seja aprovada pelo Concílio. Portanto, o Concílio não é composto por um representante de cada Comunidade nem por um representante de cada Paróquia, escola, ancionato, centro social e Obreiros, pois isto resultaria em um encontro com mais de 3 mil pessoas.
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| ——————– XXVI Concílio da IECLB ——————– |
| O Concílio é realizado, ordinariamente, a cada 2 anos, sempre em uma comunidade diferente. Atualmente, estamos no XXVI Concílio, que será na cidade gaúcha de Estrela, de 15 a 19 de outubro deste ano |
| I São Leopoldo/RS – 1950 | XIV Marechal Cândido Rondon/PR – 1984 |
| II São Leopoldo/RS – 1954 | XV Rio de Janeiro/RJ 1986 |
| III Curitiba/PR – 1958 | XVI Brusque/SC – 1988 |
| IV São Leopoldo/RS – 1962 | XVII Três de Maio/RS – 1990 |
| V Porto Alegre/RS – 1966 | XVIII Pelotas/RS – 1992 |
| VI Extraordinário – 1968 | XIX Cachoeira do Sul/RS – 1994 |
| VII Curitiba/PR – 1970 | XX Toledo/PR – 1996 |
| VIII Panambi/RS – 1972 | Extraordinário – Toledo/PR – 1996 |
| IX Cachoeira do Sul/RS – 1974 | Extraordinário – Ivoti/RS – 1997 |
| X Belo Horizonte/MG 1976 | XXI Rodeio 12/SC – 1998 |
| XI Joinville/SC – 1978 | XXII Chapada dos Guimarães/MT – 2000 |
| Extraordinário – 1980 | XXIII Santa Maria de Jetibá/ES – 2002 |
| XII Carazinho/RS – 1980 | XXIV São Leopoldo/RS – 2004 |
| XIII Hamburgo Velho/RS – 1982 | XXV Panambi/RS – 2006 |
As 95 lideranças que compõem o Concílio
Presidente do Concílio e seu Vice-Presidente.
O presidente e o Vice-Presidente do Concílio são indicados por, pelo menos, uma Assembléia Sinodal, sendo eleitos em Concílio.
18 representantes sinodais no Conselho da Igreja
O Conselho da Igreja atua em carátersupletivo ao Concílio, exercendo o controle das atividades administrativas da IECLB e decidindo sobre conflitos de caráter normativo mediante consulta.
Pastor Presidente e seus dois Vice-Presidentes
Coordenação da atividade eclesiástica da IECLB, zelando por sua unidade e identidade confessional.
18 Pastores e Pastoras Sinodais
Em cada Sínodo atua um Pastor Sinodal que, juntamente com o Vice-Pastor Sinodal, tem a responsabilidade de supervisionar o trabalho eclesiástico na área do Sínodo.
2 Delegados por Sínodo
Com exceção dos Sínodos com maior número de membros, que têm direito a três Delegados. Existe uma fórmula, que consta na Constituição, para saber quais são estes Sínodos com maior número de membros. Para o próximo Concílio, os Sínodos que elegerão três Delegados cada são: Espírito Santo a Belém, Nordeste Gaúcho, Norte Catarinense e Vale do Itajaí.
5 representantes dos Sínodos com atuação marcante no Ministério compartilhado.
Nesse caso, existe um rodízio entre os Sínodos. Os cinco Sínodos que nomearão Delegados para o próximo Concílio são: Brasil Central, Centro-Sul Catarinense, Rio Paraná, Sul-Rio-grandense e Vale do Taquari.
Aproximadamente, 9 representantes de instituições e setores de trabalho
Entre as quais, obrigatoriamente, a OASE. Foram convidados para o próximo Concílio um representante de cada centro de formação de Obreiros e Obreiras (EST, FATEV e FLT), um da Juventude Evangélica, um da Rede Sinodal de Educação, um da Fundação Luterana de Diaconia, um da Legião Evangélica, um da Obra Gustavo Adolfo e uma da OASE.
Secretário Geral
Coordenação e direção das atividades da Secretaria Geral (com exceção do Secretário Geral, todos os demais têm direito a voto).
Convidados
Também participam do Concílio, na qualidade de convidados, representantes de Obreiros em inatividade e viúvas de Obreiros, o Presidente da Comissão Jurídico-Doutrinária, os Presidentes da Comunidade, da Paróquia e do Sínodo local, as autoridades civis e governamentais locais, além dos representantes de igrejas e organismos ecumênicos locais, nacionais e internacionais com as quais a IECLB se relaciona.
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Os Delegados sinodais e os representantes com atuação marcante no Ministério compartilhado são eleitos pela Assembléia Sinodal, a partir das indicações encaminhadas pelos Conselhos Paroquiais, que, por sua vez, são compostos pelos Presidentes, Secretários e Tesoureiros de cada uma das Comunidades, pelos Obreiros nelas atuantes, por representantes de setores e pelos membros das Comunidades integrantes da Assembléia Sinodal. Os representantes de instituições e setores de trabalho são propostos pela Presidência e homologados pelo Conselho da Igreja.
O que é decidido pelo Concílio vale para toda a Igreja, portanto para todas as Comunidades, Paróquias, Sínodos, instituições, setores de trabalho e Obreiros, por isso a participação no Concílio é de tão grande responsabilidade, exigindo Delegados capacitados, preparados, e realmente identificados com a missão da Igreja.
Quem representa o Sínodo no Concílio fala e vota pelo seu Sínodo e não por si próprio ou suas idéias pessoais, pois está lá em nome de outras pessoas, ou seja, carrega consigo anseios, preocupações e conquistas daqueles que representa e vai defendê-los junto aos representantes dos outros 17 Sínodos, buscando chegar a um consenso sobre o que é melhor para toda a IECLB. No desempenho desse papel, ele não está sozinho, pois ainda conta com outros delegados, o representante no Conselho da Igreja e o Pastor Sinodal.