Lá iam o pai, montado no cavalo, e o filho, puxando o animal. Num trote cadenciado, deslocavam-se para a festa da Comunidade. Em uma curva, encontram-se com alguém que não havia gostado da festa. Vendo aquela cena, o caminhante não perdoou O senhor não tem vergonha! Deixar uma criança a pé e o senhor numa situação confortável, ralhou o transeunte.
Meio envergonhado, o homem desceu do cavalo e colocou o menino em seu lugar. Assim, foram por longas léguas até encontrar um vizinho, que olhou para o menino e disse, com olhar de quem exagerou na cerveja da festa, Garoto, onde está o respeito pelos mais velhos? Com vergonha, o menino desceu do cavalo.
Ao chegar à vila, todos estranharam aquela cena ridícula. Pai e filho carregavam o cavalo. Haviam atado as patas do animal e colocado uma vara nelas, levando o bicho nas costas.
No velho estilo, toda estória tem uma moral. A desta, aqui adaptada, pode ser a seguinte: Se a gente vive dando ouvidos ao que os outros dizem, nunca sabe o que fazer.
A sabedoria do leitor e da leitora utilizará esta história para exemplificar muitas situações. Da minha parte, vou me utilizar dela para tratar deuma preocupação que aflige muitas lideranças da nossa Igreja. Refiro-me às perguntas a respeito do crescimento de outras igrejas, enquanto a nossa continua estagnada numericamente.
Por que as outras igrejas crescem e a nossa marca passo? Continuo ouvindo as dores de Pastores e de lideranças a respeito do sucesso dos outros. De fato, a situação é dramática e as lideranças não sabem como lidar com ela, pois não basta repetir Lutero ou alguns versículos bíblicos.
***Quem vive dando ouvidos ao que os outros dizem, nunca sabe o que fazer***
Há muitas explicações levianas. Apresento uma: ‘as demais igrejas crescem porque falam aquilo que as pessoas querem ouvir’. De certa forma, seus líderes bem-sucedidos são como o pai e o filho que terminaram, após se deixar levar pela opinião dos outros, carregando o cavalo. O problema, contudo, é mais complexo, entretanto este não é o lugar para explicação, mas a oportunidade de colocar a nossa posição.
Evangélico-luteranos são protestantes. Logo, não poderiam se deixar guiar pela opinião da maioria ou viver como folha levada pelo vento. Lutero, certa vez, afirmou que Deus está no contrário, na cruz. Conseqüentemente, pessoas cristãs estão na contramão. Usam a sua força para se solidarizarem com os oprimidos e não para carregarem o cavalo.
Portanto, haveria somente uma razão para Pastores e Presbíteros
carregarem um cavalo sem caírem no ridículo: se o animal estiver machucado. No entanto, há gente em nosso meio que está disposta a isso e poderá ter sucesso por algum tempo.
Contudo, é necessário ouvir o que outros nos dizem, a fim de apreendermos a linguagem do povo, pela qual a vontade de Deus é anunciada. Nada além disso.
Por isto sempre oramos Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
P. Dr. Oneide Bobsin
Pastor da IECLB e Reitor da Faculdades EST