O Dia dos Namorados está aí. O amor está no ar, para felicidade dos jovens namorados e preocupação de muitos pais de adolescentes. Afinal, o que é este tal de ‘ficar’ que os jovens tanto falam (e fazem) hoje em dia? O compromisso é passado? O namoro e o casamento formal, ‘na Igreja e de papel passado’, serão apenas coisas das nossas avós? Para esclarecer essas dúvidas do relacionamento contemporâneo, comentar sobre o papel da Igreja junto aos jovens e auxiliar os pais de adolescentes com sugestões, convidamos o P. Valdir Rodolfo Gromann.
‘Os nossos jovens estão perdidos’. ‘São quase todos imorais’. ‘Os namoros de hoje não são como na minha época’. Certamente, você já ouviu uma frase semelhante. Esse não é um privilégio seu. Tantas pessoas e de diferentes gerações ouviram algo parecido. Como adultos, temos dificuldade em nos acostumar com a forma de viver dos jovens. Achamos que os jovens não levam a vida a sério, principalmente os relacionamentos.
Quando falamos em namoro, nos reportamos ao romantismo da minha ou da sua época e esquecemos que também nessa época havia pessoas que agiam de forma que escandalizavam outras. Criticamos o termo ‘ficar’, sem refletir se ele está ou não substituindo o ‘paquerar’ de outros tempos.
Porém, isso tudo não justifica os erros ou enganos da geração presente. Para melhor compreender o que os jovens pensam sobre ‘namorar’ ou ‘ficar’, apliquei um questionário em um grupo de luteranos que participavam de um Seminário de Lideranças sendo respondido por 13 rapazes e 13 moças. Nas respostas, ficou evidente a diferença entre o sentido de namorar e de ‘ficar’.
Para os e as jovens, namorar é um relacionamento sério de comprometimento e fidelidade ‘É a união de um casal com fidelidade e compromisso um com o outro. É como se fosse um casamento, mas sem morar juntos’. Ainda ‘É quando duas pessoas convivem com responsabilidade, respeito e abrem mão de algumas coisas’. Todas as respostas definiram namoro com um relacionamento sério e duradouro com o propósito de possibilitar que as pessoas se conheçam a fim de assumirem um compromisso ainda mais sério a partir do matrimônio.
Por outro lado, ‘ficar’ é um relacionamento sem compromisso, uma curtição momentânea, que, geralmente, não passa de alguns beijos ‘…ficam quando se encontram ou quando dá vontade’. Também é visto como uma oportunidade de conhecer outra pessoa e a si mesmo ‘É a busca por atenção, desejo e aprovação’.
Perguntados se já haviam sido discriminados por não ficarem com alguém, na idéia de que quem não ‘fica’ ‘fica de fora’ do grupo, dos 13 rapazes, 9 afirmaram que sim e, entre as 13 garotas, apenas 2 afirmaram que se sentiram discriminadas por não ficarem com uma pessoa.
Torna-se cada vez mais comum o fato de namorados viverem juntos como se fossem casados, são os chamados ‘namoridos’. Contudo, quando se separam, se dizem apenas ex-namorados. Isso mostra que este tipo de relacionamento é muito vulnerável.
No entanto, também vemos jovens cada vez mais responsáveis em seus relacionamentos, nos quais a Igreja tem papel fundamental como norteadora da vivência a dois sob a bênção de Deus.
Dicas para pais e mães de jovens
O namoro dos filhos sempre preocupa os pais. Não é só o sentimento de perda que está presente, mas também todo zelo e cuidado com aqueles que queremos bem, por isso algumas dicas podem ajudar:
1) Primeiramente, dispa-se da vergonha de falar sobre o assunto.
2) Demonstre interesse pelo bem estar do seu filho ou filha.
3) Converse abertamente sobre namorar e ‘ficar’. Se você não explicar nada, ele ou ela vai procurar alguém que o faça e talvez esta não seja a pessoa mais indicada.
4) Fale sobre valores, ética e cuidado.
5) Nos diálogos, evite termos muito técnicos, pois eles já cansaram de ouvir isso na escola.
6) Conquiste a confiança!
7) Lembre-se: ameaças só criam medo e afastamento. 
8) Comente sobre seu tempo de namoro, conte fatos e procure relacionar com o namoro nos dias atuais.
9) Tenha liberdade de falar sobre relações de gênero, sexualidade, DSTs e gravidez.
10) Lembre que homem e mulher não são sexos opostos, mas complementares, criados à imagem e semelhança de Deus.
P. Valdir Rodolfo Gromann, pós-graduado em Psicologia e Aconselhamento Pastoral, atualmente é membro do Conselho Nacional da Juventude Evangélica (Conaje), Orientador Teológico da Juventude Evangélica (JE) no Sínodo Rio Paraná e atua como Pastor na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Vila Nova, em Toledo/PR.
Cuidando de uma relação com história, presente e mistério
Só um pouquinho… São só os jovens que namoram? É claro que não! Por que os casados não podem cultivar o namoro no seu relacionamento? Não só podem como devem. Essa é a temática abordada pelo P. Orlando Moacir Keil, que, em todo o texto a seguir, deixou de utilizar uma palavra em especial. O leitor seria capaz de descobrir qual? ‘Não’, pois, em um relacionamento, ser positivo o máximo possível, embora nada fácil, é fundamental!
Numa vida a dois, existe também o ‘permanecer’, no qual homem e mulher ‘ficam’ ontem, hoje e amanhã. Trata-se de uma relação que tem história, presente e mistério (referência a um modo de interpretar a vida em que o passado é história, o futuro é um mistério e o presente, como sugere a palavra, é um presente).
Feliz é o casal que vive as três dimensões do relacionamento, que aprende com as experiências do passado e cria uma história comum. Esta é a nossa história, este é o nosso acervo, estas são as nossas fotografias. Nosso relacionamento é fruto das nossas escolhas. Somos responsáveis pela construção do nosso relacionamento. Ele se configurou deste jeito porque nós assim o formatamos. Até do limão fizemos uma limonada.
Feliz é o casal que se deixa surpreender pelo futuro, que está aberto para o novo, em que a gente morre e não vê tudo. Existe um depois, existe uma coisa que se chama esperança. Uma relação que semodifica, que permanece e cresce, na qual a vida é mais do que já se aprendeu, é alguma coisa nova, que renasce, que se modifica e que passa sempre por novas etapas.
É também um presente. Feliz é o casal que assume o aqui e agora e vive o presente com a mesma alegria de uma criança que desembrulha o seu presente de Natal. Que faz do agora uma experiência completa de significados. Muito mais do que meros consumidores, porque são produtores do filme da sua vida, são escritores do script dos seus papéis, ‘respons + hábeis’, isto é, são hábeis em construir novas respostas, com jinga de corpo,com flexibilidade, fazendo mais daquilo que dá certo e menos daquilo que dá errado.
Estou falando de uma relação do ‘cuidar’, em que um cuida do outro e ambos cuidam da sua relação, em que a relação é como um jardim que é cultivado e os cônjuges são os jardineiros que investem no cultivo do seu casamento.
Imaginem seu casamento, sonhem com uma vida a dois mais feliz e mãos à obra. Deixem que
o imaginável se torne realidade. Deus é cúmplice desta nova construção Seu amor constrange e possibilita viver vida abundante (João 10) também dentro do casamento.
Assim, baseados na Palavra de Deus, vão perceber que o projeto de Deus para o casamento é viver uma unidade (uma só carne, conforme Gênesis 2.24), uma comunhão de reciprocidade, que se caracteriza pelo constante ‘renamoramento’.
Leiam e se inspirem em Cantares de Salomão. Um livro repleto de idéias e dicas de como ‘cuidar’ um do outro.
P. Orlando Moacir Keil é Terapeuta de casais e famílias, pós-graduado e especialista em família pela Unisinos e Mestre em Teologia pelo IEPG na área do Aconselhamento Pastoral.