IECLB: Igreja missionária
Pa. Ivoni Richter Reimer, Doutora em Teologia, Biblista, Professora, membro-fundadora da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica, Assessora do Centro de Estudos Bíblicos e do Serviço de Animação Bíblica Atua como Pastora voluntária na Comunidade de Goiânia/GO
A identidade luterana carrega em si a vocação missionária como resposta ao amor gratuito e misericordioso de Deus: em Cristo, somos pessoas libertadas do pecado e da escravidão e, em gratidão, o que podemos fazer é servir a Deus e ao próximo, vivenciando e anunciando esse amor que liberta! Este é um dos fundamentos bíblicoteológicos redescobertos por Lutero que precisa ser reacendido em nossos corações e práticas atuais, em nível pessoal, familiar, eclesial e social!
Esta vocação missionária é dada a cada pessoa batizada que, pertencendo ao Corpo de Cristo – a Igreja -, deve se orientar pela Palavra, colocando Cristo no centro das decisões. A missão é de Deus e nós participamos dela no anúncio e na construção de sinais do seu Reino de paz e justiça.
O testemunho missionário é profético: proclama o amor de Deus por nós e pelo mundo, denuncia injustiça, violência e corrupção, anuncia arrependimento e transformação para quem peca, para que a vida possa ser mais feliz!
Participar dessa missão exige atitudes proativas: colocar a vida digna e justa no centro da ação que brota do amor de Deus, do compromisso com a práxis libertadora de Cristo e da comunhão que o Espírito Santo possibilita.
A IECLB, com todos os seus membros e organismos, tem esta identidade, vocação, testemunho profético e proativo. Às vezes, porém, faltam-nos coragem e ousadia de vivermos o que, pela fé, já somos!
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Para refletir, leia Gálatas 5 |
Missão na IECLB
P. em. Günter Karl Fritz Wehrmann, Formado em Teologia no Missionsseminar em Hermannsburg, na Alemanha. Aposentado desde 2005, atuou como Pastor na IECLB em nível comunitário e como Assessor e Professor
Em obediência ao mandamento do Senhor, a IECLB, através de suas Comunidades, tem por fim e missão: I propagar o Evangelho de Jesus Cristo; II estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária; III promover a paz, a justiça e o amor na sociedade; IV participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo (artigo 3º da Constituição da IECLB).
Jesus Cristo, nascido, crucificado, ressuscitado e sentado à direita de Deus Pai em favor de nós – é Senhor, origem e alvo da missão de Deus no mundo, que objetiva promover a paz, a justiça e o amor na sociedade e, subentende-se, em toda a criação.
Essa tarefa é maior do que uma pessoa cristã ou uma Comunidade, uma Igreja, um partido ou um Governo por si só possa cumpri-la, mas todas as pessoas cristãs, de todas as igrejas, todos os Governos e todas as pessoas de boa vontade são dignificados, capacitados e enviados a servirem, cada qual em seu âmbito e em conjunto, a fim de serem instrumentos dessa missão de Deus.
É desse modo que o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), aprovado no Concílio de 2000, já o expressou. Essa é a dimensão universal da missão. Ela começa no nível pessoal e familiar, passa pelo comunitário, sinodal, nacional e ecumênico e permeia os níveis sociais em todos os âmbitos.
Como membros da IECLB, estamos comprometidos com uma contribuição própria e muito preciosa, pois no mundo em que tudo deve ser pago e conquistado, testemunhamos, em palavra e ação, que Deus nos justifica por graça e fé. Isso cria relações de solidariedade, doação, justiça, paz e amor.
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Para refletir, leia Efésios 2.8-10 |
Nossa paixão: missão
Pa. Regene Lamb, fez Mestrado na EST, exerceu o Pastorado nas Paróquias Sul de Rondônia/RO, Rolim de Moura/RO, Porto Velho/RO e Erval Seco/RS e coordena o Conselho de Educação Cristã do Sínodo Centro Campanha Sul. Atua como Pastora na Paróquia de Cachoeira do Sul/RS
Na IECLB, falamos muito sobre a missão de Deus, tema vital para as comunidades cristãs. David Bosch, um Professor de Missiologia da África do Sul, escreveu um livro, chamado Missão Transformadora – Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão, que mostra quão rica e diversa é a compreensão do significado de Missão no decorrer da história do Cristianismo e como se chegou ao conceito Missão de Deus.
Missão foi compreendida como ‘salvar indivíduos da condenação eterna, apresentar as bênçãos e privilégios do Ocidente cristão às pessoas do Oriente e do Sul, expansão da igreja ou de uma denominação específica ou como um processo através do qual o mundo seria transformado em Reino de Deus’.
Após a Primeira Guerra Mundial, passou-se ao desenvolvimento da doutrina da Missão de Deus (missio Dei). Nesta nova compreensão, Missão é um atributo de Deus e a igreja é um instrumento para esta missão. Participar da missão é participar do movimento de amor de Deus para com as pessoas. Deus, o Pai, envia o seu Filho, Jesus Cristo, ao mundo. O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo. Em unidade, criam a igreja e a enviam para dentro do mundo.
Nem a igreja ou qualquer outro agente humano pode ser considerado autor ou portador da Missão, pois Missão é, primordialmente e em última análise, a obra do Deus Triúno, Criador, Redentor e Santificador por amor ao mundo, Ministério no qual a Igreja tem o privilégio de participar e por isto é a nossa paixão.
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Para refletir, leia João 3.16 |
A razão de ser da Igreja
P. Elio Scheffler, foi Pastor Sinodal do Sínodo da Amazônia e trabalhou na Werkstat Ökonomie em Heidelberg e Ökumenische Werkstatt em Kassel. Atua na Paróquia de Cachoeira do Sul/ RS
Certo dia, uma senhora chegou ao culto juntamente com os seus filhos e disse ‘Pastor, vim rezar na minha Igreja hoje, pois amanhã vou me submeter a uma cirurgia muito difícil e quero que a oração com Deus possa me amparar. Sou humilde serva, mas faço a missão dele’.
Quando do primeiro encontro semanal do Grupo Esperança, após a minha reflexão sobre o texto de Mateus 6.22 Os olhos são a lâmpada de nosso corpo, esta senhora pediu a palavra. ‘Quando da minha cirurgia, abri as minhas mãos e falei nesta estás tu ó Deus, e nesta estás tu ó Jesus, sou teu, me ajude, pois quero te ajudar na tua missão neste mundo. Aqui estou, curada, sorridente, feliz e posso servir a Deus através da minha Igreja, que tanto adoro e onde sinto vidas sendo transformadas’.
Testemunho profundo, a gratuidade de Deus é fantástica na Teologia luterana. Ao pertencermos a Deus, necessitamos fazer a sua vontade sob todas as formas de ação e testemunhos: ir ao encontro das pessoas e falar da nossa vivência de fé, da alegria por podermos ser uma Igreja, Comunidade que é ajudada e ajuda.
Que o nosso corpo possa ser como um brilho, uma lâmpada para as pessoas ao nosso redor. É impossível viver a missão de Deus sem saber (re)viver o seu amor por nós. Contagiar pessoas para a ação missionária, ofertar com alegria os seus dons e bens, fascina, é luz que deve brilhar em cada Comunidade. Na mão direita está Deus, na mão esquerda está Jesus, e aqui estou eu para fazer a missão de Deus neste mundo.
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Para refletir, leia 1 Pedro 5.1-4 |