Educ(arte) para Cristo
Catequista Louis Marcelo Illenseer, Maestro de coros infantis e adultos, Compositor, Arranjador de música sacra para grupos vocais e instrumentais e Professor de Música em escolas da rede municipal de Sapiranga/RS. Atua na Paróquia São Lucas e na Unidade Dohms Lindóia, ambas em Porto Alegre/RS
O Culto Infantil ou o Encontro Bíblico com Crianças é um espaço em que as crianças podem refletir sobre os conteúdos da fé cristã e, ao mesmo tempo, envolver-se na vida comunitária. A comunicação da liturgia no culto, por exemplo, tem várias funções, dependendo do momento litúrgico. No Kyrie eleison, lembramos os clamores do mundo cantando.
Em uma experiência, as crianças que participavam do Culto Infantil produziram cartazes com recortes de jornais sobre cenas de sofrimento. Conversamos com elas sobre o momento litúrgico do Kyrie eleison e a importância de orarmos pelas dores do nosso mundo. Logo as crianças lembraram que o Kyrie eleison é cantado normalmente no culto.
Então, ensaiamos a composição do P. Roberto Batista, o Kyrie Criança. Na liturgia de entrada, em vez da Comunidade cantar o kyrie habitual, as crianças cantaram o Kyrie Criança e apresentaram os seus cartazes, caminhando pela Igreja. Na sequência, cantamos com a Comunidade um Glória que também foi ensaiado pelas crianças.
Nessa experiência, refletimos com as crianças em torno da liturgia, um conteúdo da área temática Missão (Plano de Educação Cristã Contínua da IECLB – PECC), e exploramos a expressão plástica, com a confecção de cartazes, e a expressão musical, por meio das canções. Todo esse processo culminou com a inclusão e a participação das crianças no culto comunitário.
| Para refletir, leia Colossenses 3.12-17 |
Contar e ouvir histórias
Catequista Marta Nörnberg, Doutora em Educação pela Ufrgs. Atua como Coordenadora Pedagógica do Colégio Sinodal, em São Leopoldo/RS, e como Presidente do Conselho de Missão entre Índios (Comin)
Vivi a experiência de ouvir várias histórias bíblicas contadas por uma tia. Muitas vezes, as histórias foram contadas no espaço de tempo em que caminhávamos pelo campo em busca de algum animal desgarrado do rebanho. Aos domingos, com muita alegria, a minha irmã e eu íamos com o papai à cidade para, no Culto Infantil, ouvir histórias de Jesus.
Quando contamos ou ouvimos histórias, podemos elaborar as situações que enfrentamos no dia a dia. Hoje, sei que, com as histórias, aprendi a refazer perguntas e a responder questões da nossa existência.
Ao longo da minha formação, fortaleci a compreensão de que a narração de histórias tem um viés fortemente pedagógico, por isso entendo que a educação na fé, das crianças e dos jovens da Comunidade, precisa ser acompanhada de muitos momentos nos quais pessoas adultas, principalmente, ocupemse com a tarefa de narrar histórias bíblicas.
Além do conteúdo das histórias, ainda trago da minha infância a agradável sensação que sentia ao caminhar pelos campos ouvindo histórias. Com certeza, as palavras ditas pelas contadoras de histórias da minha infância marcaram a minha forma de confiar e agir neste mundo. Aprendi que uma história contada ou ouvida em um contexto em que o respeito está presente possibilita que a gente possa perguntar e pensar sobre as situações da vida e, sobretudo, aprender a amar, a confiar e a cuidar das pessoas e do mundo.
| Para refletir, leia Deuteronômio 6.20-25 |
Educar para a missão
Catequista Mariane Noely Bail da Cruz, formada em Educação Cristã pela EST. Atua como Assessora do Departamento Sinodal do Culto Infantil no Sínodo Norte Catarinense
Ao ler o Evangelho de Lucas 18.15-17, vem à mente a imagem de Jesus abrindo os braços e sorrindo para as crianças, para recebê-las em um aconchegante abraço. Jesus abençoou as crianças. Esta era a forma de Jesus ensinar, aproximando-se das pessoas, olhando em seus olhos, parando no caminho para ouvir o clamor de quem o chamava, falando sobre o Reino de Deus de um jeito simples e profundo. As pessoas gostavam de ouvi-lo e se alegravam com a Boa Nova do Reino. Jesus ensinava com paixão pelas pessoas.
Educar para a paixão pela missão é isso, chamar (ou trazer) as crianças para perto da palavra de Deus, acolhê-las com carinho, atenção, ouvir sobre as suas dores e alegrias, ajudar para que se desenvolvam integralmente e possam exercer desde agora o sacerdócio de todos os crentes, pois são membros do corpo de Cristo desde o seu Batismo. As crianças não precisam ficar adultas para colaborar com a missão de Deus e, desde agora, podem dar o seu testemunho de fé na Comunidade, na família e onde quer que estejam.
No encontro com e das crianças, há evangelização por meio da narração de histórias bíblicas, dos hinos, das orações, das vivências partilhadas e do testemunho – que educadores cristãos compartilham no seu convívio em amor e paixão pela missão de Deus.
Neste trabalho, o Espírito Santo dá ânimo e dons para que gestos como os de Jesus se façam presentes, acolhendo em amor e alegria.
| Para refletir, leia Lucas 18.15-17 |
Culto na Comunidade
Catequista Edla Brinckmann, Psicopedagoga, exerceu o Ministério na ADL/ES e integrou a equipe do Departamento de Catequese da IECLB. Atua na Paróquia Evangélica em Portão/RS
Nos Seminários Nacionais de Capacitação para Equipes Sinodais Multiplicadoras do Culto Infantil, foi decidida a mudança do material didático usado com crianças. No lugar do Manual para o Culto Infantil, foi publicada a série Encontros Bíblicos com Crianças cuja proposta está inserida na reflexão sobre Educação Cristã Contínua na IECLB e parte do princípio que o culto é da Comunidade e todos os grupos (crianças, jovens, mulheres e homens) participam dele, embora tenham os seus encontros específicos.
A partir desta reflexão, foi percebida a necessidade de alterações na forma de celebração dos cultos. Em muitas Comunidades, foi colocado um tapete com almofadas, no lugar dos primeiros bancos, em que as crianças permanecem, com lápis de cor, papel e livros com figuras. Alguns hinos que as crianças sabem são cantados e, na prédica, é incluída a narração de uma história. Se o Culto Infantil é oferecido nos horários do culto da Comunidade, as crianças são excluídas na participação da comunhão maior da Ceia do Senhor.
Além da participação nos cultos, as crianças podem ser incluídas em várias atividades com adultos, como os encontros da OASE, pois muitas avós e mães necessitam cuidar dos filhos e netos. Outros espaços importantes são: noite do pijama, encontros de famílias e piqueniques. O importante é que nesses espaços sejam realizadas atividades para adultos e crianças.
| Para refletir, leia João 6.1-15 |