O início
O início das Comunidades evangélicas no Brasil foi bem difícil. Relatos contam que as perseguições deixaram marcas profundas nas Comunidades que viviam na clandestinidade em meio a um fervor da Igreja oficial – católica. Ouvi de muitas pessoas idosas ‘Ficávamos quietos, pois protestantes não eram bem-vindos em todos os lugares’. As pessoas aprenderam a não se expressar sobre a sua vida religiosa.
Havia poucos Pastores e alguns percorriam enormes distâncias para reunir famílias, batizar, casar e confirmar. Na maioria dos lugares, as pessoas organizavam a sua vida religiosa sem a presença de um Pastor. Escolhia-se uma liderança ou então Professores que trabalhavam nas escolas, construídas para organizar celebrações com leitura bíblica, cantos e orações. A Bíblia, o hinário, o catecismo e o livro de orações não faltavam na mudança de ninguém. Isto aconteceu tanto com os nossos antepassados que vieram da Europa como com quem se deslocava no Brasil de uma região para outra e acontece hoje ainda para quem vai a lugares onde não existem Comunidades da IECLB.
‘O nosso primeiro passo no lugar, em meio ao mato, era continuar a viver sob a bênção de Deus, construir local para encontro, escola para os nossos filhos e pensar na nossa saúde. A preocupação era ter algo em comum para a sobrevivência em meio às dificuldades imensas’, contam os mais antigos.
Organizados em Comunidade
Pessoas chamadas por Jesus para viver a fé e organizadas a partir da Palavra de Deus, que experimentaram a vida em Comunidade, fazem de tudo para edificar Comunidades mesmo nos lugares mais difíceis e distantes. Quem viveu ou ouviu falar em Comunidade de fé, quer também provar desta convivência. ‘Ouvimos dos nossos antepassados, aprendemos da Sagrada Escritura e, despertados por Deus, queremos organizar a nossa Comunidade’, disseram membros em um Ponto de Pregação de uma pequena cidade. ‘Já construímos Igreja em tantos lugares. Vamos conseguir aqui também!’.
Beleza e dificuldade
Não há como citar o número de pessoas que investiram os seus dons e talentos na nossa Igreja e, por isso, merecem uma palavra de gratidão. Ouvindo relatos de pessoas idosas, ainda me surpreendo com as dificuldades que enfrentavam e como batalhavam para organizar, enfim edificar Comunidade.
Hoje, somos um número grande de membros na IECLB. Em todo o Brasil e nos lugares mais distantes, temos o nosso espaço conquistado pela vivência pública da nossa fé. Muitas lideranças, Presbíteros, Presbíteras e, inclusive, Ministros e Ministras são filhos e filhas de pessoas que doaram tempo e dinheiro para a construção de Comunidades da IECLB.
A família Rech construiu uma casa com uma vasta área para receber os vizinhos no dia culto em sua casa e os alunos de flauta do bairro. Há pessoas que relatam como puxaram as madeiras para construir a Igreja. São muitos os testemunhos!
As lições que as pessoas, as Comunidades, deixaram, permanecem. São sementes lançadas em solo fértil, com o impulso do Evangelho de Jesus Cristo. Muitas pessoas se beneficiaram com a existência de uma Comunidade. Este ciclo continua, pois você está colhendo e semeando.
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Riqueza/bens = pessoas/membros
O que seria da nossa Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil sem a riqueza de pessoas, homens, mulheres, crianças, idosos e idosas que preenchem de vida dos templos, sejam eles prédios grandes ou pequenos.
Conheço muitos Pontos de Pregação que não possuem templo nem pavilhão, mas têm pessoas, luteranos e luteranas que se reúnem na casa de famílias, membros da Comunidade, cuja Igreja mais próxima ainda fica distante.
Nas Igrejas construídas com muito amor e empenho, quando chego para o culto, geralmente já vejo algumas pessoas ocupando os seus lugares. Após 15 minutos, as cadeiras ou bancos vazios, com aparência fria, vão sendo preenchidos por gente que dá vida e movimento a uma estrutura rígida.
Em seguida, aparecem as crianças! Lá vêm elas correndo para abraçar e esperar o feliz encontro do Culto Infantil.
Também chega o grupo de música, mais uma vez pessoas dando dinâmica ao templo, à Igreja, com o louvor por meio da música e do canto. São membros jovens e outros com mais idade.
Os membros do Presbitério estão conversando e planejando o que podemos melhorar.
No culto, temos o privilégio de presenciar a enorme diversidade de pessoas que se reúnem para o encontro comunitário com Deus, ouvir sua a Palavra para a vida do dia a dia que acontece no palco do mundo.
Crescimento
Ah, temos muito para melhorar! Ouço sempre de algumas pessoas na Comunidade ‘Precisamos investir mais tempo ainda em missão e evangelização’. Percebo que estamos aprendendo. Há sinais! Fiquei muito emocionada quando vi crianças trazendo uma latinha cheia de moedas para a Ação Missionária. Lembrei de Érico, ao falar sobre a sua oferta de gratidão, quando disse ‘O que o meu pai e eu contribuímos para a Igreja, a escola e o hospital não nos falta hoje, pois já recebemos em bênçãos’.
Jesus chama: venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente.
Mateus 4.19 |
Acolhida
A IECLB é grata pela dedicação das pessoas nas Comunidades e, com alegria, pode convidar, pois há lugar e temos a oferecer o que não vem de nós, mas Deus nos dá. Muitas pessoas encontraram este lugar, como Mário: ‘Na Igreja luterana, encontrei o jeito de viver a fé sendo eu mesmo. Junto com irmãos e irmãs, diferentes, posso buscar orientação na Palavra de Deus para a vida. A minha Comunidade, a minha família de fé, também tem problemas, discussões, disputas, preconceitos, mas uma família que se alimenta no Evangelho de Jesus Cristo consegue falar sobre dúvidas e fraquezas à luz da Palavra de Deus. Quero compartilhar este sentimento com os meus amigos e convidá-los para a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pois esta é a melhor escolha para a vida’.
Jussara casou e, após o nascimento da sua filha, ficou viúva. Como sobreviver? Hoje, ouço Jussara, Presidente do grupo de OASE, com o seu atual marido, leitor e Orientador do Ensino Confirmatório, e a sua filha, Orientadora do Culto Infantil, dizer que ela está viva e bem porque teve a Igreja, a Comunidade, a OASE, onde buscou forças em Deus junto aos irmãos e às irmãs de fé. Jussara sempre diz ‘Queremos servir muito, pois somos uma família feliz’.
Ide! Fazei discípulos
Deus nos usa conforme os nossos dons, os nossos talentos e nada exige além das nossas possibilidades, mas também reprova a nossa falta de ação na missão, por medo de arriscar. Somos tímidos, mas Jesus diz Ide! Fazei discípulos (Mateus 28).
| Pa. Silvia Betrice Genz, Pastora 2ª Vice-Presidente da IECLB |