Estudos Bíblicos da Federação Luterana Mundial
sobre o Tema “O Pão Nosso de cada dia dá-nos hoje”
ESTUDO Nº 04 – TENDO O SUFICIENTE
Título: Dá-nos hoje nosso pão diário (Mt. 6:11)
O Significado da palavra
As palavras “diário” e “hoje”, na Oração do Senhor, deveriam ser claramente diferenciadas. “Hoje” refere-se a um período de tempo, enquanto a palavra “diário” significa alguma coisa que é “apropriado”, “que serve (no sentido de tamanho)” ou “suficiente” para um determinado tempo ou propósito. Ao explorar as implicações da palavra, nós chegamos a muitas passagens bíblicas que falam a respeito do que é suficiente, do que está adequado às necessidades humanas.
A VIÚVA E O PROFETA (I REIS 17:1-16)
Hospitalidade em tempo de fome
Mais uma boca para alimentar era a última coisa que esta mulher precisava. Como se ela já não tivesse suficiente preocupação para manter a si própria e a seu filho vivos. Desde a morte de seu marido ela era a única provedora para ambos. As tulhas de alimentos estavam vazias. Ela tinha chegado já à certeza de que ela e seu filho, em breve, morreriam de fome. Ela agora estava pronta para preparar sua última refeição, usando a última porção dos ingredientes essenciais: farinha e azeite.
Então, aparece este estrangeiro desgrenhado. Desde o começo, há um desequilíbrio de poder entre os dois. Ele assume o comando. “Traga-me uma fatia de pão” (17:11), ele exige. E quando ela jura que não há pão na casa e somente dispõe de uma mão cheia de farinha e azeite para a última refeição de seu filho, ele insiste: “primeiro faça um pequeno bolo e o traga para mim” (17:13). Mesmo sem ser convidado, ele próprio se faz de hóspede naquela casa. E ele diz a ela o que ela deve fazer – para ele! Ele a desafia a repartir o pouco que é insuficiente mesmo para a própria sobrevivência dela. E ela obedece!
As regras de hospitalidade em cada cultura são bastante complexas. Visitantes ocidentais convidados para um jantar em casa de determinadas culturas orientais podem ficar bastate surpresos ao verificarem que seus hospedeiros não comem com eles. É o costume. Mais precisamente: é a lei da hospitalidade que não deve ser violada. “Não, não, nós não vamos comer com vocês! Vocês são nossos hóspedes!” Os visitantes parecem um tanto perplexos. Era estas as regras de hospitalidade que estavam em vigor na Fenícia naquele tempo, também?
Mesmo de acordo com as regras de hospitalidade de sua própria sociedade, o visitante israelita (que depois explicou ser um profeta) comporta-se de maneira estranha. Ele se arroga o direito de dizer para sua hospedeira o que fazer e exige ser servido em primeiro lugar. A polidez usual exige que na casa de seu hospedeiro, os hóspedes comam o que colocado diante deles. Mas a mulher não leva em consideração o comportamento inamistoso de seu hóspede indesejado. Ela se comporta como uma hóspede modelar. Ela não insulta o seu hóspede, embora ele tenha sido tudo, menos polido, com ela. Ela faz o que ele tinha pedido. Ela reparte o seu último naco de comida. É bem verdade que o hóspede indesejado lhe assegurara que “O Senhor, Deus de Israel” diz “o jarro da farinha não ficará vazio e a medida de azeite não acabará até o dia que o Senhor enviar chuva sobre a terra” (17:14), mas o que significa isto para ela, uma mulher da Fenícia, a terra de Jezabel? Será que o Deus de Israel vai realmente cuidar dela?
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