Compreensão do prejuízo para si e para os outros
O uso de substâncias lícitas e/ou ilícitas é epidêmica e uma questão de saúde pública cujo consumo vem aumentando significativamente em todos os níveis sociais da nossa população. Quando classificamos as substâncias como drogas lícitas ou ilícitas, entendemos que lícitas são aquelas que podem ser comercializadas e consumidas pela população, com certo controle e recomendações dos órgãos competentes.
O cigarro é uma droga lícita, embora a nicotina seja uma substância que crie dependência química e, a cada dez pessoas que experimentam, cinco vão ficar dependentes. Além disso, o cigarro é responsável por uma grande variedade de doenças, em que destacamos o câncer de pulmão (o cigarro é responsável por 90% dos casos), temos a poluição do meio ambiente e muitos incêndios gerados pelas guimbas de cigarro.
Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, de cada dez pessoas que experimentam, uma vai criar dependência. O consumo de álcool também é responsável por uma variedade de doenças, como câncer de esôfago, boca e garganta ou cirrose hepática e/ou pancreatite. As mulheres são mais sensíveis ao álcool, pois têm mais tecido adiposo (gordura) e 30% menos de uma substância (enzima) produzida no fígado, responsável pela metabolização (destruição) do mesmo. Também cada um de nós conhece casos de desajustes nas famílias e tantos acidentes automobilísticos causados por motoristas alcoolizados.
Existem, ainda, várias outras drogas lícitas, tais como os medicamentos para emagrecer, para criar mais musculatura, vendidos nas academias, e os tranquilizantes. Também estas substâncias trazem sérias consequências para a saúde do usuário.
Quando me refiro às drogas ilícitas, entre várias, quero destacar a cocaína e os seus derivados. De cada dez que provam, nove vão ficar dependen-
tes. Sendo o crack e, agora, o óxi, os mais potentes, pois são inalados e, em 10 segundos, já estão atuando no sistema nervoso central, liberando
uma substância chamada dopamina, que dá a sensação de bem-estar.
Na maioria das vezes, o primeiro experimento já é suficiente para criar dependência e cada vez é necessário usar mais droga para liberar dopamina. Como consequência, o usuário pode evoluir para overdose. Todos os dias, podemos ver na mídia exemplos de famílias em desespero e desestruturadas em função de entes queridos que se tornaram dependentes do uso de drogas.
Nós, como Igreja, juntamente com outros movimentos, governamentais ou não, precisamos nos engajar cada vez mais no intuito de encontrar o caminho para a luz no final do túnel.
Para refletir, leia 1Coríntios 6.12
Dependência química e fé
Diariamente, vemos fervorosas demonstrações de gratidão de pessoas que alcançaram um objetivo. O Graças a Deus virou jargão popular Graças a Deus, estou curada!, Graças a Deus, deu tudo certo! Isso acontece porque é fácil ter fé quando as coisas dão certo, quando tudo vai bem. O difícil é ter fé na adversidade e é por isso que ninguém diz Graças a Deus, estou doente!, Graças a Deus, deu tudo errado! Em Mateus 14.28-31, quando Pedro caminha sobre as águas em direção a Jesus, a sua fé parece firme, mas, diante do primeiro vento, a sua certeza é abalada e ele começa a afundar. Da mesma forma, também é difícil manter a fé quando a estrutura familiar é abalada pela dependência química.
A dependência corrói a família por dentro, destruindo não apenas o próprio dependente, mas também tudo – e todos – que o cercam. É nesse momento de turbulência que a fé tem um importante papel. A fé gera esperança e a esperança pode trazer profundas transformações emocionais e psicológicas. A fé pode abrir o coração para o poder restaurador de Deus, mas é Deus, e não a fé, que realiza o milagre.
Não é somente a fé na religião, mas também a fé no tratamento que têm sido importantes elementos para a sua eficácia. Na maioria das comunidades terapéuticas, existe um reconhecimento da espiritualidade como fator importante para o tratamento e a recuperação em dependência química.
A fé também tem um importante papel na prevenção do uso de substâncias psicoativas. Vários estudos indicam que a religião e o apoio da Igreja são importantes promotores de resiliência na vida dos jovens. Uma pesquisa de São Gonçalo aponta que a transgressão e o uso de drogas foram significativamente mais presentes entre jovens que não seguem uma religião. Dos que não cometeram transgressão, 80,1% têm religião e, da mesma forma, adolescentes com engajamento religioso usam menos álcool e drogas em relação aos que não possuem religião.
Não é fácil ter fé nas adversidades, mas vale lembrar que, mesmo quando Pedro teve a sua fé abalada, Jesus não o abandonou, pelo contrário, estendeu-lhe a mão, porque essa é natureza do Cristo e é esta certeza no amor de Deus que deve nos servir de fortaleza nos momentos de dificuldade. Assim como Jesus estendeu a sua mão para Pedro, também a estende para os dependentes e seus familiares e cabe a nós fazer o mesmo. Que possamos seguir o exemplo de Jesus, estendendo as nossas mãos para quem mais precisa, amando uns aos outros no amor de Cristo.
Para refletir, leia Provérbios 23.29-35