No mês de abril, celebramos a Páscoa: para o povo do Antigo Testamento, uma festa de passagem, de libertação, e, para o povo do Novo Testamento, celebração da ressurreição de Jesus Cristo. Para nós? Dias livres? Não para todos! Encontro familiar? Oportunidade de lucro para o comércio, que atrai ingênuos e afugenta empobrecidos da sociedade, que mais e mais querem ‘ter’ em vez de ‘ser’?
Nós, luteranos, afirmamos: Deus é o Deus da justiça, pois, com a crucificação de Cristo, tem início uma nova justiça, uma nova relação entre Deus e o ser humano e toda a sua Criação. Cristo personifi ca a graça de Deus! Assim, feriados deveriam ser oportunidades para uma autoanálise, em especial, como sociedade, e a percepção que, em Cristo, Deus quer entrar noz todo da nossa existência (João 1.14).
Aliás, cabe a pergunta: quantos feriados a sociedade suporta e qual é o real significado e proveito destes para a sociedade? Vem aí a Copa do Mundo, durante a qual muito mais dias que os feriados oficiais serão usados, mesmo sabendo que o tempo de jogo é de apenas 90 minutos, no máximo 120, considerando toda a logística envolvida.
A Igreja Cristã é desafi ada a discernir claramente entre morte e vida e tomar para si a advertência de Friedrich Nietz sche (Filósofo alemão do século XIX) que intitula essa mensagem. Se há sepultura é porque houve cruz e morte e não apenas em prédios públicos, também nas ruas e nas cidades, na terra e nos campos. Nós cremos na ressurreição – assim confessamos no terceiro artigo do Credo Apostólico – embora saibamos que a mensagem pascal, anunciada e ouvida, seja também anúncio da Sextafeira Santa e vice-versa.
Ambas continuam atuais e necessárias! Apenas podemos narrar e contar – temos isso nos nossos cultos?! – sobre o ressurreto se reconhecermos no crucificado o ressurreto, como nos relatam João 20.20 e Marcos 16.6.
Sim, pois a Igreja está sendo mais e mais tentada a reproduzir nas suas fileiras e na membresia aquilo que permeia e marca a nossa sociedade. Embora ‘filha do seu tempo’, a Igreja é chamada pelo seu Senhor e qualificada pelo Santo Espírito para viDas comunhão. Está na hora de sair de casa. Dispõe-te, vai à grande cidade... (Jonas 1).
P. CARLOS MÖLLER
Pastor
1º Vice-Presidente daIECLB