Pa. Elisabet Lieven, formada pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral na Paróquia de Funil, em São José do Mantimento/MG, na Paróquia no Vale do Paraíba, em São José dos Campos/SP, e na Comunidade em Teófilo Otoni/MG. Atua, desde fevereiro, na Paróquia em Santa Maria de Jetiba/ES
A alegria de viver
Sabe qual é a minha alegria? Poder voar! Ser uma borboleta que passa, volta e meia, por metamorfoses ambulantes. Muitas vezes, metamorfoses sofridas para sair do casulo que acomoda ou que não encontra tempo para o essencial. Minha outra alegria? Compartilhar a vida com as pessoas amigas e verdadeiras, que não têm receio de mostrar os seus monstros e as suas angústias, o seu riso e as suas gulas.
Também sinto alegria de nadar! Ser peixe que desova lá no alto depois da cachoeira borbulhante e cheia de promessas ‘não inalcançáveis’. Gosto de ser abelha, que trabalha em busca do mel, mesmo com pouca flor por aí, e que percorre grandes distâncias para encontrar água. Ser girassol também é muito bom, me faz mirar o Sol e me orientar pela rotação e pela translação da vida.
A alegria vem de ser o que gostamos de ser. A alegria tem poder! Ela desarma projetos de mesquinharias e motins de rabugices, amolece padrões e questiona verdades absolutas que se sentem autossuficientes. Não precisa muito! Melhor, quanto menos precisa, mais intensa a alegria. As coisas boas são as coisas mais simples, aquelas que não custam nem um centavo, como um beijo, um sorriso, um abraço, um carinho, um suspiro, um olhar… O verbo da alegria é esperançar e, assim, transbordar.
A fé nos desafia a vivenciar a alegria. Jesus ensinou que, na vida, precisamos de pouco. Precisamos de água potável e fresca, fruta madura tirada do pé e sem agrotóxico, colo de alguém que nos ame e ore por nós, um bolo cheiroso com café coado no coador de algodão, flores naturais com ramos de alecrim para cheirar pela casa, pão integral e feito com mãos que trabalham dia a dia, sem precisar de ‘farinha melhorada’.
Nessa mesa, não queremos a televisão ligada. Desejamos olhares de cumplicidade, de doçura e de incentivo, palavras sem pressa e sem violência, canções na varanda, com poesia de cada geração. A alegria custa tão pouco! O gosto por cultivar a alegria está no cotidiano, nas entrelinhas, nos biscoitos feitos com a nata do leite de quase uma semana. A alegria é o antídoto para a covardia em escolher os caminhos mais fáceis e vantajosos, mas que matam o espírito. A vida presenteada pela graça de Deus vem ser brilho no olhar de cada dia. A vida tem amarguras e dores incontáveis, mas as bênçãos de Deus são infinitas. A mão protetora e cuidadosa de Deus Mãe orienta nas travessias da vida.
Deus tem sonhos! Creio, sem duvidar nem por um segundo, que os sonhos de Deus não morrem jamais! Sonhos que Ele deixa conhecermos e outros cheios de mistérios. Um dos seus sonhos é que as pessoas tenham coragem de sonhar com Ele um novo tempo, novos céus e nova terra, em que a justiça, o perdão, a paz e a alegria sejam o pão de cada dia.
Não guarde pra você a sua alegria. Conte, espalhe, testemunhe, contagie!
Creio que Deus, quando tira um tempo para o descanso, olha sorrindo toda essa esperança, toda essa simples alegria, solta uma gargalhada, fica satisfeito com toda essa luz, olha para a sua obra e sai dançando, pega uma carona com as borboletas e voa sem olhar no relógio… Deus, querido, graças dou por esta vida que me há dado tanto.
Para refletir, leia Lucas 15.8-9

P. em. Irineu Valmor Wolf, formado pela Faculdades EST (Curso Teológico Complementar), em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral nas Paróquias em São João/PR, Canela/RS, Indaial/SC e Blumenau/SC, além de ter ocupado o cargo de Pastor Vice-Sinodal do Sínodo Vale do Itajaí. Atua como Pastor Voluntário em Indaial/SC e integra a Equipe de Mentoria Espiritual (Acompanhamento a Estudantes de Teologia da IECLB)
Entre o ideal e o possível
Nada é de graça! Eis uma máxima do nosso tempo, em que a atitude de bem sempre espera pela recompensa de alguém. Isso está tão incrustado na nossa consciência e na nossa mente, na nossa prática social, que as tentativas de revelar a graça, os lampejos de generosidade e as manifestações de solidariedade são vistas e acolhidas como jogadas de interesse.
No ano de Olimpíada, somos levados a novamente exultar com os poucos que subirão no pódio, ao lado e à revelia de tantos que serão esquecidos, mesmo que tenham também dado o melhor de si. Há tantos que, em sua vida e luta, se veem desqualificados e pouco recompensados por todo esforço e por toda a dedicação…
O trabalhador conta os dias até que complete um mês e, assim, receba o justo salário, mas, e se fosse diferente: primeiro o salário, depois a resposta com o trabalho? Afinal, a pessoa precisa, primeiro, comer para, então, poder trabalhar. Fomos agraciados com o dom da vida para, então, vivê-la. Fomos criados, agasalhados, cuidados, instruídos, preparados e libertados – para: criar, agasalhar, cuidar…

Só se pode dar o que se tem. Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras (Efésios 2.10). O apóstolo considera o empenho e ação humanas, mas lembra que todo o nosso fazer integra um projeto maior de Deus, que envolve misericórdia e cuidado, a natureza e todas as filhas suas, todos os filhos seus.
Ele nos deu vida juntamente com Cristo (Efésios 2.5). Isto nos faz ver e ser diferente para com tudo e todos. O que, antes, era um canal de líquido fé tido, pode novamente ser um riacho de águas límpidas, onde os peixes não boiam e se deixam levar, mas nadam contra a correnteza. A vida pode nos jogar no rio poluído, mas não precisamos morrer nele. Muito depende da atitude de cada um, de cada uma, como das ações políticas, que, como sabemos, podem evitar ou prever catástrofes.
Busquemos o bem e não o mal (Amós 5.14a), desafia o profeta. Mesmo sabendo que a nossa ação acontece entre o ideal e o possível, queremos e podemos dar o melhor de nós. O atleta de Jesus Cristo, mesmo sem a glória da medalha de ouro, não perde o seu valor, pois a salvação não depende do seu esforço. Na promessa da coroa incorruptível, todos têm vez, pois, em Cristo, novas criaturas já nos fez.
Somos salvos por graça, dom de Deus, para que ninguém se glorie. Ainda assim, é preciso nadar, contra a correnteza e correr para o alvo, lembrando do cuidado que umas pessoas devem ter para com as outras pessoas. O que importa é chegarmos juntos e juntas!
Pela graça salvadora e na fé em Jesus, podemos viver e andar em novidade de vida, fazendo as boas obras que Deus, de antemão, preparou para que andemos nelas!
Para refletir, leia Efésios 2.8-10