Com a criação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), em 1982, em Porto Alegre (RS), iniciou-se mais um capítulo da caminhada pela busca da unidade dos cristãos. A criação do CONIC por parte das Igrejas deu um caráter oficial ao movimento ecumênico no Brasil e constituiu-se um instrumento de continuidade dos esforços ecumênicos.
Ao completar 25 anos da sua fundação, comemorados de 15 a 17 de novembro, por meio da realização do Congresso Missionário Ecumênico, em São Paulo (SP), o CONIC avalia que os tempos atuais apresentam uma nova realidade, muito diferente do seu início. “Novas dificuldades surgem em matéria de costumes e de ética junto com problemas étnicos, sociais, políticos e econômicos que afligem sobremaneira a vida dos pobres e são por vezes velados sob a figura de conflitos religiosos”, avalia em documento oficial a organização ecumênica. Há também um número relevante de cristãos não praticantes e aumenta o número de pessoas que se declaram “sem religião”. Nesse contexto de pluralismo cultural e religioso, a necessidade de um diálogo sobre a base de um mútuo respeito, estabelecendo relações de amizade e de colaboração, se faz cada vez mais premente.
Ao mesmo tempo, a ação em favor da unidade dos cristãos assumiu proporções relevantes no Brasil e no mundo. “Gestos que eram raros há 25 anos, hoje são freqüentes: encontros fraternos; oração em comum; posições compartilhadas e colaboração em favor da liberdade, da justiça e da paz; convergência em torno de temas secularmente contestados – reconhecimento recíproco do Batismo, Hospitalidade Eucarística, a Teologia da Graça, trabalhos sociais em parceria ecumênica, comissões permanentes de diálogo entre outros”, confirma o documento.
Seguir nesse caminho é prioridade das Igrejas-membro do CONIC, que reconhecem a necessidade de renovação em suas próprias vidas e perseguem novas oportunidades para aprofundar suas relações com igrejas de outras tradições. “A promoção da unidade dos cristãos é tarefa prioritária no interior de cada Igreja, chamada a implantar o espírito ecumênico no coração de cada pessoa e impulsionar a ação ecumênica de cada comunidade. É tarefa prioritária também promover o diálogo não somente entre as Igrejas-membro do CONIC, mas também com outras denominações cristãs, a partir do reconhecimento de todos os batizados serem membros do Corpo de Cristo e membros uns dos outros”.
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