Por ocasião do décimo aniversário da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) divulgaram um documento conjunto (veja aqui), comemorativo à ocasião.
A Declaração Conjunta sobre a Justificação pela Graça revela a possibilidade de vivermos a mesma fé com expressões diferentes. “Assumimos que a busca da unidade é um desafio permanente e condição indispensável de nosso testemunho do Evangelho no mundo em que vivemos”, diz o documento assinado pelo pastor presidente da IECLB, Dr. Walter Altmann, e pelo presidente da CNBB, arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha.
Ancorados nessa mesma fé, em sintonia com o encontro de bispos da ICAR e pastores sinodais da IECLB, realizado em Curitiba (PR), no último mês de agosto, as duas igrejas reafirmaram o compromisso pela busca da unidade e serviço, prosseguindo na conquista do entendimento, na reflexão e nas ações comuns.
No documento, os líderes das duas igrejas também lembraram a importância da realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2010, coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), convocando todos a se empenharem na sua promoção e participação.
Relembrando: a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação da Federação Luterana Mundial (FLM), da qual a IECLB é membro, e da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) foi um documento assinado em 31 de outubro de 1999, na cidade de Ausburgo, na Alemanha, estabelecendo que as confissões luterana e católica professam a mesma doutrina sobre a justificação pela fé, embora com diferentes desdobramentos. O documento foi assinado pelo bispo luterano Christian Krause, então presidente da FLM, pelo cardeal Edward Cassidy, pela Santa Sé, pelo secretário geral da FLM, Ishmael Noko, pelo secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Walter Kasper, e pelos cinco vice-presidentes da FLM representando as Igrejas Luteranas dos Continentes. Tanto a FLM quanto o Pontifício Conselho festejaram na época a assinatura do documento como um passo importante para o ecumenismo entre as denominações cristãs.
Resumidamente, a Declaração professa que: Confessamos juntos que o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo; essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer.