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Palestras e painéis marcaram o segundo dia da 4ª Convenção Nacional de Ministras e Ministros da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Na parte da manhã, aconteceram as duas palestras:

 

E, no período da tarde, cada pessoa pode participar de um dos painéis:

 

Confira um resumo da palestra do Pastor Dr. Pedro A. Puentes Reyes. Em uma próxima postagem, o Portal Luterano trará também um resumo da palestra do Pastor Carlos Pinheiro Queiroz.

 

“Venham Ver! Então eles foram”

Texto base: “Venham ver! – disse Jesus. Então eles foram, viram onde Jesus estava morando e ficaram com ele o resto daquele dia” (João 1.39).

Pastor Dr. Pedro Puentes Reyes

 

Deus cria e chama

O chamado de Jesus se insere numa longa tradição bíblica, que remete à própria criação do mundo. O Deus que cria, também chama. É um Deus que fala, que dialoga, que pergunta pelo ser humano:

 

Jesus Cristo é Emanuel – Deus conosco (Mt 1.23) e convida todas as pessoas a segui-lo. E, dentre aquelas que aceitam esse convite, algumas recebem um chamado para a proclamação pública da Palavra e Administração dos Sacramentos.

 

Venham ver e sigam-me

Para pessoas que estavam à procura da manifestação o messias (João 1.37), Jesus faz um convite: “Venham ver!” (João 1.39).

Este “Venham ver” é mais do que um simples ato de olhar. Ele é “constitutivo”, porque torna a pessoa uma seguidora, uma discípula. Neste sentido, “Venham ver” é sinônimo de sejam minhas seguidoras e meus seguidores.

Seguir Jesus Cristo implica na decisão de submeter todos os outros seguimentos ao seguimento de Deus feito carne.

 

Seguimento e batismo diário

Entretanto, seguir Jesus não é algo concluído. O seguimento abrange o batismo diário, que Lutero enfatizou. Batismo diário significa que a velha pessoa em nós (o pecado) precisa morrer pelo arrependimento e o perdão. Depois, em Cristo, ressurge a nova pessoa em nós, com uma vida orientada pela justiça e a integridade. Toda pessoa cristã é permanente chamada ao dinamismo deste batismo diário.

 

Simão Pedro: uma vocação que parece pronta, mas está apenas no começo

Assim como toda pessoa vocacionada, Pedro recebe um chamado para “vir a ser”. Quer dizer, na hora do chamado a pessoa não está pronta. E quem chama o sabe. Por isso, nos coloca na estrada do seguimento, do discipulado, para desenvolver as competências necessárias.

Simão Pedro tem boas qualidades e competências. Está cheio de generosidade, entusiasmo, impulsividade e amor para com seu Mestre e Senhor.

Entretanto, falta a ele domínio próprio, o que lhe conduz a imprudência. Quanto a seus conhecimentos, ainda tem uma ideia superficial sobre Cristo e seu Reino. Embora reconhecesse em Jesus o Filho de Deus, não entendia a natureza do Reino de Deus. O aprendizado precisava ser constante.

 

Uma vocação com muitas crises

Dentre as tantas crises da sua vida, a crucificação do Mestre foi a provação mais forte pela qual Pedro passou. Dessa provação, ele sai machucado e frustrado porque desconhece a sua fraqueza: o medo.

O medo levou Pedro a se distanciar, a negar e, finalmente, a fugir do seu Senhor. Mesmo assim, este evento não coloca um fim à história da sua vocação.

 

O 2º chamado: da obediência para o amor

O último capítulo do evangelho de João relata um novo chamado a Pedro. Desta vez, não é para o seguimento pela simples obediência (“vem e segue-me”), mas pelo amor (“Simão, filho de João, você me ama?” ( João 21.15-19).

Este segundo chamado é mais radical que o anterior. Desta vez, o discipulado não consistirá em seguir fisicamente Jesus e fazer o que ele manda. O desafio será encarnar Cristo, pelo amor. Agora, a vocação tem o desafio dele próprio se tornar Cristo para as outras pessoas, como diria Lutero.

Novamente, não se trata de algo definitivo, mas a ser desenvolvido. Será necessário aprender a amar: amando e servindo.

O amadurecimento da vocação, ou o aprimoramento das competências, é fruto de um processo de ensino-aprendizagem.

 

Uma vida transformada pelo Espírito Santo

Além do processo de ensino-aprendizagem, há um outro aspecto fundamental. O livro de Atos dos Apóstolos assinala que, sem o agir do Espírito de Deus, o processo humano de amadurecimento da vocação permanece sem profundidade e circunscrito às possibilidades socioculturais da pessoa.

Simão Pedro recebe um novo chamado do mesmo Senhor Emanuel/Deus conosco. Desta vez, porém, segue sob a orientação do Consolador – o Espírito Santo.

Com o poder do Espírito Santo, o discípulo Simão Pedro está transformado. De fato, já não há vestígios do homem impulsivo e medroso que era. Ainda assim, enfrenta crises e precisa aprender mais.

Uma das questões novas que Pedro precisou aprender foi a abertura para as pessoas que não faziam parte do judaísmo. Assim, ele foi conduzido a reconhecer que o amor de Deus não tem limites e alcança todos as pessoas, em todos os povos.

 

Que projeto move a vocação?

Crescer, mudar, amadurecer não é fácil. Muito mais quando isso implica em mudança de paradigmas. Nem sempre é fácil ouvir a voz de Cristo sussurrada pelo Espírito de Deus.

Neste sentido, é fundamental fazer a pergunta: o que está na base da vocação ao ministério? A vocação acontece sob a constante interrogação de Cristo: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Marcos 8.9). A resposta é confissão vivida no dia a dia: se alimentar de Cristo para ser um Cristo às outras pessoas. Da mesma forma, a vocação está sob a palavra de Cristo: Tu me amas?

 

Confira o álbum de fotos do segundo dia da 4ª Convenção Nacional

Acesse a página da 4ª Convenção Nacional de Ministras e Ministros da IECLB