Nesta quinta-feira, 24 de julho de 2025, a humanidade já consumiu os recursos que o planeta Terra poderia regenerar no período de 12 meses. Estamos no Dia da Sobrecarga da Terra. A partir de hoje, começamos a usar recursos naturais que não podem mais ser repostos. Com isto, entramos em uma dívida ambiental que, aliás, cresce a cada ano.
O Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day, em inglês) é calculado pela organização de pesquisa Global Footprint Network. Esta organização desenvolveu uma metodologia que estipula o uso dos bens naturais pela humanidade e compara com a capacidade do planeta de regenerar esses bens.
O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gênesis 2.15). A tarefa do ser humano é cuidar (guardar) daquilo que Deus criou. Como seres criados à imagem e semelhança de Deus, nosso cuidado deveria corresponder à ação divina. Infelizmente, não é isto o que acontece.
A criação de Deus sofre as consequências da nossa pegada ecológica. Pegada ecológica, ou pegada ambiental, é a marca que as ações humanas deixam no planeta. Esta pegada considera os recursos que utilizamos, tais como água, minério, madeira, espaço para plantar e construir, bem como os resíduos descartados, as emissões de gases, a poluição de rios e mares.
Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora (Romanos 8.22). O sofrimento da criação se expressa nas mudanças climáticas, na perda da biodiversidade, no desmatamento desenfreado, na extinção de animais e plantas.
A partir da fé, nem precisaríamos um Dia da Sobrecarga da Terra para lembrar da nossa tarefa. A cada vez que proferimos o Credo Apostólico, confessamos que Deus é o Criador. E esta confissão é um compromisso de cuidado com aquilo que Deus criou. Mesmo assim, o Dia da Sobrecarga da Terra é um alerta e um convite para mudança hábitos e ações.
Em 2019, a Presidência e Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil emitiram o manifesto: Nosso compromisso é o Evangelho. O documento expressa a preocupação com a degradação e a necessidade de ações de cuidado:
“Reiteramos a necessidade urgente de reduzir emissões dos gases que causam o efeito estufa. Reivindicamos ações de saneamento para diminuir os efeitos do esgoto. Precisamos desenvolver, em nossas casas e em nossas comunidades, ações de cuidado com o planeta. Se não agirmos, as gerações futuras sofrerão muito mais as consequências da nossa capacidade destrutiva e do descaso com o meio ambiente.”
Já em 2024, a Presidência da IECLB, as Pastoras Sinodais e os Pastores Sinodais emitiram uma carta pastoral sobre o cuidado com a Criação. Ali nós lemos:
“É indiscutível que todas as pessoas querem respirar ar puro, comer alimentos sem substâncias tóxicas e desfrutar a beleza da biodiversidade. Ninguém, em sã consciência, irá dizer que é contra o meio ambiente. Entretanto, ser a favor e agir são coisas muito distintas. ‘Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé’ (Tiago 2.18). Cabe lembrar que não basta só falarmos a favor do meio ambiente e da sustentabilidade. Nossa fé se concretiza em atitudes de prevenção e proteção.”
Além de reivindicar ações mais amplas no âmbito da política e economia, cada pessoa pode fazer a sua parte para diminuir a pegada ecológica. Algumas dicas:
Mais dicas em: galoverde.org.br/dicas/
Confira as datas do Dia da Sobrecarga da Terra a partir do ano 2000 (veja mais datas em overshoot.footprintnetwork.org/):
16 Setembro 2000 | 22 Agosto 2009 | 28 Julho 2018 |
11 Setembro 2001 | 8 Agosto 2010 | 29 Julho 2019 |
19 Setembro 2002 | 4 Agosto 2011 | 9 Agosto 2020 |
12 Setembro 2003 | 1 Agosto 2012 | 29 Julho 2021 |
1 Setembro 2004 | 1 Agosto 2013 | 25 Julho 2022 |
25 Agosto 2005 | 3 Agosto 2014 | 25 Julho 2023 |
22 Agosto 2006 | 4 Agosto 2015 | 25 Julho 2024 |
14 Agosto 2007 | 6 Agosto 2016 | 24 Julho 2025 |
14 Agosto 2008 | 1 Agosto 2017 |
Texto: Emilio Voigt