“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Salmo 90.12
Ao percorrer as redes sociais, somos expostos e expostas a uma sucessão de conquistas, viagens, pessoas perfeitas e rotinas impecáveis. Diante desse cenário, nossos dias comuns parecem insuficientes e sem o brilho que as telas exibem. Passamos a acreditar que a “ordinariedade” da vida é sem graça ou um fracasso. Muitas vezes, nasce um sentimento sutil de frustração, que pode se transformar em tristeza. Esquecemos que a vida real é feita de intervalos comuns, de silêncios, de processos longos e, por vezes, invisíveis.
Quando grandes sonhos se realizam, percebemos algo inesperado: depois da celebração, a vida continua. Quando algo desejado se concretiza, há imensa alegria, mas também inauguram uma nova rotina. Talvez o coração imaginava uma espécie de plenitude permanente e, agora, precisa lidar com o cotidiano, que demanda conviver com a sutileza de dias comuns.
A Bíblia nos conta que Jesus viveu momentos importantes, mas também experimentou uma rotina com pausas para orar, refeições e convívio com pessoas amigas. O extraordinário de Deus frequentemente se manifesta no ordinário dos nossos dias. Sempre é tempo de reconciliarmo-nos com a vida comum e reconhecermos nela a graça de Deus. Talvez a plenitude não esteja nos grandes marcos, mas na perseverança diária, na constância do amor, na esperança que se renova a cada manhã. Que possamos sentir a companhia de Deus nos picos e vales de nossa vida, nos grandes planos, nos sonhos realizados e, principalmente, nos dias comuns e rotineiros.
Oração:
Senhor, ensina-me a enxergar Tua presença nos dias comuns, ajuda-me a perceber a beleza silenciosa no cotidiano. Que eu possa sentir a Tua graça em todos os momentos da minha vida e experimentar a esperança que se renova a cada manhã. Concede-me um coração sábio que saiba contar os dias com gratidão, reconhecendo que cada um deles, mesmo os mais rotineiros, são presentes Teus. Por Jesus Cristo, amém.
Pastora Camila Elisa Schütz
Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Gramado