A chegada de um novo ano é marcada por celebrações vibrantes de música e alegria. Multidões se reúnem à beira-mar, famílias se encontram para confraternizar. As festividades assinalam o encerramento de um ciclo e o início de outro. Votos de felicidade, saúde, prosperidade e paz permeiam os abraços e as felicitações, revelando um profundo desejo de mudança, de transformação, de um tempo renovado.
O novo ano vem carregado de expectativas. As pessoas sonham com dias melhores, fazem planos do que pretendem alcançar e conquistar. Trabalham e se esforçam para viver com dignidade e de forma justa. Contudo, o esforço individual nem sempre é suficiente para transformar a vida plenamente. O que é, de fato, necessário para experienciarmos um tempo verdadeiramente novo? Será que este ano será, enfim, um tempo de novas esperanças?
O Salmo 98 nos convida ao louvor e à alegria. Somos convocados e convocadas a cantar uma nova canção a Deus. Este cântico é um sinal de esperança, de quem reconhece as coisas maravilhosas que Deus tem feito. Deus permanece firme na sua disposição de oferecer misericórdia, que acolhe e sustenta as pessoas em suas fraquezas e fragilidades. Uma misericórdia que, historicamente, promoveu vida e liberdade para o povo hebreu escravizado no Egito.
Toda a criação se alegra: os rios são chamados a bater palmas e os montes a cantar com júbilo (Salmo 98.8). Essa alegria brota da notícia de que Deus vem governar a terra. Ele age com fidelidade e governará com justiça e retidão, “para julgar a terra com justiça e os povos com equidade” (Salmo 98.9). A justiça divina conhece e ouve o clamor da humanidade.
Esta é uma palavra forte e de esperança diante dos conflitos que vemos ao redor do mundo. Inúmeros são os conflitos entre povos e nações, e a paz mundial parece, muitas vezes, um sonho distante. Governos com maior poderio militar frequentemente impõem sua vontade sobre os mais fracos. Onde a força prevalece, a justiça é esquecida. Interesses políticos e econômicos sufocam os desejos sinceros por saúde, felicidade, prosperidade e paz.
É tempo de entoar uma nova canção que nos faz olhar para a presença de Deus, que age com misericórdia. Esse novo canto nos faz olhar para a vida com esperança, resistindo contra todo sofrimento e desesperança. Cantar em meio às dificuldades é afirmar que a palavra final não pertence à injustiça social ou ao descaso político, mas àquele que faz maravilhas, pois é fonte de vida e paz.
Oração:
Deus da graça e da paz! A tua fidelidade sustenta a nossa esperança. Faze com que a nossa alegria não dependa apenas das circunstâncias sociais e políticas, mas da certeza de que há um Reino Maior onde a retidão e o direito são os fundamentos.
Fortalece a tua Igreja para cantar uma nova canção, que olha para a realidade com misericórdia, promovendo comunhão e paz. Amém.
P. Eduardo Paulo Stauder
Pastor Sinodal do Sínodo Nordeste Gaúcho