Caros Membros e Amigos da Paróquia Vila Campo Grande – Diadema!
Neste Dominigo, 3 de novembro de 2013 refletimos sobre Mateus 25,14-27. Trata-se da famosa parábola de Jesus sobre os talentos recebidos e seu uso. Diferentes pessoas recebem diferentes valores do patrão para cuidar. Todos usam os valores recebidos para multiplicá-los na ausência do Senhor. E ele, ao voltar da viagem, se alegra com a apresentação dos resultados dos seus servos. Aliás, a alegria dele não diminui com os servos que receberam talentos menores. Dissemos que todos apresentam resultados – todos menos um. Há um servo que se enche de medo do senhor, enterra o que recebeu e devolve intocado. Com isto ele não deixa o senhor nenhum pouco alegre, mas muito pelo contrário, provoca a a crítica dele e a ira oque leva a sua expulsão.
Nesta parábola tão conhecida há uma pergunta crucial. O que é o mais importante valor transmitido por Jesus?
Com os olhos dos nossos tempos pós-modernos poderíamos achar que seria a multiplicação dos recursos. Poderíamos sonhar com alguém que não só duplica o talento, mas que o triplica ou ainda mais. Enfim, seria a maximização dos lucros ou com outras palavras, a produtividade, o que agradaria a Deus. Temos que produzir algo na vida, temos que dar certo…
Esta conclusão pseudo-moderna não resiste a um exame mais aprofundado da história. A ira do senhor muito provavelmente não se refere ao valor não produzido pelo último servo, mas sim a falta de confiança que ele tem no senhor. Os outros são elogiados explicitamente por sua fidelidade e confiança. São estas qualidades que levam a coragem de sair e fazer uso do talento. O resultado é mera consequência. Ao último servo falta confiança, ele começa a pensar mal do senhor, e não consegue mais fazer uso do talento recebido.
O que Deus pede de nós não é produção, não são resultados, mas confiança nele e fidelidade ao chamado dele. Somente assim podemos fazer uso dos talentos que Deus confiou a cada um e cada uma de nos de forma adequada. Seja fiel e não se preocupe com o resultado! Este Deus dará.
Quantas vezes deixamos de usar os nossos talentos por não confiar? Quantas vezes quebramos a nossa fidelidade? Quantas vezes nos enchemos com medo e nada avança onde frutos poderiam crescer?
Feliz aquele que concentra-se na sua fidelidade e confia os resultados a Deus! Este verá os resultados na sua vida por onde passa. Precisamos desta postura na vida familiar, profissional e sobretudo comunitária. É a comunidade que mais sofre com o ceticismo dos seus membros. Jesus nos encoraja para usarmos nossos talentos na comunidade, investindo o que temos e podemos. Ele há de nos surpreender e fará com que participemos da alegria do Senhor!
Saudações
AGENDA: veja também www.facebook.com/capeladecristo | |
|---|---|
Domingo, 03/11/2013 24° Domingo após Pentecoste |
10:30 h: Culto com Santa Ceia na Capela de Cristo (P. Guilherme)
Bênção aos Aniversariantes
17:00 h: Culto no Salão Comunitário em Diadema (P. Guilherme) |
Terça-feira 05/11/2013 |
19:00 h: Estudo Bíblico no Salão Comunitário em Diadema
|
Quinta-feira 07/11/2013 |
14:30 h: Reunião do Grupo de Senhoras na Capela de Cristo
|
Domingo 10/11/2013 Festa das Nações | 10:30 h: Celebração Ecumênica na Capela de Cristo
|
Luz da Semana – Para nossa reflexão
A parábola dos talentos – Rubem Alves
Havia um homem muito rico, possuidor de vastas propriedades, que era apaixonado por jardins. Os jardins ocupavam o seu pensamento o tempo todo e ele repetia sem cessar: O mundo inteiro ainda deverá transformar-se num jardim. O mundo inteiro deverá ser belo, perfumado e pacífico. O mundo inteiro ainda se transformará num lugar de felicidade.
As suas terras eram uma sucessão sem fim de jardins, jardins japoneses, ingleses, italianos, jardins de ervas, franceses. Dava muito trabalho cuidar de todos os jardins. Mas valia a pena pela alegria. O verde das folhas, o colorido das flores, as variadas simetrias das plantas, os pássaros, as borboletas, os insectos, as fontes, as frutas, o perfume… Sozinho ele não daria conta Por isso anunciou que precisava de jardineiros. Muitos se apresentaram e foram empregados.
Aconteceu que ele precisou de fazer uma longa viagem. Iria a uma terra longínqua comprar mais terras para plantar mais jardins. Assim, chamou três dos jardineiros que contratara, e disse-lhes: Vou viajar. Ficarei muito tempo longe. E quero que vocês cuidem de três dos meus jardins. Os outros, já providenciei quem cuide deles. A você, Paulo, eu entrego o cuidado do jardim japonês. Cuide bem das cerejeiras, veja que as carpas estejam sempre bem alimentadas… A você, Hermógenes, entrego o cuidado do jardim inglês, com toda a sua exuberância de flores espalhadas pelas rochas… E a você, Boanerges, entrego o cuidado do jardim mineiro, com romãs, hortelãs e jasmins.
Ditas essas palavras, partiu. Paulo ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim japonês. Hermógenes ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim inglês. Mas Boanerges não era jardineiro. Mentira ao oferecer-se para o emprego. Quando ele viu o jardim mineiro disse: Cuidar de jardins não é comigo. É demasiado trabalho…
Trancou então o jardim com um cadeado e abandonou-o. Passados muitos dias voltou o Senhor, ansioso por ver os seus jardins. Paulo, feliz, mostrou-lhe o jardim japonês, que estava muito mais bonito do que quando o recebera. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Hermógenes mostrou-lhe o jardim inglês, exuberante de flores e cores. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu.
E foi a vez de Boanerges… E não havia forma de enganar: Ah! Senhor! Preciso de confessar: não sou jardineiro. Os jardins dão-me medo. Tenho medo das plantas, dos espinhos, das lagartas, das aranhas. As minhas mãos são delicadas. Não são próprias para mexer na terra, essa coisa suja…
Mas o que me assusta mesmo é o facto das plantas estarem sempre a transformar-se: crescem, florescem, perdem as folhas. Cuidar delas é uma trabalheira sem fim.
Se estivesse em meu poder, todas as plantas e flores seriam de plástico. E a terra estaria coberta com cimento, pedras e cerâmica, para evitar a sujeira. As pedras dão-me tranquilidade. Elas não se mexem. Ficam onde são colocadas. Como é fácil lavá-las com esguichos e vassoura! Assim, eu não cuidei do jardim. Mas tranquei-o com um cadeado, para que os traficantes e os vagabundos não o invadissem.
E com estas palavras entregou ao Senhor dos Jardins a chave do cadeado. O Senhor dos Jardins ficou muito triste e disse: Este jardim está perdido. Deverá ser todo refeito. Paulo, Hermógenes: vocês vão ficar encarregados de cuidar deste jardim. Quem já tinha jardins ficará com mais jardins.
E, quanto a você, Boanerges, respeito o seu desejo. Não gosta de jardins. Vai ficar sem jardins. Gosta de pedras. Pois, de hoje em diante, irá partir pedras na minha pedreira…
de: Rubem Alves, Gaiolas ou Asas – A arte do voo ou a busca da alegria de aprender