Uma das pautas do intercâmbio entre pessoas jovens dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho e da cidade de Ehrenfriedersdorf, Alemanha, é a justiça socioambiental, com ênfase aos impactos da catástrofe climática de 2024. Para isso, o grupo se deslocou ao Vale do Taquari nos dias 11 e 12 de fevereiro para conhecer locais afetados pela catástrofe, bem como iniciativas ambientais que visam amenizar os impactos das mudanças climáticas.
Na tarde do dia 11, os intercambistas conheceram a Horta Comunitária de Teutônia, uma iniciativa de economia solidária que ocorre em uma área da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Redentor, na Paróquia Teutônia Sul – Sínodo Vale do Taquari. O grupo foi recepcionado pelas pessoas voluntárias que atuam no espaço e pode conhecer o funcionamento da horta, que segue os princípios da agroecologia e respeitando a flora dos biomas Pampa e Mata Atlântica.
As pessoas jovens puderam conhecer o espaço da horta e, posteriormente, provar algumas delícias produzidas com produtos da horta. “A Horta Comunitária surgiu como um projeto de solidariedade e funciona por meio de mutirões, geralmente aos sábados, e conta com o trabalho voluntário da comunidade e doações de mudas/sementes. Ela visa complementar a dieta de famílias de baixa renda, além de ser uma estratégia de saúde mental e convivência comunitária”, explicaram as pessoas voluntárias.
No dia 12, já em Estrela, as pessoas intercambistas visitaram a Prefeitura, tendo em vista que o município possui parceria oficializada com Ehrenfriedersdorf. Na ocasião, a prefeita, Carine Schwingel, explicou os projetos de sustentabilidade e reconstrução em execução no município, especialmente pós a catástrofe climática de 2024. “Em breve estaremos integrando um estudo nacional de monitoramento do Rio Taquari”, pontuou. Ela ainda enalteceu a parceria com Ehrenfriedersdorf. “Essa troca de ideias entre cidades de diferentes culturas e pensamentos contribui para o crescimento mútuo e o desenvolvimento de ambas as comunidades”, frisou.
Na sequência, o grupo se deslocou até o Parque da Lagoa, às margens do Rio Taquari, um dos locais duramente afetados pela catástrofe climática. Em barcos percorreram o manancial até as proximidades da ponte da BR-386, onde puderam visualizar ao longo do trajeto os estragos causados. Posteriormente, as pessoas jovens plantaram mudas de árvores nativas no parque.
Ainda pela manhã, outro local visitado foi o Bairro Moinhos, na região conhecida como Marmitt, que foi totalmente destruída pela força das águas e que hoje, por determinação do Município, está inabitável. Oportunidade para compreender os impactos da catástrofe, que repercutiu internacionalmente, inclusive na Alemanha.
Já no início da tarde, na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Estrela, assistiram à palestra com o biólogo da Prefeitura, Emerson Musskopf, que explicou a dinâmica do Rio Taquari e o que ocasionou a rápida elevação das águas durante a catástrofe climática. “Estrela tem 32 quilômetros de margens no Rio Taquari e o planejamento da cidade sempre foi baseado na enchente de 1941. Nos últimos anos, tivemos uma grande mudança na frequência das cheias. Temos observado que cada ano chove mais em menos dias, causando mais eventos estranhos, como a maior enchente da história de Estrela, em maio de 2024”, explicou.
A visita a Estrela ainda contou com momentos culturais oportunizados pelo Grupo de Danças Folclóricas Alemãs, como a Noite Brasileira e Noite Gaúcha, além de meditações na igreja local e lazer em piscina. As pessoas intercambistas ficaram hospedadas em casas de famílias estrelenses.
Compreensão da dimensão da catástrofe climática
O assessor de Relações Internacionais, Natan de Oliveira Schumann, que está na coordenação do intercâmbio pelo Sínodo Rio dos Sinos, a inclusão do Vale do Taquari na programação visa oportunizar aos alemães e, também, aos brasileiros a compreensão da dimensão da catástrofe climática, tendo em vista que a região foi uma das mais atingidas pelo rastro de destruição. “A escolha pelo Vale do Taquari visou oportunizar justamente esta vivência de campo, de visitar a região e ver o que a catástrofe climática causou e de como os municípios estão se reconstruindo”, afirmou.
Schumann também enalteceu que plantio de árvores, como o feito em Estrela, tem um forte simbolismo para a tradição luterana, como algo que se deixa para o futuro. “Lutero dizia que mesmo que soubesse que o mundo acabaria amanhã, hoje plantaria uma árvore. Em face às mudanças climáticas e à injustiça socioambiental, este gesto de conhecer o bioma, o rio e plantar árvores é bastante simbólico, no sentido de tentar deixar algo melhor para o futuro”, frisou, citando como exemplo a Horta Comunitária, onde são cultivados alimentos de forma saudável respeitando os biomas locais.
Além da justiça socioambiental, o intercâmbio teve como objetivo aproximar as juventudes dos dois países. “O objetivo central é promover a aproximação entre as comunidades brasileira e alemã, por meio do encontro de jovens, fortalecendo o senso de comunidade, comunhão, fé e irmandade”, sublinhou o secretário geral da IECLB, pastor Marcos Bechert.
O intercâmbio
Entre os dias 9 e 18 de fevereiro, 13 pessoas jovens dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho estão sendo anfitriãs para 13 jovens intercambistas da Alemanha. Em 2027, o grupo brasileiro retribuirá a visita. O intercâmbio é fruto de parceria entre a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana da Saxônia (Alemanha).
Integram o grupo brasileiro sete pessoas jovens de comunidades do Sínodo Rio dos Sinos e seis do Sínodo Nordeste Gaúcho. A coordenação está a cargo do diácono doutor Dionata Rodrigues de Oliveira (Nordeste Gaúcho) e do assessor de Relações Internacionais, Natan de Oliveira Schumann (Rio dos Sinos).
Já o grupo alemão é composto por pessoas jovens da Evangelisch-Lutherische Kirchgemeinde Sankt Niklas (Comunidade Evangélica Luterana São Nicolau), de Ehrenfriedersdorf, no estado da Saxônia. O grupo é coordenado pelo diácono Timo Decker e pela musicista Annegret Hocher.
As pessoas jovens participam de atividades nos dois sínodos anfitriões, especialmente na Faculdades EST, em São Leopoldo, onde estão hospedadas na maioria dos dias, e no Acampamento de Carnaval, no final de semana, da Juventude Evangélica do Sínodo Nordeste Gaúcho. Também houve visita à sede nacional da IECLB, em Porto Alegre. Os custos de participação no intercâmbio, como transporte, alimentação e hospedagem, tanto no Brasil como na Alemanha, estão sendo custeados por meio de investimento das duas igrejas.
Texto e fotos: Édson Luís Schaeffer/Comunicação Sínodo Rio dos Sinos
Fotos Horta Comunitária: Anderson Lopes/Grupo Popular de Comunicação – Teutônia