À medida que o tempo passa, informações mais precisas sobre a cheia do Rio Madeira começam a ganhar peso catastrófico. Por exemplo. Pela primeira vez na história do Brasil, um estado federado fica isolado por via terrestre da União. Isso tem um significado econômico muito grande. Como alimentar uma população que consome 400 toneladas por dia em gêneros de primeira e segunda necessidade? É o caso do Estado do Acre. O Acre produz mais ou menos 150 toneladas dia desses gêneros. Necessita do aporte de mais 250 toneladas diariamente. A única via de acesso está interrompida. Somente poucos caminhões conseguem ser balseados por dia. A correnteza do rio é tão forte que mesmo com dois rebocadores não é possível transportar mais de vinte caminhões por balsa. Cada viajem dura em torno de seis horas e, por medida de segurança, só é feita de dia. Em torno de 50 toneladas vem do pais vizinho Peru. Porém, da divisa do Acre com o Peru até Rio Branco, centro de distribuição, são necessários percorrer mais de 1.100 km de rodovia. Em torno de 80 toneladas a Força Aérea com seus aviões Búfalo trás do centro do país. O restante precisa ser transportado por balsas pelos rios Solimões-Juruá até Cruzeiro do Sul (Acre) ou pelos rios Solimões-Purus até Boca do Acre, AM a partir de Manaus. São vários dias de viajem.
Já estão surgindo estudos que prevêem em torno de dez anos o tempo de recuperação econômica para a Rondônia, mais de vinte municípios atingidos, e o Acre. Isso para a saúde financeira do Sínodo da Amazônia é trágico.
Por aqui o povo está rezando para que a crença popular dos pescadores e ribeirinhos se concretize: que o rio perca força a partir da Sexta-Feira Santa. Alguns sinais já estão acontecendo. O rio já não sobe mais e dá sinais de baixa. É pouco, mas já é algo.
Assim que surgirem novas informações, informo.
Abraços,
P. Jorge Klein – Porto Velho/RO