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Aos poucos a grande imprensa brasileira começa a revelar a extensão da tragédia ocasionada pela destruição das barragens de contenção da lama tóxica produzida pela Mineradora Samarco em Minas. Nos primeiros dias se afirmava que teria sido acidente motivado por razões alheias aos controles da barragem.
Cada dia, somos informados da incúria, das mentiras e da insensatez das pessoas responsáveis pela empresa, que pertence à poderosa e gigantesca Vale (50%) e à outra gigantesca empresa britânico-australiana BHP Billiton (50%). 13 pessoas já foram encontradas mortas enquanto 19 ainda estão desaparecidas. O distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, foi completamente destruído. Mas a tragédia não para por aí. Ela afetou dezenas de outros municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo, lançando uma onde de lama ao longo do Rio Doce, destruindo seus ecossistemas, impacto que já está causando danos ambientais da maior monta na costa capixaba, alguns irreversíveis, principalmente quando a lama chegar às reservas marinhas da costa capixaba com toda a sua rica fauna e flora.

Esta tragédia é considerada a maior já acontecida no país. Além da indignação contra a empresa, também é inadmissível a forma como o governo de Minas Gerais e as autoridades do governo federal se apressaram em pôr panos quentes diante de um fato da maior gravidade. Por que proteger uma empresa que causa danos irreparáveis à população e ao meio ambiente? A imprensa alternativa informa que ainda não se tem a dimensão dos danos causados por este crime humano e ambiental, mas os custos da reparação devem passar do patamar de bilhões de reais.

Na contramão das ações do Ministério Público Federal e da Justiça, que já penalizou a empresa com multa de R$ 250 milhões e mais de R$ 1 bilhão para reparação de parte dos danos, o Senado em Brasília vota nesses dias um Projeto de Lei (PLS 654/2015) que visa fragilizar ainda mais o principal instrumento para evitar desastres ambientais: o licenciamento ambiental. Na Câmara de Deputados está por ser votado o novo Código de Mineração, que visa estimular como nunca a mineração no país, mas não traz salvaguardas que protejam efetivamente o meio ambiente e as populações afetadas. Importante anotar os responsáveis: a proposta do PLS é do senador Romero Jucá (PMDB/RR), enquanto o relator do Código de Mineração é o deputado Leonardo Quintão (PMDB/MG). A justificativa sempre é a mesma: aumento da arrecadação para os cofres públicos. Para quê? A que custos?

Este fato trágico e criminoso deve servir de alerta para todos nós no país. Estão destruindo, aos poucos, o que pode representar a riqueza maior do país: seu povo, sua fauna, sua flora, seu futuro. É hora de nos solidarizarmos com nosso futuro maior antes que seja tarde.

Roberto E. Zwetsch
Faculdades EST – E-mail: rezwetsch@gmail.com