O Sínodo Rio dos Sinos, formado por 33 Paróquias, 45 Comunidades e 30 mil famílias-membro, cuja ênfase missionária é missão urbana, conscientização e capacitação de lideranças no trabalho comunitário e missionário e levar às Comunidades uma melhor compreensão sobre contribuição financeira responsável, está representado nesta Editoria por nossa gente luterana Sibeli Diefenthaeler e Peter Stampe
Por uma Igreja social
“A Igreja não deve ser apenas uma instituição que cuida de si mesma, mas, sim, um lugar que multiplica a idéia da comunhão com o próximo, seja o próximo quem for, trabalhando as diferenças e compreendendo um ao outro”, declara Sibeli da Silva Diefenthaeler, 21 anos, membro da Comunidade Senhor dos Passos, pertencente à Paróquia Matriz, em Porto Alegre/RS.
Natural da cidade gaúcha de Bagé, a jovem iniciou a sua caminhada na IECLB em Vila Velha/ES, onde morou por 11 anos. Confirmada da Comunidade Bom Pastor, fez parte do grupo de jovens até a mudança da família para Belém do Pará. “Em Belém, participei ativamente da Paróquia com projetos sociais, grupo de jovens, crianças e ações ecumênicas. EmPorto Alegre há cinco anos, sou ativa no grupo de jovens e já fui Presidente da JE Senhor dos Passos. Hoje, sou Tesoureira do Conselho Sinodal da JE (Cosije)”, relata.
***A Igreja deve multiplicar a idéia da comunhão com o próximo***
Estudante de Serviço Social, no início do ano Sibeli participou de um programa de intercâmbio com jovens ligado à Igreja sueca, onde morou três meses, convivendo com jovens da Suécia, Costa Rica, Tanzânia e Filipinas. Ainda na linha do social, Sibeli estagiou no Centro Diaconal Evangélico Luterano (Cedel) em um projeto da Paróquia Matriz que trabalha com famílias em situação de vulnerabilidade.
Sibeli tem afinidade com a Pastoral Popular Luterana (PPL) e a sua proposta de união da sociedade com a religião. “Temos que pensar o espiritual, mas também na função da Igreja na sociedade. Na Teologia da Libertação, percebo um olhar mais próprio ao indivíduo, Deus mais próximo do sujeito, pois a Igreja é uma instituição dentro da sociedade”, afirma.
Renovação – este é o papel do jovem na Igreja, acredita a Tesoureira do Cosije “O jovem deve contribuir com a sua energia e novas idéias. É necessário perder a timidez e fazer. O jovem precisa de mais abertura, inclusive na dinâmica do culto e na organização da Igreja”. Para Sibeli, os grupos de jovens devem entender que têm uma função na Igreja e não ficar esperando que alguém resolva tudo. “Falta espaço, mas sei que muitos jovens não entendem a importância deste espaço. Muitas vezes, o jovem não vai atrás da informação e o seu representante também não trabalha com a base”, completa.
O jovem é o futuro, mas poderia ser o presente da Igreja também, entende a estudante. Nesse sentido, sugere que os Pastores incentivem os jovens a participarem dos grupos e instâncias decisórias da Igreja, a elegerem os seus representantes com conhecimento e engajamento, a participar da vida comunitária e a cobrar posturas.
Uma jovem que sabe o que quer, Sibeli tem vários sonhos para a IECLB “A IECLB já faz um trabalho interessante na área social, mas desejo que os membros participem mais desta causa. Também quero uma IECLB cada vez mais ecumênica, mas principalmente com os membros abraçando esta proposta. Para os jovens, sonho com a conquista de engajamento e respeito e, por fim, sonho com um culto construído em conjunto pelos diferentes grupos que compõem a nossa Igreja”.
Unidos na mesma fé
Peter Friedrich Johannes Stampe, 66 anos, formado em Ciências Contábeis, nasceu em Berlin, na Alemanha, é casado com Sandra Lizete há 41 anos e o casal tem quatro filhos, Adriane, Christian, Lisiane e Martin, e, por enquanto, quatro netos, Thomas, Rebecca, Davi e Jonas, pois Lucas está a caminho. Este ‘luterano de berço’ considera que, antes de tudo, ser luterano é aceitar Jesus Cristo como seu Senhor e seguir seus ensinamentos, além de conhecer os quatro pilares de fé de Martim Lutero.
Membro na Comunidade Evangélica de Porto Alegre/RS (CEPA), Paróquia São Mateus, Peter tem uma longa caminhada na IECLB, iniciada ainda nos anos 60, na JE da Comunidade de Canoas/RS. “Com a chegada dos filhos e algumas mudanças de endereço, nos limitamos a assistir aos cultos dominicais em Canoas e, na maior parte das vezes, na Paróquia São Mateus, onde casamos e todos os nossos filhos e netos foram batizados”, revela. No início dos anos 80, Peter foi Conselheiro, Tesoureiro e Presidente pela Paróquia São Mateus, participando ativamente em Concílios Distritais e Regionais. A partir dos anos 90, foi suplente para o Conselho Fiscal na CEPA, 2º Secretário, Vice-Presidente e, desde 2006, está exercendo a Presidência da Comunidade.
No cotidiano, o Presbítero agradece todos os dias pela sua família, seus amigos e por todos da Paróquia, Comunidade, Sínodo e, por extensão, da nossa IECLB, não sem agradecer sempre pela sua vida. “Tenho certeza que, sem a Graça de Deus, não teria forças para viver a vida com toda intensidade. Para tal, o poder da oração é inquestionável. A minha fé e a crença nos fundamentos da Reforma Luterana são a minha grande motivação”, assevera Peter, que também agradece o que chama de seu ‘porto seguro’, a sua esposa, ”minha companheira, uma luterana para quem a fé sempre foi uma certeza e que, com sabedoria, tem trabalhado muito por muitos, em especial pelas crianças”.
***As famílias devem viver em comunidade a fé que professam ***
Na CEPA, Peter destaca dois grandes momentos da sua gestão: a 9ª Conferência do Conselho Mundial de Igrejas, ocorrida em fevereiro de 2006, na PUC/RS, e a comemoração dos 150 anos da CEPA (1856-2006) “Foram grandes oportunidades de confraternização com inúmeros irmãos de fé do mundo inteiro e com irmãos de todas as nossas instituiçõespromovendo a integração e ampliando a visão do que é ser Comunidade Evangélica de Porto Alegre”, resume.
Como metas, o Presidente da CEPA aponta a necessidade de motivar Obreiros e leigos a não esquecerem as crianças e os jovens em sua missão, pois destas é o futuro da nossa Igreja, cabendo aos adultos mostrar-lhes o caminho a percorrer na área da fé. No Sínodo, os desafios são o PAMI e a Campanha de Missão da IECLB, uma matéria riquíssima para o aprofundamento da fé. Na IECLB, o grande sonho de Peter é que todos os membros deste vasto Brasil se unam na mesma fé sem sectarismos e que as famílias vivam em comunidade a fé que professam.