O Sínodo Brasil Central, formado por 13 Paróquias, 18 Comunidades, 5 Áreas Missionárias, 26 Pontos de Pregação e 500 famílias-membro, cuja ênfase missionária é Fé e Compromisso, Formação de Lideranças e Crescimento das Comunidades, está representado nesta Editoria por nossa gente luterana Claudete Lausmann e Gladis Helena Homrich
Vida e solidariedade
Claudete Marlene Freitag Lausmann, 55 anos, natural de Santo Ângelo/RS, casada com Osmar Willy Lausmann e mãe de Carla Marlene, Cárin e Cristiano, é membro na Comunidade de Cristalina/GO desde a sua fundação, em 1986.
Residente na área rural, Claudete assegura que os 20 quilômetros que a separam da cidade e sede da Comunidade nunca foram impedimento para a dedicação à Igreja. Ainda criança, essa luterana ‘de berço’ viu seus pais abrirem as portas da casa para as reuniões do Pastor e vizinhos que desejavam formar uma Comunidade e construir um templo. “Nesta Comunidade, fui confirmada sozinha. Saí para estudar e tive a oportunidade de participar da JE, estudos bíblicos e me preparar para cultos infantis. A partir daí, sempre fui ativa na Igreja”, conta.
***Quem desconhece a Palavra não sabe o propósito de Deus***
Em 1983, a família mudou-se de Itaqui/RS para Cristalina/GO. O começo foi pioneiro, pois era uma nova área agrícola. Chegaram mais famílias, a maioria formada por jovens casais com crianças. Como desejavam a presença da Igreja, logo receberam a visita do Pastor de Brasília. Depois, foram atendidos pelo Pastor de Paracatu, mas os cultos esporádicos não eram o suficiente. “Comecei a fazer os cultos infantis e logo surgiu aOASE. A dificuldade maior era com o material, pouco disponível para a realidade. Valeu o meu preparo como Professora”, relembra.
Mais tarde, Claudete assumiu lideranças e foi Secretária e Presidente na OASE, na Comunidade e no Sínodo, tendo como a principal causa do seu envolvimento a descoberta do desconhecimento bíblico dos migrantes luteranos. “Quem desconhece a Palavra não sabe o propósito de Deus para sua vida. Se não houvesse ensino, se formaria uma nova geração sem conhecer o Evangelho e eu não queria ser responsável por esse descaso”, explica Claudete, para quem, ser luterana, no Sínodo Brasil Central, é fazer a diferença neste chão multicultural.
“Os desafios são muitos para membros e Obreiros no Sínodo Brasil Central: sair do modelo tradicional sem deixar de ser IECLB, adaptar a linguagem e criar exemplos de trabalhos locais não esquecendo do fundamento para incentivar o crescimento qualitativo e quantitativo das Comunidades. As grandes distâncias geográficas, o pequeno número de membros e a insuficiência financeira têm como conseqüência a dificuldade em manter Obreiros, capacitar lideranças, especialmente os jovens, e viabilizar projetos de médio e longo prazo para expansão da Igreja” pondera.
Claudete também tem muitos sonhos e, em relação à IECLB, deseja uma Igreja mais solidária em suas Comunidades e que cada membro procure conhecer e crescer em sua capacidade, tendo como resultado uma Igreja em que a ocupação tenha sido menor no passado que já está escrito, no entanto maior no presente e futuro que carecem de uma história viva e frutífera.
Prazer em ser luterana
Gladis Helena Homrich, 41 anos, nascida em Restinga Seca/RS, e atualmente morando com a mãe, Evylla, e a filha, Renata, em Porto Nacional, onde é Presidente da Comunidade (que completa 21 anos no dia 15 de junho), ‘entrega a Deus’ o que não consegue resolver, pois confia que Ele saberá o que fazer. “Hoje, consigo ter fé pela fé, mas, há alguns anos, tinha muitas dúvidas, pois passei a infância, adolescência e juventude sem um Pastor que pudesse me orientar em relação à fé e participação nas atividades religiosas” desabafa.
Hoje, é diferente, pois os sete anos de pastorado da Pa. Mirian Ratz e, agora, do P. Luciano Camuzi, da Comunidade de Palmas/TO, a deixaram com cada vez mais vontade de participar dos cultos e estudos bíblicos. “Os luteranos precisam aprender a ser luteranos, saber quem foi Martim Lutero e por que somos uma Igreja luterana. No dia em que todos os membros fizerem isso, a nossa Igreja será apaixonante e terá mais luteranos por profissão de fé e não apenas de nascimento”, acredita Gladis.
Em 2001, com a chegada da Pa. Mirian, tudo mudou e Gladis passou a sentir-se acolhida na Igreja, coincidindo com a graça que Deus colocou em sua vida: a maternidade, levando à decisão de dar uma orientação religiosa para a filha “Então, passei afazer parte do Presbitério e, ultimamente, tenho me empenhado no desenvolvimento dos trabalhos. Desde 2006, venho lutando para que a Igreja em nossa Comunidade não feche as portas”. O resultado do envolvimento dessa incansável batalhadora com a IECLB é a paixão da sua filha pela Igreja e a participação em todas as atividades. A mãe coruja revela que a fé da menina no ‘Papai do Céu’ é contagiante!
Formada em História e Pedagogia, com Pós-graduação em Gestão Escolar e Metodologias nas Disciplinas de História e Geografia, Professora de Educação Básica atuando como Diretora Adjunta da Escola Estadual Frei José Maria Audrin, Gladis conta que trabalha com alunos e Professores evocando a presença de Deus e sempre lembra que, se fizermos coisas erradas, poderemos esconder uns dos outros, mas não de Deus. Na escola, há um momento de oração semanal para abrandar os corações e melhorar a convivência.
***Os luteranos precisam aprender a ser luteranos por profissão de fé***
Quanto ao seu trabalho no Sínodo Brasil Central, a Professora enumera os desafios: distância territorial, luteranos afastados, falta de entusiasmo em trazer amigos e parentes para a Igreja, estigma da descendência sulista, visão distorcida da Igreja (assistencialismo), luteranos dos quatro pilares: batizar, confirmar, casar e sepultar e os pensam que dízimo é apenas no caso de sobrar algum recurso no orçamento.
Diante dos desafios, de onde vem a motivação para conduzir as atividades? “Minha ‘causa’ é ter prazer em ser luterana. Sonho com uma IECLB conhecida e reconhecida em todo país, Obreiros tendo a sua subsistência garantida, nos ensinando a sermos luteranos de fato e de direito, com pessoas disponibilizando mais tempo ao voluntariado, as Comunidades maiores destinando ofertas as que precisam e Obreiros em condições de fazer missão.