As Igrejas luteranas reconhecem 4 princípios básicos, que são conhecidos como pilares da Reforma Protestante:
O princípio somente Cristo afirma que a pessoa não depende de seus méritos e suas qualidades para ser aceita por Deus. Da mesma forma, ela não precisa da intermediação de práticas religiosas ou de instituições. Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade. Somente Cristo basta!
Um Deus que condena e pune?
Por muito tempo, o monge Martim Lutero viveu angustiado com a pergunta: como encontrar um Deus misericordioso? Naquela época, Deus era compreendido como um ser terrível, que punia as pessoas em vida e as enviava ao purgatório e ao inferno após a morte.
A visão de um Deus castigador estava baseada na compreensão de que cada pessoa recebe o que merece. Se for uma pessoa justa, recebe recompensa. Se comete pecado, merece castigo. Acontece que ninguém consegue chegar diante de Deus sem pecado e, com isto, ninguém poderia escapar do castigo divino.
Lutero sofreu muito com provações e questionamentos sobre suas próprias obras. Ele temia que tudo o que fazia ainda não seria satisfatório diante de um Deus julgador que exige a perfeição.
A compreensão equivocada da justiça divina marcou a vida daquele monge por muito tempo. Ele procurava tornar-se justo diante de Deus. Entretanto, por mais que se esforçasse, percebia que não conseguia fazer o suficiente. Quanto mais procurava se aproximar de Deus, sentia que mais se afastava.
A troca graciosa
A vida de Lutero mudou quando ele compreendeu que a justiça divina tem o objetivo de perdoar os pecados. Deus não quer a condenação, mas a salvação das pessoas. Essa justiça divina se revelou na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Em Jesus Cristo, Deus absorve a nossa injustiça e nos dá a sua justiça. Na visão de Lutero, Cristo está repleto de graça, vida e salvação. A pessoa, por outro lado, está carregada de pecados, morte e condenação. Então ocorre uma troca: o que é de Cristo se torna nosso, e o que é nosso se torna de Cristo.
Em Cristo, Deus não impõe condições para a acolhida e para o perdão. Ao compreender isto, Lutero entendeu que nada precisava, aliás, nada podia fazer para sua justificação. Tudo já havia sido feito por Cristo.
Onde se revela o poder?
O fundamento da justiça divina é a compaixão. Ela é diferente da justiça humana, especialmente daquela que se baseia na aparência, no mérito, na intolerância, no pré-julgamento.
Ao compreender a justiça de Deus, Lutero também percebeu que o poder de Deus não se manifesta em riqueza, pompa e majestade, mas na cruz. Em Jesus Cristo, Deus se revela na miséria, na fraqueza, na dor, no sofrimento. Na cruz encontramos um Deus misericordioso e solidário com o sofrimento humano. Com o poder do amor, vence a injustiça, a violência e a morte.
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).
O que significa isto?
Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro ser humano, nascido da virgem Maria, é meu Senhor.
Ele perdoou a mim, pessoa perdida e condenada, e me libertou de todos os pecados, da morte e do poder do diabo. Fez isto não com dinheiro, mas com seu santo e precioso sangue e sua inocente paixão e morte. Fez isto para que eu lhe pertença, seja obediente a ele em seu reino e lhe sirva em eterna justiça, inocência e felicidade, assim como ele ressuscitou da morte, vive e governa eternamente.
Isto é certamente verdade.
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