Merecem ser estupradas as mulheres que usam roupas curtas (que mostram o corpo)? Certamente, você dirá que não, mesmo que considere estranho ver as suas netas ou filhas usarem roupas sensuais e curtas. No entanto, esta não foi a resposta de 26% [inicialmente, esse número equivocadamente, foi divulgado como sendo de 65%] de homens e mulheres entrevistados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Além dessa questão, 58,5% dos entrevistados concordaram com a ideia de que, se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. A tolerância da violência impressionou os Pesquisadores e virou debate nacional.
Tais dados não me impressionaram, apesar de chocantes, porque vivemos em uma sociedade violenta, que nos faz violentos. Apesar de todos desejarem a paz, no ano passado foram registrados mais de 525 mil estupros contra as mulheres no Brasil.
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Amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja |
Segundo a análise dos Pesquisadores, este grande número de homens e mulheres que justificam a violência contra as mulheres, inclusive o estupro, entende que elas estejam provocando os homens. Neste caso, a vítima do estupro seria responsável pela violência sofrida. Além da dor do
estupro, impressa na alma, a mulher estuprada carrega a responsabilidade de ter feito algo errado aos olhos da sociedade machista.
Culpar a vítima em caso de estupro potencializa a dor, dor de que o corpo violado tem um dono, que não é a mulher. Especialistas no assunto afirmam que o estupro reflete uma relação de poder do homem sobre a mulher, que ‘precisa’ ser submissa, passiva e recatada. A pesquisa também revela que quem defende a ideia de que o homem deve ser ‘o cabeça’ do lar está mais propenso a justificar a violência contra as mulheres.
Este assunto também é bíblico… O apóstolo Paulo foi usado para justificar a superioridade do homem sobre a mulher. Bastam poucas referências para mostrar como Paulo é mal interpretado. Em 1Cor 7, o apóstolo diz que a mulher não dispõe do corpo, mas é o marido quem dispõe. A leitura machista justifica a submissão da mulher e a apropriação de seu corpo. No entanto, o texto continua, afirmando que, do mesmo modo, o marido não dispõe do seu corpo, mas é a mulher que dispõe. Sem esta reciprocidade, o casamento é uma violência. Outro conselho de Paulo aos maridos: amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e por ela se entregou (Efésios 5.25).