P. Dr. Henrique Krause, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, Doutor na área de História da Igreja, exerceu o Ministério Pastoral nas Paróquias de Massaranduba/SC, Pancas/ES e Timbó/SC. Atua na Paróquia em Guaramirim/SC.
A formação ministerial para a pregação
E assim a fé vem pela pregação e a pregação pela Palavra de Cristo, afi rma o apóstolo Paulo em Rm 10.17. A fé necessita da Palavra, da Palavra de Cristo, assim como a planta precisa da água para crescer, se desenvolver e, a seu tempo, trazer os devidos frutos. Quanto melhor for preparada a terra, para acolher a semente, tanto melhor será o resultado da semeadura.
Conhecemos essas ricas comparações bíblicas acerca do anúncio da Palavra de Deus. Lutero afirma que ‘o verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus’ (Tese 62). Este tesouro nós temos, porém, em vasos de barro, já dizia Paulo (2Co 4.7). O tesouro é o Evangelho e os vasos de barro somos nós. O mesmo apóstolo faz questão de dizer que não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor (4.5).
Em nossa formação ministerial, a Igreja lida, portanto, com o que ela tem de mais precioso, o Evangelho de Jesus Cristo. Ele é o conteúdo, Palavra que se tornou carne e que veio habitar entre nós cheio de graça e verdade (Jo 1.14). Como Igreja, temos a dupla missão de ‘conduzir as pessoas a Cristo’ – a quem pregamos e que já habita entre nós – e de ‘promover a comunhão’ entre as pessoas que ouvem a Palavra e nela creem.
A pregação da Palavra tem, pois, consequências práticas e poder de transformação, fazendo da nossa vida, por exemplo, uma oferta de gratidão e serviço diaconal. Toda pregação que não vem imbuída dessa função libertadora, impulsionada pelo amor de Deus, está desde o começo sujeita ao fracasso e à alienação tanto do pregador como do ouvinte, pois ela não é obra nossa.
Além de conhecer bem o conteúdo, o ‘tesouro’ a ser anunciado, a formação ministerial deve sempre perguntar pelo ouvinte. Não só é importante uma boa elaboração e preparação da prédica, mas também a sua apresentação (postura e convicção do pregador), capaz de despertar interesse, atenção e o coração do ouvinte.
A pregação não é a simples leitura de um discurso tecnicamente bem formulado. Ela deve ser compreensível, para que possa conduzir as pessoas à fé. A fé precisa entender. Ela não serve para ‘doutrinar’ nem para ‘manipular’ o ouvinte, pois a Palavra de Deus é libertadora, é viva e dá sentido à vida. Ela quer renovar mentes e fazer conhecer e vivenciar a boa e agradável vontade de Deus (Rm 12.1-2).
Foi bem por isso que pessoas como Lutero tiveram a preocupação de levar a Bíblia para a linguagem do povo. Jesus Cristo, aliás, é o melhor exemplo disso, como lemos em Mc 4.33. A boa pregação deve sempre partir do contexto de vida e da história, isto é, onde está o ouvinte a para lá tornar. Quanto mais afinada com a realidade do ouvinte a formação ministerial for, tanto melhor e eficiente ela será.
Uma boa formação ministerial não visa à pregação de opiniões e pensamentos pessoais ou de grupos divergentes da Confissão e Teologia de toda a Igreja (IECLB), mas, sim, à Palavra de Deus, sob a forma da denúncia do pecado e do anúncio da graça e salvação em Cristo.
Para refletir, leia Isaías 55.10-12

P. Luis Henrique Sievers, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Atua como Pastor Vice-Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, Ministro na Comunidade em Lajeado/RS e no Pastorado Escolar parcial no Colégio Sinodal Gustavo Adolfo, no mesmo município
Habilitado para o anúncio da Palavra
O anúncio da Palavra, em primeiro lugar, é responsabilidade de todos os cristãos. É uma tarefa comum a todas as pessoas batizadas. O envio de Jesus, vão a todos, batizem e ensinem é missão de todos os que o seguem (Mt 28.18-20). Cada cristão é chamado a dar o seu testemunho, em palavras e ações, ali onde vive e trabalha. Lutero estava convencido do Sacerdócio Geral de todos os Crentes: ‘Esteja, pois, certo e reconheça qualquer um que se considere cristão: todos somos igualmente sacerdotes, isto é, temos o mesmo poder na Palavra e em qualquer sacramento’ (Obras Selecionadas 2-417).
A fé em Cristo, porém, não é um fenômeno individualista. Como fruto do Espírito Santo, ela busca a comunhão e o convívio com aqueles que comungam a mesma fé. Formam-se Comunidades, criam-se Igrejas. Nesse corpo, encontramos muitos membros com funções diferentes, sem que nenhum seja menos ou mais importante do que os outros (1Co 12.1ss). A Comunidade pode criar os Ministérios, os serviços necessários para o anúncio da Palavra em seu seio e no mundo. A IECLB chama essa prática de Ministério Compartilhado, em que todos são chamados a colocar os seus dons a serviço desse objetivo comum.

As Igrejas da Reforma ‘ensinam que ninguém deve publicamente ensinar na Igreja ou administrar os Sacramentos a menos que seja legitimamente chamado’ (Confissão de Augsburgo, Art. 14º). Não se trata de impedir a atuação de ninguém, mas de uma questão de ordem e paz na Comunidade (1Co 14.32). O desejo do indivíduo e a espontaneidade precisam de parâmetros comunitários, sem os quais pode haver confusão.
Dentro desse espírito de ordem e paz, a IECLB desdobrou o Ministério Eclesiástico e instituiu Ministérios específicos, com Ordenação: catequético, diaconal, missionário e pastoral. Todos os Ministérios estão habilitados ‘para a pregação pública do Evangelho e a administração dos Sacramentos, condicionando-se a modalidade do exercício dessa habilitação às atribuições do respectivo Ministério…’ (Art 3º do Estatuto do Ministério com Ordenação – EMO). De forma muito simplificada, poderíamos dizer que o Catequético ensina, o Diaconal cuida, o Missionário evangeliza e o Pastoral prega.
No parágrafo único do 3º Artigo do EMO, está definido que ‘somente poderá receber o Certificado de Habilitação quem tiver obtido prévia aprovação para o Ministério específico, em curso de formação reconhecido pela IECLB, bem como no Exame Pró- Ministério, regulamentado pelo Conselho da Igreja’.
A instituição desses Ministérios específicos não diminui ou elimina o testemunho pessoal e o Ministério Compartilhado. O EMO deixa claro que ‘a Ordenação não confere mais direitos aos Ministérios específicos, antes maior quota de responsabilidade’. A sua função é preparar o povo de Deus para o serviço cristão (Ef 4.11-12).
Somos chamad@s para comunicar a Palavra. Somos enviados por Jesus Cristo. As formas de participar desse único Ministério são muitas e infinitas! Participe!
Para refletir, leia Efésios 4.11-12