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Considerando a importância do trabalho no mundo luterano e a relevância deste na vida do cristão, propusemos os seguintes questionamentos aos Obreiros participantes desta edição. ‘Como a Comunidade lida com a família que tem um membro desempregado?’, ‘Justificação por graça e fé – Deus ama menos quem está desempregado?’, ‘Dignidade: como a Comunidade carrega o desempregado espiritualmente?’ e ‘Como ‘enxergar’ os desempregados? Desempregado é invisível?’. Para conduzir esta reflexão, convidamos o P. Elton Bender, Bacharel em Teologia pela EST, em São Leopoldo/RS, com atuação na Paróquia Três Vendas em Pelotas/RS e Paróquia Sapiranga/RS, Orientador do trabalho sinodal com Terceira Idade, integrante do Grupo Ecumênico de Sapiranga (GESA), já tendo sido seuCoordenador, participante ativo do Conselho da Comunidade de Execuções Penais no Fórum da Comarca de Sapiranga e, atualmente, Pastor na Paróquia Evangélica Ferrabraz, em Sapiranga. Também participa o P. Hardi Brandenburg, que, formado pela EST, exerce o Pastorado na Comunidade Evangélica da Ascensão, em Novo Hamburgo/RS. Contribui, ainda, a Pastora Bianca Goede Giesch, que, graduada pela EST, é Pastora na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Campo Bom/RS, onde o contexto industrial e econômico é fortemente determinado pelo setor calçadista, que há anos vem passando por crise, sendo o desemprego uma realidade bem presente e um desafio constante no acompanhamento aos membros. O encerramento fica a cargo do P. Enos Heidemann, Pastor Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos.
A Comunidade lidando com o desemprego
Pastor Elton Bender
O trabalho é algo essencial para o ser humano. Lutero valorizou o trabalho simples e comum – através do trabalho podemos servir ao nosso próximo e amá-lo também. Quando trabalhamos, estamos cumprindo a vontade de Deus.
Em nosso País, há milhões de desempregados. Muitos em nossas Comunidades. Quando alguém da família está desempregado, todos são atingidos e não somente a sobrevivência é abalada, mas o próprio estado de espírito do desempregado. Surge um forte sentimento de inutilidade, com pensamentos pessimistas culminando com depressão, alcoolismo e drogas. A
Comunidade, com a sua pregação amorosa, precisa ir ao encontro destas famílias, colocar-se ao lado com ações concretas, testemunhando que o amor de Deus envolve todo o homem e o homem todo, mas, na maioria das vezes, não se fica sabendo quem está passando por uma situação de desemprego, pois alguns se privam do convívio comunitário. Jesus, pelo ide, nos orienta a estendermos as mãos em direção às famílias que possuem um membro desempregado.
De extrema importância é a oração. A oração faz com que o desempregado se fortaleça na fé e, sob a orientação de Deus, consiga achar novamente o seu espaço. O próprio convite para os cultos da Comunidade é como um abraço que oferece comunhão. Com o departamento social da Comunidade, é possível criar uma relação de ofertas de trabalho e promover encontros quinzenais com familiares para compartilhar, animar e trocar experiências. Sim, a Missão de Deus é grande em relação aos desempregados, contudo, ela precisa ser a nossa paixão.
Para refletir, leia Gálatas 6.2
A Comunidade carrega o desempregado
Pastor Hardi Brandenburg
Trabalhar é uma das dimensões fundamentais da dignidade humana. Não poder trabalhar por estar doente ou desempregado é, de certa forma, um prejuízo para construir uma vida bem sucedida.
A comunidade cristã, com seus membros, seguidamente é confrontada com pessoas que perderam seu emprego. O apoio e amparo a estas pessoas acontecem primeiramente entre os próprios familiares e amigos. Normalmente, os desempregados esperam e pedem a oração da Comunidade. Nos cultos, temos a oração de intercessão.
Muitas pessoas visitam o templo da Comunidade da Ascensão em Novo Hamburgo. Os que entram na Igreja têm a oportunidade de anotar em um bilhete o seu pedido de oração e um dos pedidos que frequentemente aparece está relacionado com o desemprego de algum familiar ou a própria pessoa que está ali no templo para um momento de oração.
O cristianismo luterano vê o trabalho como uma das formas de realização pessoal indispensável e, ao mesmo tempo, o considera um nobre serviço que prestamos ao próximo. Infelizmente, o trabalho a partir dos dons, talentos e capacidades é explorado. O trabalhador é valorizado pelo que produz, assim o trabalho é descaracterizado e o trabalhador desconsiderado em sua dignidade e necessidades para construir uma vida bem sucedida.
Precisamos sempre de novo lembrar uns aos outros que o nosso Deus nos acompanha em todas as situações e experiências da vida. Também na situação de desempregado Deus é solidário e se manifesta à medida que a sua Comunidade acolhe e carrega em oração e ações concretas.
Para refletir, leia 1Pedro 4.7-11
Deus ama menos o desempregado?
Pastora Bianca Goede Giesch
Inicialmente, poderíamos considerar a pergunta acima ilegítima, até um absurdo de ser pensado e rapidamente responder Claro que não, Deus não ama menos quem está desempregado, mas e se mudássemos a pergunta para Quem está desempregado pode sentir-se menos amado por Deus? Diante desse questionamento, que traz em si uma profunda angústia pelo sustento no amanhã, por reconhecimento social e dignidade pessoal, não teríamos uma resposta rápida e pronta. Não sem primeiro ouvir quem enfrenta essa situação do desemprego e como experimenta e reconhece o agir de Deus em sua vida.
Diante da preocupação e ansiedade humana em garantir apenas por esforços próprios a vida, Jesus lembra O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso (Mt 6.32b NTLH) e diz ainda Nenhum passarinho cai no chão se o Pai de vocês não deixar que isso aconteça. Quanto a vocês, até os fios dos seus cabelos estão todos contados. Portanto, não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos (Mt 10.29b e 30).
Cristo nos lembra que a vida das criaturas de Deus, a nossa vida, a vida de quem vive a dificuldade do desemprego está nas mãos de Deus, que não desconhece perigos, medos, preocupações e necessidades. Deus não está ausente e à parte da situação de desemprego que filhos e filhas suas vivem. Ali o Seu agir cuidadoso e provedor também se revelará.
Certamente, o cuidado dos irmãos e irmãs na fé cristã e o testemunho diaconal da sua Comunidade vão fortalecer a fé e o ânimo daqueles que conhecemos que estão desempregados de modo que eles confessem Mesmo enfrentando o desafio do desemprego, não me sinto abandonado e menos amado, nem por Deus e nem por meus irmãos e irmãs.
Para refletir, leia Mateus 5.25-34
Como ‘enxergar’ os desempregados?
Pastor Enos Heidemann
O Plano de Ação Missionária da IECLB nos ajuda a refletir a espiritualidade cristã como um novo ser no viver a fé e, principalmente, o serviço. Lembra que o amor a Deus passa, necessariamente, pelo amor ao próximo. Não há missão na Igreja sem paixão e não há serviço sem compaixão. Somos desafiados a ter um olhar de cuidado e atenção em relação às questões que afligem as pessoas do nosso convívio, especialmente da nossa Comunidade, ao lado das quais nos sentamos, mas com as quais nem sempre temos verdadeira comunhão.
Vivemos um tempo de relações pessoais fragmentadas, um tempo em que cada um cuida de si e só eu cuido de mim. Esse jeito de viver também pode ser reproduzido na forma de sermos Comunidade. Podemos estar cercados de gente e estarmos sós, termos necessidades concretas e ninguém tomar conhecimento delas.
A situação de desemprego aflige muitas pessoas em nossas Comunidades. Temos orado por elas em momentos de cultos. Podemos, porém, agir mais no espírito diaconal. Gostaria de desafiar a termos uma rede de cuidado e apoio aos desempregados. Para muitos, falta até o pão de cada dia.
Usemos a criatividade para divulgar no mural, jornal, avisos em cultos e informes eletrônicos oportunidades de emprego, além de nomes e habilidades das pessoas que buscam um trabalho remunerado. Favoreçamos o acesso a cursos de qualificação profissional e também articulemos uma forma de apadrinhamento dessas pessoas para ajudarmos na busca de um emprego. Essa rede de apoio pode ser uma forma amorosa de serviço às pessoas em gratidão a Deus pelo seu amor e cuidado.
Para refletir, leia Gálatas 6.1-10