A Igreja é, por definição, universal, católica, ecumênica – oikoumene significa “a [terra] habitada”. A fé ultrapassa fronteiras de etnia, gênero, línguas, culturas. No entanto, o atual quadro religioso no Brasil não é testemunho de ecumenismo, mas de separação, competição e até agressão, entende o professor da Faculdades EST Dr. Rudolf von Sinner. Ele deu palestra sobre Diálogo Inter-religioso na manhã de abertura do Encontro de Estudos a partir da Cartilha do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) “Justiça Transformadora: Ser Igreja e superar o racismo”. O encontro realizou-se na EST nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.
Segundo von Sinner, o atual quadro religioso no Brasil não é testemunho de ecumenismo Formas de (não) dialogar – O palestrante mencionou várias formas de (não) dialogar, entre as quais estão: diferentes religiões podem conviver numa só pessoa: diálogo intra-religioso; pessoas (e religiões) podem rejeitar por completo qualquer outra religião: não há diálogo; pessoas podem procurar o diálogo em respeito à própria religião e à do outro; “é tudo o mesmo deus” – parece simpática a postura, mas será que respeita a religião?, questiona Von Sinner; diferentes religiões podem conviver numa só pessoa: diálogo intra-religioso; pessoas (e religiões) podem rejeitar por completo qualquer outra religião: não há diálogo – pessoas podem procurar o diálogo em respeito à própria religião e à do outro; o desconhecido gera medo; o discurso competitivo de algumas igrejas (ironicamente as de maior presença de afro-descendentes) despreza, rejeita e até combate outras religiões e desestimula o diálogo.
Posicionamentos – Segundo von Sinner, existem, basicamente, três (quatro) posicionamentos possíveis:
Exclusivismo: somente minha religião é verdadeira – conforme Atos 4,12;
Inclusivismo: a minha religião é a mais verdadeira, mas há elementos da verdade em outras religiões – Atos 17,23; Atos 14,15-17;
Pluralismo: todas as religiões são verdadeiras – conforme Jonas 1,4-6;
Exotismo: a outra religião é melhor do que a minha.
O diálogo inter-religioso, assim o vê Rudolf von Sinner, é um tipo de interação entre pessoas pertencentes a diferentes religiões que acontece nos mais diversos níveis, nem sempre de forma explícita:
– diálogo da vida: no dia a dia
– diálogo espiritual
– diálogo político (Direitos Humanos)
O diálogo pressupõe abertura, disposição, respeito (VER, OLHAR); interesse pelo outro; querer aprender (OUVIR); uma posição própria a compartilhar (FALAR); confiança em Deus, que é sempre maior do que Dele percebemos.
Para von Sinner, diálogo inter-religioso pressupõe convivência na base da confiança, que é mais do que coexistência – é uma comunhão de aprendizagem, de cooperação, de celebração (Theo Sundermeier). “Não há convivência sem confiança, e a confiança cresce no encontro e no diálogo”, sentencia o professor da EST. (Edição do texto da palestra e foto: Ingelore S. Koch-Faculdades EST)