P. Ernani Röpke, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Pastor Vice-Sinodal do Sínodo Sudeste, exerce o Ministério Pastoral na Paróquia Cantareira, em São Paulo/SP.
O bem é a vida e o mal é a morte
Diariamente, somos confrontados com o bem e o mal. Decidir pelo bem ou pelo mal não é tão fácil assim. Nem sempre é fácil distinguir um do outro. Há resoluções que tomamos como do bem, mas que, lá na frente, se revelam do mal. São raros os momentos e as circunstâncias em que bem e mal são claramente distintos. Como, portanto, distinguir o bem e o mal? Em Deuteronômio 30.15, Moisés diz ao povo: Hoje estou deixando que vocês escolham entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. Deus nos dá liberdade de escolha. Porém, Ele também nos dá as ferramentas para diferenciar entre o bem e o mal, entre a vida e a morte.
Moisés diz para o povo que o segredo para distinguir entre o bem e o mal está em obedecer aos Mandamentos do Senhor, em amar a Deus, em cumprir a sua lei (Dt 30.16). São os Mandamentos de Deus que procuram nos orientar para a prática do bem, para atitudes justas, amorosas e conciliadoras. É no observar dos mandamentos, no voltar-se com todo o coração e com toda a alma ao Senhor (Dt 30.10) que, diariamente, somos convidados a dizer não ao que violenta a vida, a natureza e o nosso meio ambiente.
No entanto, nós sabemos que somos falhos nesta tarefa. Não raras vezes, nos distanciamos dos Mandamentos do Senhor. Somos frágeis na fé. Deus viu que, sozinhos, não conseguimos cumprir os seus Mandamentos, que nos guiam pelo caminho do bem. É por isso que, em Jesus Cristo, Ele se revela Deus conosco nesta caminhada. Em Jesus Cristo, Ele vem caminhar conosco na opção pelo bem. Em Jesus Cristo, na cruz, Ele também nos abraça com o seu perdão quando as nossas ‘bem-intencionadas’ decisões nem sempre se revelam como ‘do bem’. Em Jesus Cristo, Ele nos abençoa com a sua sábia Palavra a buscar o bem, como nos conta a história que segue:
Em uma pequena cidade da Grécia, vivia um sábio famoso que conhecia as respostas a todas as perguntas que lhe eram feitas. Certo dia, um jovem estudante, conversando com os seus amigos, disse que pretendia desafiar o sábio e iria enganá-lo. Contou que faria o seguinte: ‘Apanharei um passarinho e o levarei escondido em minha mão até o sábio. Então, vou perguntar a ele se o passarinho está vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, esmago o passarinho e o mato, deixando-o cair no chão. Se ele disser que está morto, abro a mão e o deixarei voar na frente de todas as pessoas’.
Assim fez. O jovem aproximou-se do sábio com o passarinho na sua mão e perguntou: ‘Sábio, o passarinho em minha mão está vivo ou morto?’ O sábio olhou para o rapaz e disse: ‘Meu jovem, a resposta está em suas mãos. Você me perguntou se o passarinho está vivo ou morto, mas isso é algo que depende unicamente de você’ (Fonte: 100 estórias de vida e sabedoria, de Osvino Toillier).
Pela graça de Deus, em Cristo Jesus, somos livres para cuidar. Somos livres para buscar o bem e não o mal.
Para refletir, leia Deuteronômio 30.15-19

Pa. Ma. Ana Isa dos Reis, com formação e Mestrado pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Pastora Vice-Sinodal do Sínodo Planalto Rio-Grandense e Coordenadora do Conselho de Desenvolvimento do Município de Ijuí/RS, exerce o Ministério Pastoral na Comunidade Evangélica Ijuí.
Batismo diário: luta entre morrer e ressurgir
Desde criança, recordo que, a cada 10 de fevereiro, festejava com minhas Madrinhas, meu Padrinho, meus pais e irmãos o meu Aniversário de Batismo. Eu não sabia bem tudo sobre Batismo, mas tinham me ensinado que, naquele dia, Deus tinha me chamado pelo nome e que eu era dele. Contavam que, quando o P. Nelso Weingärtner derramou água sobre minha cabeça, eu sorri, alegre. Cresci escutando histórias sobre o meu Batismo e o do meu irmão, cantando, ouvindo histórias bíblicas, participando do Culto Infantil e dos Cultos. Sempre que fazia algo errado, lá estava a frase: Tu és batizada, sabia? Tens que fazer o que é bom e do bem.
Lutero escreveu em sua escrivaninha: Sou batizado. Ser uma pessoa batizada significa assumir um compromisso com a causa do Reino de Deus, ser sal da terra e luz do mundo. No entanto, reconhecemos que somos pessoas pecadoras e que esquecemos facilmente que temos uma responsabilidade como pessoas batizadas. O Apóstolo Paulo reconhecia que o bem que queria não fazia e o mal que não queria este ele fazia.
Lutero afirmava ser necessário travar uma luta diária, a fim de afogar a velha natureza – de pessoas pecadoras – para ressurgir como novas criaturas – pessoas justificadas por Deus. O Batismo, escreve Lutero, é ‘um morrer bem aventurado do pecado e uma ressurreição na graça de Deus, de modo que o velho ser humano, concebido e nascido em pecado, é afogado, e um novo ser humano, nascido na graça, surge e se levanta’.
A vida cristã é um diário Batismo, ‘começado uma vez e sempre continuado’, pois todos os dias somos pessoas tentadas a fazer o mal, a agir contra os Mandamentos do Senhor, a vender o Evangelho e perder-se do caminho da cruz e da ressurreição de Jesus. Esta é uma luta constante e diária até a morte. Somos, simultaneamente, pessoas justas e pecadoras, chamadas a afogar o ‘velho Adão’ e ressurgir como ‘novo Adão’.
Este Batismo diário se dá por meio da confissão dos pecados e do arrependimento, chamados de penitência. Precisamos reconhecer os nossos pecados e nos arrependermos. A Lei mostra o quão pessoas pecadoras somos. A graça de Deus nos anima ao arrependimento e a uma nova vida. Como pessoas batizadas, somos chamadas a viver este morrer e ressurgir sempre de novo, comprometendo-nos com o Evangelho.
Ser uma pessoa batizada significa vencer os preconceitos, enxergar na outra pessoa a face de Cristo, romper com o círculo vicioso da violência, ser pessoa honesta e opor-se a toda forma de corrupção, envolver-se com a justiça e denunciar toda maldade, engajar-se na luta por dignidade, pão e paz para todas as pessoas, esforçar-se por fazer o bem – que tem Jesus como força orientadora.
Esta tensão da existência cristã e da natureza humana deve nos animar a viver o Batismo, a morrer ou afogar-se do pecado e a ressurgir como nova criatura, buscando o bem e não o mal.
Para refletir, leia Romanos 6.1-14