Recentemente, realizamos o Concílio Geral da Igreja, um momento marcante que define rumos e traz novos impulsos para a vida de nossas comunidades. O tema “Igreja em missão, o Evangelho anunciar” nos move a refletir que somos vocacionados por Deus a testemunhar, servir e anunciar a Sua missão no mundo, tanto em palavras quanto em ações.
Para expressar a ação missionária da igreja, o barco foi escolhido como símbolo. Cada conciliar recebeu uma pequena réplica de um barco cujo mastro carrega a cruz de Cristo. A imagem é significativa: a Igreja não foi feita para ficar ancorada no porto, em segurança e lentidão, mas para navegar pelas águas turbulentas deste mundo. Estamos em plena travessia. E, nessa jornada, o Espírito Santo é o vento que sopra e empurra as nossas velas, enquanto a luz de Cristo indica o caminho na escuridão.
Essa realidade nos recorda os versos do hino Qual barco singra pelo mar (LCI 577), que nos questiona se a Igreja resistirá aos temporais de medo, angústia e dor. Afinal, ao olhar para o horizonte em alto-mar, a pessoa frequentemente se sente perdida, pois não enxerga a terra firme, apenas o mar. Diante disso, qual é a direção a seguir?
Incertezas e perguntas sobre o futuro da nossa Igreja nos inquietam. O medo, sutilmente, tenta tomar conta e nos fechar em nós mesmos, trancando nossas portas — assim como aconteceu com os discípulos naquele domingo após a crucificação (João 20.19-22).
Mesmo sabendo do túmulo vazio, os seguidores de Jesus estavam paralisados pelo medo. É exatamente nesse cenário de portas trancadas e corações aflitos que o Cristo crucificado e ressurreto se faz presente e anuncia: “A paz esteja com vocês” (João 20.21). Ele não esconde suas feridas; ao contrário, mostra as marcas em suas mãos e oferece uma paz que é puro dom, graça e misericórdia. Não é uma conquista nossa, mas um presente generoso que nos sustenta em meio às tempestades.
No entanto, essa paz não serve para nos manter parados. Ela nos sustenta, mas também nos compromete. Logo após oferecer a paz, Jesus declara: “Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês”. A paz é, simultaneamente, dom e vocação.
Diante das dores do mundo e das marcas que carregamos, somos convidadas e convidados a contemplar as feridas de Cristo, receber a Sua paz e, então, ajustar as velas do nosso barco para navegar com fé e coragem. A paz do Cristo crucificado e ressurreto dá sentido a missão da Igreja e nos compromete com a superação das dores e injustiças presentes neste mundo.
Oração
Deus da graça e da paz! Agradecemos pela tua paz que nos move a viver em fé e coragem. Nós te agradecemos porque não nos chamas para viver ancorados no porto da falsa segurança, mas nos impulsionas a navegar com fé pelas águas deste mundo. Obrigado pelo sopro do Teu Espírito Santo, que move o barco da nossa Igreja, e pela luz da cruz de Cristo, que nos aponta a direção certa mesmo nas noites mais escuras.
Quando as tempestades da vida e as dores do mundo parecerem maiores do que as nossas forças, sopra novamente sobre nós a Tua paz — aquela paz que cura nossas feridas, restaura as nossas forças e nos move a viver em esperança. Recebemos essa paz como um presente do Teu puro amor, mas também como um chamado. Envia-nos, assim como enviaste o Teu Filho Jesus, para sermos instrumentos da tua paz. Amém.
Pastor Sinodal Me. Eduardo Paulo Stauder
Sínodo Nordeste Gaúcho