Valtencir Kaiser, 36 anos, nascido em Barra de São Francisco/ES, mas há 25 anos residindo em Rondônia, casado com Fabiane Inês, é membro na Comunidade Caminhos da Fé, em Cacoal/RO, Paróquia dos Migrantes, Sínodo da Amazônia
Qual é o espaço da fé na sua vida?
Tenho como base em minha caminhada de Igreja o livro de Atos, Quatro pilares sustentam a vida de fé e de amor das primeiras comunidades. O retrato da comunidade ideal é apresentado nos quatro traços de Atos 2.42 ‘Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações’. As comunidades cresciam dia-a-dia nesses quatro caminhos entrelaçados, fundamentais para a vitalidade das comunidades cristãs ainda hoje. As primeiras comunidades eram chamadas a estar unidas em comunhão interna, em oração e no serviço fraterno. Orar pelo irmão e deixá-lo passando necessidade seria ter uma religião mentirosa. Receber Jesus no pão eucarístico e não se importar com a fome dos irmãos, seria trair o próprio projeto de Cristo, que teve pena da multidão faminta e sempre colocou o serviço prestado aos pobres como sinal de autenticidade no amor a Deus. A Igreja precisa ser criativa e, ao mesmo tempo, fiel ao projeto de Jesus para dar conta do recado nos novos tempos.
Na IECLB, qual é a sua caminhada?
Já fui Presidente da Comunidade Caminhos da Fé e Vice-Tesoureiro do Distrito Eclesiástico Regional Noroeste (DERN). Em 1998, com a criação de um novo modelo de IECLB, dividida em Sínodos, fui eleito Vice-Presidente da Diretoria Sinodal. Atualmente, na Comunidade, sou membro e colaborador, na Paróquia, Tesoureiro e, no Sínodo, Tesoureiro, Coordenador da Dimensão Ecumênica e Representante no Conselho da Igreja.
Quais são as suas atividades?
Hoje, estou exercendo a função de Secretário Administrativo. Coordeno um trabalho em Rondônia desde fevereiro de 1995, o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), que tem como um dos seus objetivos aprofundar e consolidar a lei tura popular e orante da Bíblia defendendo e promovendo a vida por meioda inserção em Comunidades eclesiais, grupos populares e movimentos sociais. Além disso, busca auxiliar a descobrir, com a ajuda da Bíblia, a palavra de Deus na vida do povo, a fim de levar a uma nova consciência de cidadania, contribuindo para criar uma sociedade mais digna, justa e sustentável.
Existe uma ‘causa’ pessoal para participar das atividades adminis- trativas da IECLB?
A presença da IECLB na Amazônia sempre teve a marca muito forte no seu princípio de ação ecumênica. Nunca podemos perder isto de vista. O ecumenismo é algo fundamental na caminhada da Igreja no Norte. O trabalho conjunto com a Igreja Católica, movimentos sociais e entidades de classe marcou e continua marcando a sua presença na luta pela dignidade e cidadania nesta região. O Sínodo da Amazônia quer implantar o conceito e a prática de ajuda mútua, já conhecido e de ótimos resultados dentro e a partir da IECLB. Uma das maiores dificuldades é a auto-sustentabilidade dos trabalhos na região. O grande desafio de Presbítero é proporcionar na vida comunitária espaços de convivência e aceitação mútuas. Espaços nos quais a graça de Deus determine o relacionamento das pessoas, criando um clima positivo – a valorização das pessoas, ou seja, levar as pessoas a sério e respeitá-las em seus desejos, experiências e potencialidades. Significa animá-las a contribuir voluntariamente com tempo, dons e bens.
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Responsabilidades da Igreja
Somar todos os esforços possíveis entre os Sínodos na manutenção dos trabalhos missionários existentes e na ampliação da presença missionária da Igreja onde houver necessidades. Também ajudar no planejamento e encaminhamentos da Igreja como um todo. Nesse sentido, precisamos de uma Igreja que seja:
– missionária: capaz de ir ao encontro do outro;
– ministerial: colocar a serviço os dons que Deus nos deu;
– servidora: em defesa dos que sofrem e dos que não tem defesa, capaz de educar para a prática da justiça;
– dialogante: capaz de falar a linguagem do homem, da mulher, da criança e do jovem de hoje, ensinando e aprendendo, reconhecendo valores também fora das suas fronteiras, com grande espírito ecumênico;
– acolhedora: para os que chegam e os que já estão dentro, menos legalista e mais misericordiosa, construtora de Comunidades;
– criativa: dando espaço para novas pessoas, novas idéias e novas maneiras de agir, capaz de se transformar sem perder o essencial;
– evangelizadora: que anuncia em suas palavras, ações, celebrações e modo de viver;
– comunidade fraterna: onde as pessoas se valorizam mutuamente e se querem bem;
– alimentadora da espiritualidade: para se encontrar permanentemente na presença do Senhor e ajudar a educar para a oração, a celebração e a experiência mística.