Dando sequência à série de matérias especiais em comemoração aos 60 anos da IECLB, nesta edição o P. Dr. Rodolfo Gaede Neto, que exerceu o Ministério Pastoral nas Paróquias capixabas de Alto Jatibocas e São João de Garrafão, foi Diretor Geral da Associação Diacônica Luterana, Pastor Distrital do DE Sul do Espírito Santo, Vice-Pastor Regional da Primeira Região Eclesiástica e atua na Faculdades EST como Professor de Teologia Prática e Coordenador do Bacharelado em Teologia, vai apresentar o compromisso diaconal e social da Igreja nos tempos iniciais da sua história
O mundo veste ‘Prada’, mas a Igreja veste avental. Toda a vez que os documentos históricos nos lembram a realidade que os imigrantes alemães luteranos tiveram que enfrentar ao chegarem ao Brasil, ficamos chocados pela gravidade de certas situações.
Adversidades exigem resistência e reação. Sabemos que não faltou resistência aos imigrantes. A reação também foi acontecendo na medida em que se organizaram em Comunidades, onde providências importantes foram sendo tomadas, também na área social. Os compromissos assumidos foram gradativamente crescendo em importância e abrangência. Compartilho alguns exemplos:
 |
Diaconisas de Wittenberg a caminho para
atender parturientes e enfermos no interior do Vale do Itajaí/SC |
– Nos tempos iniciais, a contratação de Pastores representou a presença de pessoas (especialmente das esposas dos Pastores) que, muitas vezes, tinham formação na área da saúde, por isso muitos casos de doenças, acidentes e partos puderam ser atendidos nas residências das famílias.
– Chegou também o momento de pensar a diaconia em nível de Sínodos e de Igreja no Brasil. Este capítulo da história está intimamente ligado ao surgimento da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE). Quando a Igreja da Alemanha começou a enviar Diaconisas para as Comunidades brasileiras, percebeu que o trabalho das Irmãs necessitava de um suporte firme, por isso foram criadas as OASEs, cuja atuação era considerada ‘diaconia em tempo parcial nas Comunidades locais’, que dava sustentação ao trabalho diaconal de tempo integral das irmãs.
– Em 1913, a Casa Matriz de Diaconisas para o Exterior, da Alemanha, enviou as primeiras Irmãs ao Brasil, com destino às Comunidades para visitar as famílias e, em especial, as parturientes. Não demorou até que algumas Diaconisas passassem a dedicar-se também ao trabalho com crianças, coordenando jardins de infância. Mais tarde, veremos Irmãs trabalhando em hospitais. Em 1932, já temos mais de 80 Irmãs no Brasil atuando em hospitais e diversas outras instituições.
 |
Superintendente Geral da Igreja Evangélica na Westfália, P. Wilhelm Zöllner (no centro da segunda fila) e o Pastor Johannes Raspe
(na primeira fila, à esquerda), primeiro Pastor das Irmãs de São Leopoldo |
– A OASE criada nas Comunidades e nos Sínodos brasileiros decidiu, em 1938, pela criação da Casa Matriz deDiaconisas de São Leopoldo/RS. A decisão teve o apoio do Presidente do Sínodo Riograndense, P. Hermann Dohms e as atividades tiveram início em 1939. Assim, as Diaconisas formadas em São Leopoldo juntaram-se às que vieram da Alemanha. Em 1959, encontravam- se Diaconisas atuando nas instituições de São Leopoldo, Estância Velha, Hamburgo Velho, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Montenegro e Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, Braço do Trombudo e Pomerode, em Santa Catarina, e Petrópolis e Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro.
– Em 1956, tem início a formação para a diaconia masculina no Brasil, com a criação da instituição hoje denominada Associação Diacônica Luterana, localizada em Serra/ES.
– A partir da década de 1960, as Comunidades receberam maior atenção, especialmente no que se refere ao trabalho com crianças em situação de pobreza. Os campos de trabalho em Ceilândia/ DF e Alvorada/RS são exemplos dessa caminhada.
– A demanda na área social continuou a crescer na IECLB e, em 1974, a Irmandade cria o Seminário Bíblico Diaconal. Esta é também a época em que surge a Comunhão de Obreiros Diaconais (COD), uma forma alternativa de organização, ao lado da Irmandade.
– Na história mais recente, criou-se o Departamento de Diaconia, responsável pela coordenação das atividades diaconais na IECLB.
Toda a história da ação diaconal na IECLB quer ser o testemunho prático da misericórdia de Deus em relação às pessoas em situação de fragilidade. Vestir o avental do serviço ao próximo é o que a Igreja faz em obediência ao próprio Cristo, que, após lavar os pés dos discípulos, disse Assim como eu vos fiz, façais vós também (João 13.15).