Quem sabe, muitos e muitas de nós já tenhamos dito alguma vez: ‘Graças a Deus’ ou ‘Louvado seja Deus’ ou ‘Só por Deus’. O que está por trás dessas palavras? Pense um pouco! Logo nos damos conta que, com expressões simples como essas, está um reconhecimento: Deus interveio, Deus agiu!
A partir desses exemplos, percebemos um ato divino de (re)fazer, de (re)ordenar, enfim, de (re)conciliar. Por nossa própria vontade e agir, fraquejamos. Aí vem a ação divina para, outra vez, tranquilizar, buscar um acordo, harmonizar, trazer paz. Essa ação de reconciliação acontece da parte de Deus em relação a nós, seres humanos, e em relação à Criação como um todo. É uma ação a acontecer entre as pessoas e no conjunto da Criação que as envolve.
Ao falar em reconciliação, chegamos também a compreender a importância da confissão e da absolvição. Junto ainda está a ‘contrição’. Esses atos são o reconhecimento da misericórdia de Deus, que vem e quer a reconciliação. Os bens resultantes são perdão dos pecados, vida nova e salvação. O Sacramento do Altar, a Ceia do Senhor, é sobremaneira expressão dessa graça.
Exemplos bíblicos da reconciliação oferecida por Deus temos em abundância. Vejamos em João 3.16: Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que toda pessoa que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Em Romanos 5.10, lemos: Nós éramos inimigos de Deus, mas Ele nos tornou seus amigos por meio da morte do seu Filho. Agora que somos amigos de Deus, é mais certo ainda que seremos salvos pela vida de Cristo. Portanto, podemos nos saber reconciliados com Deus e, humildemente, sempre pedir: Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme!, conforme o Salmo 51.10.
|
É maravilhoso viver os nossos dias sempre aprendendo o muito que não sabemos e ensinando o pouco que sabemos. É uma atitude de abertura ao próximo e a Deus. |
Ter consciência da nossa situação humana é fundamental. Somos seres inacabados e em permanente refazer. Podemos exibir prepotência, podemos impor opiniões, podemos erguer a voz, mas, ao contrário dessas atitudes mostrarem a nossa perfeição, são evidências da miserabilidade do nosso ser, do nosso coração. Elas expressam o quanto nos iludimos e falseamos a nossa visão.
Compreender a nossa real situação é entender que necessitamos de constante reconciliação, de umas pessoas com as outras e, sobretudo, com Deus e com a sua Criação. É maravilhoso viver os nossos dias sempre aprendendo o muito que não sabemos e ensinando o pouco que sabemos. É uma atitude de abertura ao próximo e a Deus. É sinal de disposição para acolher a reconciliação que o próprio Deus nos estende.
Isso nos convida a sair da zona de conforto. Pensar que somos e nos sentir onipotentes é ilusão e conduz ao fracasso. Precisamos de reconciliação sempre, refazendo-nos e reordenando a nossa vida. Nisso está o segredo para um bom viver. Continuemos a confessar: Graças a Deus ou Louvado seja Deus ou Só por Deus, reconhecendo a ação reconciliadora de Deus em nossa vida.
Para refletir, leia Colossenses 3.12-17
Pa. Elke Doehl e P. Claudir Burmann | Ministra e Ministro na Paróquia de Massaranduba/SC
Deus nos capacita para uma nova existência
O Evangelho, a Boa Notícia que Deus nos ama, modifica a vida e nos transforma em pessoas melhores, desde que ouvida e acolhida, é fonte de consolo e instrução para quem crê. É palavra de esperança, perdão e salvação.
O apóstolo Paulo recomenda o seguinte: Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo tinha (Fp 2.5). Temos um que nos une, que é Cristo Jesus. Em Cristo, Deus nos possibilita uma nova existência: somos pessoas livres, não vivemos mais debaixo da escravidão do pecado e do mal. Somos perdoados e perdoadas! Nova existência é possibilidade de vida digna, justa e em gratidão e amor a Deus!
|
Conhecer e ter o mesmo modo de pensar que Cristo tinha é desafiador. Precisamos agir e viver esta novidade de vida diariamente – hoje e sempre! |
Uma Madrinha contou-me que o seu afilhado lhe pediu, em meio a lágrimas: ‘me ajuda a tirar essa coisa ruim de mim. Eu quero mudar, mas não consigo’. Aquele adolescente queria ter nova existência, porém estava desorientado, sem saber o que fazer.
Um novo jeito de existir e viver! Posturas cristãs coerentes com o Evangelho libertador não acontecem sem dedicação e esforço da nossa parte. Observe, por exemplo, como é difícil mudarmos um há- bito alimentar! Abster-se de algo também não é tarefa fácil! Adotarmos posturas de vida ética, responsável diante de Deus, das pessoas e do meio ambiente significa ser consequente e avaliar bem os resultados das nossas ações: se trazem vida ou morte!
Recentemente, ouvi uma explicação que, para termos uma nova postura ou fazermos algo sobre o qual temos responsabilidade, isso exige escalar três degraus.
O primeiro chama-se: eu sei! Esse degrau ocupa 30% dessa escada. Normalmente, sabemos o que precisamos fazer. Temos consciência disso, como, por exemplo, quando reconhecemos que ‘pisamos na bola’ e que esse não era o jeito que Jesus tinha. Ele nos propõe outra maneira de viver.
Vamos ao segundo degrau então: Eu quero! Eu quero mudar. Eu acolho em mim as palavras de Jesus e quero mudar as minhas posturas, o meu agir. Mais 30% dessa escada são ocupados por esse degrau!
Chegamos ao último degrau: Eu faço! Ele é o maior e ocupa 40% dessa escada. É realmente agir de modo diferente! É ter a atitude de mudar, de fazer diferente, mas fazer! É como aquela canção que nos diz: amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu…
Para que possamos experimentar esta nova existência, com a qual Deus nos agracia, ela precisa permear os nossos sentimentos, os nossos pensamentos e as nossas ações. Esse novo viver deve fazer parte do dia a dia por meio das nossas atitudes, palavras e ações. A prática diária da oração é ferramenta útil para nos impulsionar a agir de modo coerente com o Evangelho, bem como suplicar que Deus envie o Espírito Santo a nos empurrar a fazermos diferente, a agir em amor!
Termos o mesmo modo de pensar que Cristo tinha é uma palavra desafiadora. Precisamos conhecer este modo de pensar. Precisamos acolher e nos apropriar dele por meio da leitura e do estudo contínuo do Evangelho. Precisamos agir e viver, sim, agir e viver esta novidade de vida diariamente – hoje e sempre!
Para refletir, leia Filipenses 2.5
Pa. Vera Lucia Engelhardt | Ministra na Comunidade em Cuiabá/MT