Pa. Carla Tais Krüger Bersch, formada pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Atua na Paróquia Bom Pastor de Navegantes/SC
O encanto das pequenas coisas
Vivemos em um mundo onde tudo parece ter o seu preço. Basta olhar ao redor para perceber que as pessoas têm sido valorizadas pelos bens que possuem e pela posição social que ocupam. É comum entrarmos em um banco ou em uma loja e sermos avaliados pela roupa que vestimos ou pelos sapatos que calçamos. Às vezes, se tem a impressão que a quantidade de dinheiro e de bens materiais que se possui é a medida usada para classifi car quem tem ou não valor nesse mundo.
O mundo quer nos convencer de que a vida só tem valor a partir do momento em que se pode comprar e ter tudo o que se deseja. Diante deste cená- rio, muitas pessoas buscam desesperadamente uma boa posição social e econômica. Com isso, terminam perdendo o verdadeiro sentido da vida! Vivemos em um mundo no qual as pessoas estão voltadas para si mesmas.
Esse comportamento tem feito com que muitas delas passem longas horas do seu dia no trabalho e, muitas vezes, por isso, deixam de ter tempo para o descanso e o convívio familiar. Ao viverem assim, esquecem que o verdadeiro valor da vida está em coisas que não podem ser compradas. Que vantagem terá alguém se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?
Verdade! O dinheiro pode até nos trazer conforto e segurança, mas ele não nos compra uma vida feliz. O dinheiro compra a cama, mas não o descanso. Compra bajuladores, mas não amigos. Compra presentes para uma mulher ou homem, mas não o seu amor. Compra o bilhete da festa, mas não a alegria. Paga a mensalidade da escola, mas não produz a arte de pensar. É por isso que precisamos aprender a buscar e a manter aquilo que o dinheiro não compra, ou seja, as coisas simples da vida. Caso contrário, nos tornaremos pessoas miseráveis.
Diante disso, percebemos que: ‘as coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias e só os sábios conseguem vê-las’ (Paulo Coelho).
Portanto, todo o ouro que muitas pessoas buscam ansiosamente adquirir nada mais é do que bijuteria, se comparado às verdadeiras riquezas que podemos buscar e oferecer: o amor e a amizade.
Que possamos valorizar a nossa família, os nossos amigos, a nossa vida, a Criação, que Deus nos presenteou com amor. Busquemos sempre cultivar o bem e não o mal em meio a este mundo, que, por vezes, se encontra tão distante do amor de Deus.
O verdadeiro sentido da vida está nos momentos em que podemos viver e sentir o amor de Deus nas pequenas coisas – que não podem ser compradas, mas que têm um valor imensurável.
Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do Evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma? Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.
Para refletir, leia Marcos 8.35-38

Pa. Bárbara Kugel, formada em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia (FLT), em São Bento do Sul/SC. Atua na Paróquia Bom Samaritano, em Jaraguá do Sul/SC
A tendência em valorizar o que custa caro
A pergunta é sobre o valor a partir da fé luterana. Nos nossos dias, muitos são os autores que dizem: ‘as pessoas perderam os seus valores’. Nós fazemos parte dessa geração que, diariamente, está perdendo o valor. A própria palavra valor, segundo o dicionário, tem mais de 20 defi nições, o que dificulta uma clareza a respeito. Se até o dicionário não consegue defi nir, de forma simples, o que é valor, quanto mais a sociedade e as nossas famílias, em que, diariamente, os valores mudam.
A nossa fé tem como valor absoluto o amor de Deus acima de todas as coisas, amor esse demonstrado na morte e na ressurreição de Cristo. Todos os dias, Deus vêm com o seu amor e se coloca ao nosso lado, porém a humanidade sempre sofre com o pecado e a perda dos valores ensinados por Jesus Cristo.
Lutero enfrentou a falsa teologia da sua época, de que as indulgências poderiam oferecer o perdão, que os méritos pessoais poderiam comprar o amor de Deus e a salvação. A Escritura aponta que Deus nos valoriza primeiro. Com a Reforma, aprendemos que, com Deus, não se negocia. É crer em amor que Jesus me remiu, pessoa perdida e condenada, me resgatou e salvou de todos os pecados. Quando a Cruz (Jesus Cristo) foi colocada no centro, os méritos pessoais perderam o valor. Estamos no século XXI e ainda ouvimos que tudo tem o preço a ser pago.
Em décadas passadas, o valor das pessoas estava ligado ao verbo ser. Família, profissão e relacionamentos nos definiam. Hoje, o verbo que nos define é o ter. É o mundo da valorização do visível, da aparência.
Essa nova forma de definir quem somos não sabe o que fazer com a mensagem da cruz. Nós estamos nos perdendo em meio à chuva de coisas que custam monetariamente caro, pagamos caro para ter e ser a pessoa vista pelo próximo. O problema é que o amor de Deus é graça e custou a morte de Cristo na cruz. Esse valor nós não podemos pagar, apenas receber!

Não é de hoje que o secularismo desvaloriza o importante e valoriza o transitório. Em Lutero, vemos a valorização da graça, que trouxe liberdade em meio à desgraça que escravizava. Hoje, não é diferente. O mundo trocou os valores trazidos por Cristo e vivemos em um mundo ‘sem graça’, no qual as pessoas têm e não são, com as suas casas cheias e os seus corações vazios.
Uma antiga frase diz: Toda pessoa, antes de morrer, precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Será triste, ao final da vida, vermos que a árvore que plantamos e que não tivemos tempo de regar morreu, que não tínhamos histórias para colocar em um livro e que os nossos filhos, as nossas filhas foram criados por outras pessoas e ensinados pelo computador, pelo celular e pela televisão.
Valorizar as coisas erradas nos custará caro e o tempo terá passado. Voltemonos para Cristo e resgatemos valores para ser. Não nos corrompamos pelo mundo sem graça, com valores que custam caro!
Para refletir, leia Colossenses 3.1-4