O segundo dia do 35º Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) iniciou com culto às 8h da manhã. O culto teve como tema: Águas de alegria e de dores – as muitas águas nas quais navega o barco-Igreja.
A liturgia, a pregação e a simbologia estavam todas conectadas ao tema. Já de início, a comunidade entoou: “Como água cristalina de um rio que vai pro mar, a minha alma vai a ti, só pra te adorar”.
A liturgia foi conduzida por Ministras e Ministros, bem como por lideranças leigas. A pregação esteve ao encargo do Pastor Dr. Mauro Batista de Souza, Pastor 2º Vice-Presidente da IECLB.
Águas de muitos lugares se encontram
A litania das águas foi marcada por dois momentos especiais. Sínodos, instituições, assim como representantes das igrejas parceiras, trouxeram recipientes com água de diferentes regiões e lugares. Os recipientes foram colocados junto à bia batismal e ao pequeno barco de pesca que compõe o cenário do Concílio. Além das diferentes águas, cada Sínodo elaborou um pequeno texto sobre as águas que perpassam o contexto geográfico dos Sínodos. Todos os textos foram lidos em conjunto pela comunidade conciliar.
Vislumbrando as águas de tantos lugares, águas de rios, arroios, riachos, lagos, fontes, nascentes e mares, a comunidade reconheceu: nestas muitas águas, navega o barco-Igreja. Da mesma forma, a Comunidade clamou: “Conduze-nos, Deus de amor, pelas águas nas quais navega tua Igreja”.
Água que gera vida…
A pregação teve por base o texto de Isaías 43.1-3a, que entre outros símbolos, aponta para a água. O Pastor Mauro Batista de Souza iniciou lembrando que a água é uma das condições fundamentais para a existência da vida. Povoados, cidades e civilizações se desenvolveram às margens dos rios, lagos e mares, disse ele. Também o nosso corpo é constituído majoritariamente de água, complementou.
Na Bíblia, a água aparece no começo e no fim. No livro de Gênesis, as águas fazem parte da criação. Por fim, no Apocalipse, encontramos a imagem do rio da água da vida. Para o Pastor 2º Vice-Presidente, a água é uma grande imagem bíblica da vida.
… Água que gera medo e morte
Mas a Bíblia conhece também o outro lado da água. As águas profundas podem significar perigo, sofrimento, angústia e morte. E é assim que o salmista clama: “Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até a alma.” (Salmo 69.1).
A Bíblia, portanto, conhece a experiência de estar com água até o pescoço. El a conhece o sentimento de não ter mais onde colocar os pés. Neste contexto, P. Mauro alertou que há muita gente se afogando com dívidas, com vícios. Há mulheres ameaçadas pela violência, pessoas afundadas no ódio, na intolerância, pessoas que não conseguem mais encontrar a outra margem. E é justamente nesse cenário que ouvimos as palavras de Isaías: “Quando você passar pelas águas, eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão.”
Quem no ajuda a passar pelas águas?
Às vezes pensamos que acreditar em Deus significa que nada de ruim acontecerá conosco. Mas Isaías não diz isso. Ele diz: “Quando você passar pelas águas…” Isto significa que haverá águas, haverá rios, haverá fogo.
Seguindo o texto bíblico, o Pastor Mauro afirma: pode ter água, rio, fogo, mas Deus estará ali. Vai ter cruz, mas temos companhia, temos alguém que nos ajuda a carregar a cruz.
Deus entrou na água junto com a gente
A água ocupa um lugar muito especial na fé cristã. No batismo, ela é sinal de morte e de vida. A água do batismo nos afoga, mas possibilita uma nova vida em Jesus Cristo.
Jesus entrou nas águas do Jordão. Isto vai além do Rio Jordão. Jesus entrou nas águas da humanidade, do sofrimento. Ele experimentou abandono, violência e morte, porém a morte não teve a última palavra.
Deus não ficou olhando a nossa travessia de longe. Em Cristo, Deus entrou na água junto com a gente. Entrou na história humana. Por isso, nossa esperança não está em nunca enfrentar águas profundas. Nossa esperança está em quem atravessa as águas conosco.
Para finalizar, o Pastor 2º Vice-Presidente disse que o centro de Isaías 43 não são as águas. Também não é o fogo, nem o medo. O centro do texto é Deus. E há três frases nesse texto que precisam ficar gravadas em nós:
- Eu criei vocês. Não somos acidente do acaso, somos pessoas criadas por Deus.
- Deus nos chama pelo nosso nome. Não somos pessoas anônimas dentro de uma multidão
- Você é meu, você é minha: não por nossa qualidade ou força, mas porque Deus assim decidiu nos amar.
Continuidade dos trabalhos do Concílio
Após o culto, a Presidente do Concílio, Dra. Ema Cintra, deu seguimento às atividades do Concílio com a formação da mesa diretora e levantamento do quórum. Na sequência, houve a apresentação de todas as pessoas conciliares, a composição das comissões e a leitura da convocação do XXXV Concílio. Em seguida, o Pastor Dr. Paulo Nestor Friedrich proferiu a palestra Igreja em missão, o Evangelho anunciar! Uma missão do jeito de Jesus (relato em breve)