“Tenho 65 anos e estou aprendendo a ler e a escrever. Não sabia nada, agora já sei escrever o nome dos meus netos e dos meus filhos. Também aprendi sobre os meus direitos, já conheço as letras e, no banco, eu mesma ponho a senha, não preciso mais pedir ajuda para os outros”. O depoimento de dona Tereza Couto de Matos, quilombola da Comunidade da Armada, interior de Canguçu/RS, que pode ser considerado uma frase-símbolo para definir o trabalho realizado pelo Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), está registrado no livro Descobri que tem raça negra aqui, sobre o projeto realizado com comunidades quilombolas na região das cidades gaúchas de São Lourenço do Sul, Pelotas e Canguçu. Publicado em 2007 pelo núcleo Pelotas com os quilombolas, o livro teve relançamento nesse ano, já na sua segunda edição.
Criado em 1978 pela IECLB e, hoje, acompanhado pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o CAPA busca contribuir de forma decisiva para a prática social e de serviço junto a Agricultoresfamiliares e outros públicos ligados à área rural. A luta foi e continua sendo pela afirmação da agricultura familiar como parte da estratégia de desenvolvimento sustentável. O respeito às diferenças culturais, étnicas e religiosas é fundamental para a manutenção da vida e a construção de independência e autonomia é o que prega o CAPA.
Atendendo a um amplo público de Agricultores familiares e assentados, quilombolas, indígenas e pescadores, organizados em grupos, associações comunitárias e cooperativas, atua em diferentes regiões dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná por meio de cinco núcleos ligados em rede. As equipes técnicas, formadas por profissionais das áreas da Agricultura, Saúde, Administração e Comunicação, prestam assessoria na organização social e política, na formação e na produção econômica das famílias beneficiadas.
As comemorações pelos 30 anos, que estão acontecendo ao longo de todo o ano, tiveram início no dia 9 de maio, no núcleo de Marechal Cândido Rondon/PR, com uma palestra sobre A IECLB e
os Movimentos Sociais no Oeste do Paraná: Passado e Presente. A realização da palestra foi assessorada pelo P. Werner Fuchs, uma das lideranças que vivenciou e apoiou o movimento dos Desapropriados de Itaipu no final da década de 1970. Na oportunidade, também foi lançado o documento A produção de energia devora alimentos? Oportunidades e riscos da produção de etanol derivado de cana-de-açúcar no Brasil, uma posição conjunta do CAPA e o Entwicklungspolitischer Arbeitskreis der Evangelischen Landjugend in Bayern (AME), Alemanha.
Organizada pelo núcleo de Erexim a festa na Comunidade
de Linha Floresta, município gaúcho de Alto B e l a Vista/SC, aconteceu no dia 18 de maio. Agricultores, equipe técnica, Diretoria, Pastores da IECLB e entidades parceiras estiveram presentes, tornando omomento especial e significativo. Palestra, culto, almoço, homenagens e a olimpíada do CAPA, com tarefas como corrida de carroça, caça ao porco e lançamento de bota, marcaram o evento. O Grupo de Linha 12, do município de Severiano de Almeida/RS, recebeu o troféu de 1º lugar. No encerramento, o parabéns e uma fatia do bolo de 30 quilos, assado em forno à lenha.
O núcleo de Santa Cruz do Sul/RS marca as celebrações com a divulgação dos 30 anos do trabalho do CAPA na região, além de diversas atividades que fazem parte do cotidiano, mas tem o toque especial de parabéns a você. O núcleo de Verê, no Paraná, promoveu uma festa no dia 7 de junho, reunindo cerca de 160 pessoas, entre Agricultores e convidados. O núcleo de Pelotas/ RS está programando uma celebração para o final do ano, mas também lembra o aniversário em cada atividade realizada, que não são poucas!
Para maiores informações, acesse www.capa.org.br e aproveite para deixar uma mensagem para a equipe e os parceiros do CAPA no livro de visitas!